quinta-feira, outubro 12, 2017

O grilo narrado

A minha mãe era uma mulher bondosa, com uma grande delicadeza interior e um humor que a levava a encontrar narrativas interessantes e um pouco picarescas na realidade que observava e até nela mesma.
Mas "morrem jovens aqueles que os deuses amam"...
Um dia, já em agosto, a minha mãe deu-se conta de que tinha, numa gaiola, um grilo que cantava muito bem, mas que deveria já ter morrido em Junho. Apiedada do pobre do bicho, decidiu que, tendo vivido e sobrevivido tanto tempo, o grilo merecia a liberdade.
- Quem tanto viveu, merece a liberdade!!!
Se bem o disse, melhor o fez e, com pompa e circunstância, abriu a gaiolinha e deixou-o sair.
Ainda o grilito só tinha dado meia dúzia de passos, apareceu uma galinha e comeu-o .
Este grilo nunca teria tido uma história se a minha mãe não a tivesse narrado e se hoje, 12 de outubro, eu não tivesse estado à janela, aqui em Lisboa, onde não há galinhas, a ouvir cantar um grilo sobrevivente, de provecta idade.

segunda-feira, setembro 25, 2017

Outono

O prazer das pequenas coisas.
Prazeres mais pequenos e mais subtis no outono.

sexta-feira, setembro 08, 2017

Salmo 137, letra de "By the rivers of Babylon", que todos nós já dançamos. Salmos 137





Salmos 137
1 Junto aos rios da Babilônia nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião.
2 Ali, nos salgueiros penduramos as nossas harpas;
3 ali os nossos captores pediam-nos canções, os nossos opressores exigiam canções alegres, dizendo: "Cantem para nós uma das canções de Sião! "
4 Como poderíamos cantar as canções do Senhor numa terra estrangeira?
5 Que a minha mão direita definhe, ó Jerusalém, se eu me esquecer de ti!
6 Que a língua se me grude ao céu da boca, se eu não me lembrar de ti, e não considerar Jerusalém a minha maior alegria!
(Os últimos 3 foram retirados, podem ser consultados)

Também Camões escreveu sobre o tema, Babel e Sião
Sôbolos rios que vão

Sôbolos rios que vão
por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
as lembranças de Sião
e quanto nela passei.
Ali, o rio corrente
de meus olhos foi manado,
e, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.
 

Etc.

sábado, setembro 02, 2017

Algumas coisas ficarão para sempre dentro de nós.
Outras podem ser partilhadas.

terça-feira, agosto 29, 2017

Santo Agostinho

 Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!

Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29

terça-feira, agosto 08, 2017

A maçã

No ramo mais alto da árvore mais alta
uma maçã vermelha.
Ninguém a quis colher...

Ninguém a quis colher?
Muitos quiseram, mas nenhum conseguiu.

Poema de Sapho

segunda-feira, julho 31, 2017

Saudades: de Surrento ou de gente, ou do tempo passado




Embora a palavra saudades não exista em italiano, esta é para mim a canção que mais e melhor exprime a saudade. 
Sentimento que sinto hoje, em particular.