terça-feira, fevereiro 21, 2012
domingo, fevereiro 19, 2012
Carnaval em Portugal
Maria do Carmo Miranda da Cunha GO IH (Marco de Canaveses, 9 de fevereiro de 1909— Los Angeles, 5 de agosto de 1955), mais conhecida como Carmen Miranda, foi umacantora e atriz luso-brasileira.[nota 1] Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950.
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segunda-feira, fevereiro 13, 2012
Whitney Houston R.I.P.
Mais uma que partiu. Aqui, num excerto do filme The Bodyguard - Guarda Costas
Deve ser maravilhoso ter uma profissão que só dá prazer aos outros, que desperta o afeto e a gratidão de tanta gente, mas, ironicamente, os muitos cantores que se suicidaram parecem não ter a mesma opinião... Ou talvez o seu mal estar resulte da angústia criativa...
Encontrei no Facebook uma frase muito interessante, que vou citar:
"When I stand before God at the end of my life, I would hope that I would not have a single bit of talent left, and could say, 'I used everything you gave me'."
Erma Bombeck
VER AQUI
domingo, fevereiro 05, 2012
Cantigas de Amigo - Amália e Natália Correia
Numa breve e criativa amizade entre Amália e Natália Correia, nasceu este disco, que, mais ou menos desconhecido, vai agora ser reditado em CD. No dia 6 de Fevereiro.
Natália fez uma "tradução" / adaptação das cantigas de amigo para português atual, que permite a qualquer pessoa entender estas jóias da poesia medieval portuguesa. Ou Europeia.
Já conheço e aconselho vivamente.
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sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Wislawa Szymborska
"Foram-se os anéis, mas os dedos não ficaram".
Palavras difíceis de esquecer...
A poetisa morreu, o que é sempre um dano.
Claro que terá ganho o Nobel sobretudo por ser Polaca, numa época em que a Polónia estava na moda por razões políticas e religiosas, mas passou, sem dúvida, à frente de outros escritores polacos.
A sua poesia é pouco poética, mas não tão pouco como a do Vasco Graça Moura. LOL.
Um poema
AS TRÊS PALAVRAS MAIS ESTRANHAS
a segunda sílaba já se despede no passado.
Digo a palavra silêncio,
destruo-o.
Digo a palavra nada
construo algo que não se encaixa em qualquer inexistência.
( Versão de Luís Costa )
Retirada do blogue
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
A flor apaixona-se pela borboleta e pede-lhe que não fuja. É no tempo em que a tristeza era natural, as pessoas lidavam bem com a frustração... Não precisavam de confessar isso ao psiquiatra. Não havia anti-depressivos, ninguém se sentia estranho ou marginalizado por ser infeliz. Não como agora.
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quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Dia cansativo. Vida cansativa.
Vou dormir e ler. Ou vice-versa.
Nunca dormi tão bem como neste inverno. Abençoado Inverno.
Já coloquei mais um cobertor por causa da vaga de frio, anunciada aos quatro ventos pelos media... mas o frio não vem e morro de calor. E durmo. No Inverno do nosso (contentamento).
Tudo me tira o sono: a preocupação, a dor, a felicidade e a alegria. O entusiasmo...
Mas ninguém consegue fazer-me doer a cabeça. NEVER. A minha cabeça não dói por causa dos outros.
Abençoada cabeça! Abençoada noite! Abençoado Inverno! Abençoada noite de Inverno!
(Vou colocar aqui um pequeno texto dramático que escrevi, relativo a uma noite de Inverno. E outro, a uma noite de natal.). Escrevi-os há bué.
terça-feira, janeiro 24, 2012
o tempo de dormir é o tempo de esperar
Já semeei. Vou dormir, enquanto a seara cresce. Ou se estiola. Ou se multiplica. Enquanto as sementes se germinam. Enquanto a seara se transforma nas ondas marítimas... ou se perde, vazia, na imensidão dos mares.
o tempo de dormir é o tempo de esperar as transformações da terra e do mar.
