domingo, dezembro 14, 2008

O Azul Opaco da Terra

Possuído pelo espírito do fogo e pelos raios do sol
É extraído da forja o ferro em chamas transformado
Mais belo, mais luzente que o ouro ou o diamante,

Em breve será apenas uma peça enferrujada e útil,
Depois de ter passado pela água agora turva.
Como um bicho fugente, irascível e leve
O pedaço de ferro atravessa a água, reagindo à sordidez

Tal como ele saibamos possuir a luz:
Assanhados, irascíveis reagir contra os limites
Que nos obrigam a ser pedra ou coisa

Saibamos nós ao menos, nós os senhores do fogo
Ser chama e ser aurora
Ser pedaço de ferro moldado a nosso gosto
Ser cor e luz, ser fogo e ser augúrio

E iluminados partirmos para o azul opaco da terra.
Graciete Nobre
Lisboa, 15\9\96

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