sábado, setembro 19, 2009

Casa poema


Pesa a sentença atroz do algoz ignoto
Em cada cerviz néscia. É entrudo e riem,
Felizes, porque neles pensa e sente
A vida, que não eles!

De rosas, inda que de falsas
Teçam capelas veras. Breve e vão é o tempo
Que lhes é dado, e por misericórdia
Breve nem vão sentido

Se a ciência é vida, sábio é só o néscio.
Quão pouca diferença a mente interna
Do homem da dos brutos! Sus! Deixai
Brincar os moribundos!

Ricardo Reis, in "Odes" Heterónimo de Fernando Pessoa

Variantes: v.1- Pesa o decreto atroz do fim certeiro./ Pesa o decreto igual do fim diverso
Último: Leixai / Deixai viver os moribundos
(Mais pormenores na fotografia, se ampliada).

É este o poema que decora todas as paredes da Casa Fernando Pessoa, transformada numa casa-poema. Ver o meu outro blogue nesta data (19/09/09).

2 comentários:

lúcia montemor disse...

Olá, andamos com interesses parecidos.Mais uns que outros,mas, neste caso, a nova instalação da Casa seduziu-nos.
Muito giros alguns dos teus textos deste blogue.
Não entendo muito de blogues, mas hei-de lá chegar

Nádia Jururu disse...

Obrigada. Devemos até ser quase vizinhas, julgo eu.
Muitas pessoas preferem este blogue e os textos são melhores, claro. O outro é um blogue de generalidades e de crítica.
Força com o teu blogue, que tenho visitado.