Confiando.
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Esconjuro pela luz - esconjuro pelo sal
Que se livre esta casa pela luz
Que se livre esta casa pelo sal
Que se livre esta casa pela luz
da Luz
Que se livre esta casa pelo sal
Do sal
Que se livre esta casa pela luz
Do sal
Que se livre esta casa pelo sal
da luz
Que se livre esta luz pelo sal
Que se livre este sal pela luz do mar
Que se livre esta água pelo sal do mar
Que se livre esta água da maré
Que se livre esta maré pela luz
Que se livre o marinheiro pela luz do mar
Que se livre esta água pelo sal do mar
Que se livre esta água da maré
Que se livre esta maré pela luz
Que se livre o marinheiro pela luz do mar
sábado, janeiro 21, 2012
Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz!
Hoje cantaram isto para mim, o que me deu grande alegria.
Já não me lembrava de que gosto de música brasileira e que até sabia isto de cor.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Sim! - E eles a mim?
- Medo do mar?
- Sim, claro que sim!
- Medo da vida? Medo da morte?
- Claro que sim! - Sim?
- Sim!
- Medo dos homens? - E eles a mim?
- Sim - Medo dos outros?
- Sim! E eles a mim?
- Sim. Medo, sim, claro que sim.
- E eles a mim?
- Sim, claro que sim!
- Sim, claro que sim!
G. Nobre (Scherzo)
terça-feira, janeiro 17, 2012
"À Fragilidade da Vida Humana"
Esse baixel nas praias derrotado
Foi nas ondas Narciso presumido
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado.
Esse nácar em cinzas desatado
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse Estio em Vesúvios encendido
Foi Zéfiro suave, em doce agrado.
Se a nau, o Sol, a rosa, a primaveraEstrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,
Olha, cego mortal, e considera
Que és rosa, Primavera, Sol baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.
Foi nas ondas Narciso presumido
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado.
Esse nácar em cinzas desatado
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse Estio em Vesúvios encendido
Foi Zéfiro suave, em doce agrado.
Se a nau, o Sol, a rosa, a primaveraEstrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,
Olha, cego mortal, e considera
Que és rosa, Primavera, Sol baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.
Francisco de Vasconcelos, Fénix III
Vem agora muito a propósito este poema intitulado ""À Fragilidade da Vida Humana"", sobretudo os dois primeiros versos. É um poema muito característico da estética Barroca, em que a elaboração formal e a musicalidade conseguida desse modo, quase obscurecem o sentido, tornando-o numa espécie de adivinha. É um soneto.
domingo, janeiro 08, 2012
Ano poético
2012 será seguramente um ano poético. Um ano estranho, talvez mesmo uma obra de arte.
Muitos ficarão à espera que o mundo acabe no último mês, outros, que tudo fique maravilhoso, o início de uma nova era de paz, abundância e felicidade. E essa nova era seria a última.
Estão também anunciados três dias de completa escuridão.
Isto faz-me lembrar, é claro, uma coisa que tenho andado a escrever, sem pensar em nada disto. E que partilhei aqui, mas apenas umas frases. Dos textos que escrevo, os que mais me agradam são constituídos por pequenas frases como essas, sobrepostas.
Navegamos na escuridão
Agora, há novidades. A circunspecta e lacónica monarquia japonesa abriu uma ou duas brechas, como esta da princesa Nakamaru. Deu muitas entrevistas sobre o que acontecerá em 2012. Como o Tsunami do Japão se assemelha às previsões apocalíticas e escatológicas...
AQUI: Alguns vídeos têm traduções em português e espanhol, todos são falado sem inglês.
Longe de mim propor alguma versão. Apenas partilho as que conheço.
Provavelmente, vamos todos acordar em 1 de Janeiro de 2013 com um mundo igual e igualmente monótono, com os mesmos políticos, a mesma crise, a mesma mé... a mesma mera realidade.
