Embora a palavra saudades não exista em italiano, esta é para mim a canção que mais e melhor exprime a saudade. Sentimento que sinto hoje, em particular.
Um dia no verão , eu, o meu primo e a minha prima fomos para um quarto de arrumações em minha casa, metemo-nos dentro de um caixote de papelão com os pés de fora e ali ficamos, muito felizes, a navegar no alto mar, dentro dum navio enorme. Foi a minha mãe que nos informou ser aquilo um navio, e só não embarcou porque não cabia. De repente a minha prima, que era mais nova do que nós, começou a gritar.
- O que tens?
- Uma hipopota ferrou-me num dedo!
Teve sorte. Uma hipopótama no alto mar, enorme e só a mordeu num dedo...
Quando os pais tentam dais filhos tudo o que podem, devem lembrar-se que, em termos de méritos, o máximo será sempre um mínimo. Há sempre quem tenha um enorme palácio, dois ou três aviões, etc...
Mas noutros aspetos, um mínimo é sempre um máximo: dar-lhes inteligência, alegria, capacidade de se comoverem com a beleza ou com a tristeza dos outros...
" I know not what tomorrow will bring" Ultimas palavras (escritas) de Fernando Pessoa, que faço minhas. Pena que nestes últimos momentos tenha escrito em inglês, quem disse que "A minha Pátria é a língua portuguesa", mas ninguém é perfeito...
terça-feira, janeiro 31, 2017
"No meio do inverno, descobri que existia em mim um verão invencível." - Albert Camus
No original:
"Au milieu de l’hiver, j’apprenais enfin qu’il y avait en moi un été invincible".
A primeira sensação extraordinária que O Brasil me despertou foi o ouvir o canto de muitos pássaros desconhecidos e estranhos, todos ao mesmo tempo, como se fosse uma música que eu nunca tinha ouvido. Sem os ver.
Há meninas e senhoras que se chamam Maria da Paz, ou qualquer outro nome da Paz. Diminutivo: Pázinha.
Hoje dia seguinte ao dia Mundia da Paz (31 de dezembro), desejemos uma Pázinha. Uma grande Pázinha.
No mínimo.
“Não há violências maiores e menores, nem violências de estimação. O coração humano é o campo de batalha onde a violência e a paz se defrontam, onde nasce o conflito.” - Papa Francisco, 31 dezembro 2016
Desde que temos o Papa Francisco, ao acordar e ver isto, correndo o risco de chegar atrasada para fotografar, olho, vejo e pergunto-me: Isto é uma surpresa de Deus?
Embora eu não frequente a Igreja, quando o tempo em Portugal passa de 3 ou 4 meses de sol intenso para uma chuva torrencial, que me agrada por ser uma mudança, parece-me sentir a presença do divino.
Mas talvez seja superstição...
Pode não parecer, mas isto é Lisboa. Central.
O arco-íris nasce nas árvores de Monsanto.
A gotinha de água é um pingo de chuva que cai do telhado.
Na calçada portuguesa, esta borboletinha, muito longe dos jardins. Hoje, dia um de novembro, com tantas flores trazidas para Lisboa, foi também trazida esta borboletinha, para o exílio. Pois dificilmente voltará a encontrar as flores, que fazem parte da sua natureza. Ficam um quarteirão atrás e talvez já tenham sido todas vendidas.
Quando eu era muito jovem, compreendia tudo e perdoava tudo. Julgo, ainda hoje, que fazia bem, nessa época.
Mas, se compreender tudo é perdoar tudo, como adultos, de certa forma responsável pelo mundo em que vivemos, então não devemos compreender tudo. As gerações futuras irão pedir-nos contas da nossa complacência e da nossa ingenuidade.
Talvez possamos agora citar S. Paulo:
"Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas infantis. 1 Coríntios 13:11"
A Nadinha é a minha pseudo-heterónima. É a protagonista das minhas viagens marítimas, as reais e as sonhadas.
Quanto a mim, considero-me uma neófita na vida e em tudo.
Todos os textos e fotos aqui apresentados, ou são originais, ou é indicada a sua proveniência.