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domingo, janeiro 01, 2012
Feliz 2012! Que a Luz nos Ilumine
Que a luz vinda das estrelas, filtrada pelo conhecimento e refletida pela arte, nos ilumine a todos neste novo ano!
Feliz 2012!
Nota: (Cúpula da Basílica da Estrela, Lisboa)
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sábado, dezembro 31, 2011
Feliz 2012
Já de outras vezes anunciaram que o mundo "ia si acabar", mas o mundo "não si acabou".
Como diz a Carmen Miranda. E já que não vai se acabar: "Ô Balancê Balancê"
Feliz Ano Novo de 2012
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domingo, dezembro 25, 2011
sábado, dezembro 24, 2011
Noite de Natal
Era noite de Natal. Os rebanhos já tinham recolhido ao redil e os pastores, à lareira, confraternizavam cantando, comendo, bebendo e apreciando o calor do fogo, após o frio mortal que haviam vivido nas serranias.
Era uma noite de tempestade.
Só eu deambulava ainda pelas montanhas, perdido na neve, na chuva e no vento. Mas era maior o meu martírio interior, a tempestade dentro de mim. Pelo mal irreparável que tinha cometido, irremediável para sempre: eu matara um deus.
Matara um deus nascituro entre muitos milhares de crianças que mandara aniquilar. Mas as crianças e as mães das crianças e os pais das crianças e os soldados que tinham sido obrigados ao extermínio, nada disso me preocupava naquela noite de névoa, de temporal e de dor. Para mim. Herodes. Que importam essas pessoas sem valor? Quem poderia importar-se com elas? A história não, necessariamente. A História dos tempos só fala dos grandes homens e ... mal de mim, dos deuses também.Qual será o castigo para um homem que matou um deus? Talvez mesmo um Deus único...
Não acredito na vida para além da morte. Acredito no que vejo, acredito que vou ganhar muito, nesta vida, com esta eliminação de todas as crianças, para impedir que as profecias se cumpram. Neste mundo.
Mas... e se houver vida para além da morte? E se houver um só deus? E se esse único deus for esse rapazito único que eu mandei matar? E se esse deus for esse que eu mandei matar e se conseguiu sobreviver? Se for um deus verdadeiro sobreviveu, necessariamene.
E eu?
E eu, Herodes, que será de mim?
Texto em construção (Work in Progress).
sábado, dezembro 17, 2011
Cesária Évora
Cesária Évora morreu hoje.
E eu que recentemente me apaixonei por São Vicente, em Cabo Verde, e que esperava, um dia, ouvi-la cantar ao vivo, descalça, serena, uterina e telúrica, nessa ilha e nessa cidade. Como costumava fazer.
Não será já neste mundo nem neste tempo, mas não deixará de o ser na imaginação e na sôdade. Claro!
E eu que recentemente me apaixonei por São Vicente, em Cabo Verde, e que esperava, um dia, ouvi-la cantar ao vivo, descalça, serena, uterina e telúrica, nessa ilha e nessa cidade. Como costumava fazer.
Não será já neste mundo nem neste tempo, mas não deixará de o ser na imaginação e na sôdade. Claro!
segunda-feira, dezembro 12, 2011
Baudelaire VideoActivité Hymne à la beauté por fle
Hymne à la beauté
Viens-tu du ciel profond ou sors-tu de l'abîme,
Ô Beauté ! ton regard, infernal et divin,
Verse confusément le bienfait et le crime,
Et l'on peut pour cela te comparer au vin.
Tu contiens dans ton oeil le couchant et l'aurore ;
Tu répands des parfums comme un soir orageux ;
Tes baisers sont un philtre et ta bouche une amphore
Qui font le héros lâche et l'enfant courageux.
Sors-tu du gouffre noir ou descends-tu des astres ?
Le Destin charmé suit tes jupons comme un chien ;
Tu sèmes au hasard la joie et les désastres,
Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien.
Tu marches sur des morts, Beauté, dont tu te moques ;
De tes bijoux l'Horreur n'est pas le moins charmant,
Et le Meurtre, parmi tes plus chères breloques,
Sur ton ventre orgueilleux danse amoureusement.
L'éphémère ébloui vole vers toi, chandelle,
Crépite, flambe et dit : Bénissons ce flambeau !
L'amoureux pantelant incliné sur sa belle
A l'air d'un moribond caressant son tombeau.
Que tu viennes du ciel ou de l'enfer, qu'importe,
Ô Beauté ! monstre énorme, effrayant, ingénu !
Si ton oeil, ton souris, ton pied, m'ouvrent la porte
D'un Infini que j'aime et n'ai jamais connu ?
De Satan ou de Dieu, qu'importe ? Ange ou Sirène,
Qu'importe, si tu rends, - fée aux yeux de velours,
Rythme, parfum, lueur, ô mon unique reine ! -
L'univers moins hideux et les instants moins lourds ?
Ô Beauté ! ton regard, infernal et divin,
Verse confusément le bienfait et le crime,
Et l'on peut pour cela te comparer au vin.
Tu contiens dans ton oeil le couchant et l'aurore ;
Tu répands des parfums comme un soir orageux ;
Tes baisers sont un philtre et ta bouche une amphore
Qui font le héros lâche et l'enfant courageux.
Sors-tu du gouffre noir ou descends-tu des astres ?
Le Destin charmé suit tes jupons comme un chien ;
Tu sèmes au hasard la joie et les désastres,
Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien.
Tu marches sur des morts, Beauté, dont tu te moques ;
De tes bijoux l'Horreur n'est pas le moins charmant,
Et le Meurtre, parmi tes plus chères breloques,
Sur ton ventre orgueilleux danse amoureusement.
L'éphémère ébloui vole vers toi, chandelle,
Crépite, flambe et dit : Bénissons ce flambeau !
L'amoureux pantelant incliné sur sa belle
A l'air d'un moribond caressant son tombeau.
Que tu viennes du ciel ou de l'enfer, qu'importe,
Ô Beauté ! monstre énorme, effrayant, ingénu !
Si ton oeil, ton souris, ton pied, m'ouvrent la porte
D'un Infini que j'aime et n'ai jamais connu ?
De Satan ou de Dieu, qu'importe ? Ange ou Sirène,
Qu'importe, si tu rends, - fée aux yeux de velours,
Rythme, parfum, lueur, ô mon unique reine ! -
L'univers moins hideux et les instants moins lourds ?
Tradução deste poema para português, autorada tradução: Graciete Nobre (em construção)
Vens tu do céu profundo ou sais tu do abismo,
Ó Beleza! O teu olhar, infernal e divino,
Verte confusamente o benefício e o crime,
E podemos, por isso, te comparar ao vinho.
Conténs no teu olhar o por do sol e a aurora Ó Beleza! O teu olhar, infernal e divino,
Verte confusamente o benefício e o crime,
E podemos, por isso, te comparar ao vinho.
Mais perfumes difundes que a noite tormentosa
Teus beijos como um filtro, tua boca uma ânfora,
Fazem cobarde o herói, corajosa a criança
Provéns do negro abismo, ou descendes dos astros
O destino, encantado, segue-te como um cão
Semeias ao acaso a glória e os desastres
E governando tudo, não respondes a nada
Caminhas sobre os mortos, Beleza, que tu gozas
De tuas jóias o horror não é a menos bela
E o assassínio, entre os teus mais caros *berloques
No teu ventre amoroso dança amorosamente
A mariposa encantada voa para ti, ó candeia
Crepita, arde e diz Bendigamos a chama
O apaixonado, arfante, que enlaça a sua bela
Parece um moribundo acariciando a tumba.
Venhas tu do paraíso ou do inferno, que importa
Ó beleza, monstro enorme, assustador, ingénuo
Se teu olhar, teu riso, teus pés me abrem a porta
De um infinito que eu amo e nunca conheci?
De Satã ou de Deus que importa, anjo ou sereia
Se tu fazes, ó minha fada dos olhos macios
Com ritmo, perfume, luar, ó minha rainha única
Menos horrendo o universo, mais leves os instantes.
(Tradução "em progresso", aceitam-se sugestões)
sexta-feira, dezembro 09, 2011
A letra é linda, a música também: "Le papillon et la fleur"
"Le papillon et la fleur", música de Gabriel Fauré, poema de Victor Hugo
La pauvre fleur disait au papillon céleste:
Ne fuis pas!...
Vois comme nos destins sont différents, je reste.
Tu t'en vas!
Pourtant nous nous aimons, nous vivons sans les hommes,
Et loin d'eux!
Et nous nous ressemblons et l'on dit que nous sommes
Fleurs tous deux!
Mais hélas, l'air t'emporte, et la terre m'enchaine.
Sort cruel!
Je voudrais embaumer ton vol de mon haleine.
Dans le ciel!
Mais non, tu vas trop loin, parmi des fleurs sans nombre.
Vous fuyez!
Et moi je reste seule à voir tourner mon ombre.
A mes pieds!
Tu fuis, puis tu reviens, puis tu t'en vas encore
Luire ailleurs!
Aussi me trouves-tu toujours à chaque aurore
Tout en pleurs!
Ah! pour que notre amour coule des jours fidèles.
Ô mon roi!
Prends comme moi racine ou donne-moi des ailes
Comme à toi!
Victor Hugo, in "Les Chants du Crépuscule"Victor Hugo, in "Les Chants du Crépuscule"
sábado, dezembro 03, 2011
Le voisinage de la mer
"Le voisinage de la mer détruit la petitesse"
Stendhal, Mémoires d'un touriste
Stendhal, Mémoires d'un touriste
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sexta-feira, novembro 18, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
Crepúsculo dos Deuses
Um sorriso de espanto brotou nas ilhas do Egeu
E Homero fez florir o roxo sobre o mar
O Kouros avançou um passo exactamente
A palidez de Athena cintilou no dia
O Kouros avançou um passo exactamente
A palidez de Athena cintilou no dia
Então a claridade dos deuses venceu os monstros nos frontões de todos os templos
E para o fundo do seu império recuaram os Persas
E para o fundo do seu império recuaram os Persas
Celebrámos a vitória: a treva
Foi exposta e sacrificada em grandes pátios brancos
O grito rouco do coro purificou a cidade
Foi exposta e sacrificada em grandes pátios brancos
O grito rouco do coro purificou a cidade
Como golfinhos a alegria rápida
Rodeava os navios
O nosso corpo estava nu porque encontrara
A sua medida exacta
Inventámos: as colunas de Sunion imanentes à luz
O mundo era mais nosso cada dia
Rodeava os navios
O nosso corpo estava nu porque encontrara
A sua medida exacta
Inventámos: as colunas de Sunion imanentes à luz
O mundo era mais nosso cada dia
Mas eis que se apagaram
Os antigos deuses sol interior das coisas
Eis que se abriu o vazio que nos separa das coisas
Somos alucinados pela ausência bebidos pela ausência
E aos mensageiros de Juliano a Sibila respondeu:
«Ide dizer ao rei que o belo palácio jaz por terra quebrado
Phebo já não tem cabana nem loureiro profético nem fonte melodiosa
A água que fala calou-se»*
Sophia de Mello Breyner Andresen
* Resposta do Oráculo de Delphos a Oríbase, médico de Juliano,
Os antigos deuses sol interior das coisas
Eis que se abriu o vazio que nos separa das coisas
Somos alucinados pela ausência bebidos pela ausência
E aos mensageiros de Juliano a Sibila respondeu:
«Ide dizer ao rei que o belo palácio jaz por terra quebrado
Phebo já não tem cabana nem loureiro profético nem fonte melodiosa
A água que fala calou-se»*
Sophia de Mello Breyner Andresen
* Resposta do Oráculo de Delphos a Oríbase, médico de Juliano,
sábado, novembro 12, 2011
As cores, as flores, os pássaros e os frutos
Se Deus existe e se foi ele que criou o mundo, devia ter muita imaginação nessa época.
Poderia haver menos variedade de pássaros, com menos variedade de flores, com menos variedade de frutos e de sabores dos frutos...
Até foram criadas flores com asas, flores voadoras como as borboletas e os beija-flor que nunca vi.
Mas as cores não são muitas.
Quando comemos uma goiaba, vemos que sabem a metal e a pedra. E a fruta. As ostras sabem a metal, a pedra e a mar.
Mas nunca vemos uma cor que nunca tivéssemos visto antes...
Poderia haver menos variedade de pássaros, com menos variedade de flores, com menos variedade de frutos e de sabores dos frutos...
Até foram criadas flores com asas, flores voadoras como as borboletas e os beija-flor que nunca vi.
Mas as cores não são muitas.
Quando comemos uma goiaba, vemos que sabem a metal e a pedra. E a fruta. As ostras sabem a metal, a pedra e a mar.
Mas nunca vemos uma cor que nunca tivéssemos visto antes...
sábado, outubro 29, 2011
VIOLONCELO
VIOLONCELO
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Óbvia imitação do poema "Chanson d' automne" de Verlaine. Tanto no tema do instrumento musical, como na musicalidade simbolista, na constituição dos versos e no estilo.
Ver o poema de Verlaine no original e em tradução aqui, neste blogue
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Óbvia imitação do poema "Chanson d' automne" de Verlaine. Tanto no tema do instrumento musical, como na musicalidade simbolista, na constituição dos versos e no estilo.
Ver o poema de Verlaine no original e em tradução aqui, neste blogue
domingo, outubro 23, 2011
É assim que me sinto, às vezes: una furtiva lagrima
O GRANDE CARUSO
Una furtiva lagrima
negli occhi suoi spuntò:
Quelle festose giovani
invidiar sembrò.
Che più cercando io vo?
Che più cercando io vo?
M'ama! Sì, m'ama, lo vedo. Lo vedo.
Un solo instante i palpiti
del suo bel cor sentir!
I miei sospir, confondere
per poco a' suoi sospir!
I palpiti, i palpiti sentir,
confondere i miei coi suoi sospir...
Cielo! Si può morir!
Di più non chiedo, non chiedo.
Ah, cielo! Si può! Si, può morir!
Di più non chiedo, non chiedo.
Si può morire! Si può morir d'amor.
"Una furtiva lagrima", ópera L'Elisir d'Amore, autor: Donizetti
sábado, outubro 22, 2011
sexta-feira, outubro 14, 2011
Sonata № 4 para Violino e Cravo - Bach
J.S. Bach Sonata № 4 for Violin and Harpsichord in C Minor Mov. 1/4
sábado, outubro 08, 2011
Chant D'automne - Baudelaire
Bientôt nous plongerons dans les froides ténèbres ;
Adieu, vive clarté de nos étés trop courts !
J'entends déjà tomber avec des chocs funèbres
Le bois retentissant sur le pavé des cours.
Tout l'hiver va rentrer dans mon être : colère,
Haine, frissons, horreur, labeur dur et forcé,
Et, comme le soleil dans son enfer polaire,
Mon coeur ne sera plus qu'un bloc rouge et glacé.
J'écoute en frémissant chaque bûche qui tombe ;
L'échafaud qu'on bâtit n'a pas d'écho plus sourd.
Mon esprit est pareil à la tour qui succombe
Sous les coups du bélier infatigable et lourd.
Il me semble, bercé par ce choc monotone,
Qu'on cloue en grande hâte un cercueil quelque part.
Pour qui ? - C'était hier l'été ; voici l'automne !
Ce bruit mystérieux sonne comme un départ.
II
J'aime de vos longs yeux la lumière verdâtre,
Douce beauté, mais tout aujourd'hui m'est amer,
Et rien, ni votre amour, ni le boudoir, ni l'âtre,
Ne me vaut le soleil rayonnant sur la mer.
Et pourtant aimez-moi, tendre coeur ! soyez mère,
Même pour un ingrat, même pour un méchant ;
Amante ou soeur, soyez la douceur éphémère
D'un glorieux automne ou d'un soleil couchant.
Courte tâche ! La tombe attend ; elle est avide !
Ah ! laissez-moi, mon front posé sur vos genoux,
Goûter, en regrettant l'été blanc et torride,
De l'arrière-saison le rayon jaune et doux !
Um dos meus poemas favoritos, de um dos meus poetas favoritos.
Tradução
Canto do Outono
I
Em breve iremos mergulhar nas trevas frias;
Adeus, radiosa luz das estações ligeiras!
Ouço tombar no pátio em vibrações sombrias
A lenha que ressoa à espera das lareiras.
Adeus, radiosa luz das estações ligeiras!
Ouço tombar no pátio em vibrações sombrias
A lenha que ressoa à espera das lareiras.
Em meu ser outra vez se hospedará o inverno:
Ódio, arrepio, horror, labor duro e pesado,
E, como o sol a arder em seu glacial inferno,
Meu coração é um bloco rubro e enregelado.
Ódio, arrepio, horror, labor duro e pesado,
E, como o sol a arder em seu glacial inferno,
Meu coração é um bloco rubro e enregelado.
Tremo ao ouvir tombar cada feixe de lenha;
Não faz eco mais surdo a forca que se alteia.
Minha alma se compara à torre que despenha
Aos pés do aríete incansável que a golpeia.
Não faz eco mais surdo a forca que se alteia.
Minha alma se compara à torre que despenha
Aos pés do aríete incansável que a golpeia.
Parece-me, ao sabor de sons em abandono,
Que alhures um caixão se prega a toda pressa.
Para que? - Ontem era o verão; eis o outono!
Rumor estranho de quem parte e não regressa...
Que alhures um caixão se prega a toda pressa.
Para que? - Ontem era o verão; eis o outono!
Rumor estranho de quem parte e não regressa...
II
Amo em teu longo olhar a luz esverdeada,
Doce amiga, mas hoje amarga-me um pesa,
E nem o teu amor, o lar, a alcova, nada
Vale mais do que o sol raiando sobre o mar.
Doce amiga, mas hoje amarga-me um pesa,
E nem o teu amor, o lar, a alcova, nada
Vale mais do que o sol raiando sobre o mar.
Mas ama-me assim mesmo e cheia de ternura,
Sê mãe para o perverso, o ingrato em todo caso;
Sê, amante ou irmã, a efêmera doçura
De um outono glorioso ou a de um sol no ocaso.
Sê mãe para o perverso, o ingrato em todo caso;
Sê, amante ou irmã, a efêmera doçura
De um outono glorioso ou a de um sol no ocaso.
Breve é a missão! A tumba espera, ávida,à frente!
Ah, deixa-me, a cabeça em teus joelhos pousada,
Degustar, recordando o estio claro e ardente,
Deste fim de estação a suave luz dourada!
Ah, deixa-me, a cabeça em teus joelhos pousada,
Degustar, recordando o estio claro e ardente,
Deste fim de estação a suave luz dourada!
quinta-feira, outubro 06, 2011
Ao longe os barcos de flores
Ao longe os barcos de flores
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora
Na orgia, ao longe, que em clarões scintilla
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na esuridão tranquilla.
E a orchestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detem. Só modulada trila
A flauta flebil... Quem há-de remil-a?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
Camilo Pessanha (1867-1926)
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora
Na orgia, ao longe, que em clarões scintilla
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na esuridão tranquilla.
E a orchestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detem. Só modulada trila
A flauta flebil... Quem há-de remil-a?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
Camilo Pessanha (1867-1926)
Este poema é para a Maria, por ser um dos seus favoritos.
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