sexta-feira, junho 10, 2011

"Na Floresta" de Kalil Gibran

Na floresta não existe nem rebanho nem pastor
Quando o inverno caminha
Segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta e lhes indica o caminho
Com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.



Na floresta não existe ignorante ou sábio.
Quando os ramos se agitam a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório
como a serração dos campos que se vai quando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o melhor saber
E o lamento da flauta sobrevive ao contilar das estrelas.


Na floresta só existe lembrança dos amorosos.
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram
os seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Dá-me a flauta e canta
E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho
E não para o sangue.


Na floresta não há crítico nem censor
Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro
a águia não diz: que estranho.
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho.
Ah, dá-me a flauta e canta
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.


Na floresta não existem homens livres ou escravos.
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro não diz:
“Ele é desprezível e eu sou um grande Senhor.”
Dá-me a flauta e canta
que o canto é glória autentica
E o lamento da flauta sobrevive
Ao nobre e ao vil.


Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem:“Ele é temível.”
A vontade humana é apenas
uma sombra que vagueia no espaço do pensamento
e o direito dos homens fenece
como folhas de outono.
Dá-me a flauta e canta
O canto é a força do espírito
E o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.


Na floresta não há morte nem apuros.
A alegria não morre quando se vai a primavera.
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração,
pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o segredo da vida eterna
E o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.

Kalil Gibran

quinta-feira, junho 09, 2011

Amigos menos do que virtuais do blogue

Olá amigo(s) de Mountain View, California.
Já que não quer manifestar-se, parabéns para o seu aniversário, quando for o seu aniversário. Se acertei ou andei perto, é só intuição. Se não acertei, fica para o próximo.


Já agora:


Rekoa Meton


Vi que você apagou o seu blogue e tive pena. Calculo que ainda ande por aqui... diga qualquer coisa, por exemplo assim:
- Qualquer coisa!

sábado, junho 04, 2011

Rio



Filme Rio: primeiros dois minutos. Lindíssimo!

terça-feira, maio 31, 2011

Prazeres

O nosso corpo e o nosso espírito são a fonte de inúmeros prazeres.
É para os sentir que vale a pena viver!

domingo, maio 29, 2011

Texto de Sophia - o meu favorito

Sophia inventou este texto para explicar à empregada o caminho desde a sua casa de férias, em Lagos, até ao mercado. Tenho uma amiga que foi amiga da poetisa e que acha decepcionante ver lugares tão banais, que percorreram juntas várias vezes, descritos desta maneira... por não ter visto nada disto quando por lá passou :)




Caminho da manhã



"Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco de cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível." 

Sophia de Mello Breyner in Livro Sexto

segunda-feira, maio 23, 2011

Para a minha irmã mais velha





Que ama os jacarandás. Volto lá, para tirar mais fotos.

sábado, maio 21, 2011

Chanson d’Automne

Chanson d’Automne

LES sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon cœur
D’une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure;

Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Paul Verlaine 






A musicalidade deste poema torna-o impossível de traduzir. Vou apresentar uma versão e o link para um blogue onde há mais duas.


CANÇÃO DO OUTONO

Os longos sons
dos violões,
pelo outono,
me enchem de dor
e de um langor
de abandono.

E choro, quando
ouço, ofegando,
bater a hora,
lembrando os dias,
e as alegrias
e ais de outrora.

E vou-me ao vento
que, num tormento,
me transporta
de cá pra lá,
como faz à
folha morta.

Verlaine
Tradução: Onestaldo de Pennafort



Há outras traduções in Blogue O Jardim Alheio




Este é um poema simbolista, em que a musicalidade e o símbolo foram intencionalmente procurados.

sábado, maio 14, 2011

Azahar *

Estendida na terra debaixo das laranjeiras em flor, sentindo o delicioso aroma do azahar, aliado aos miríficos odores da alfazema, do jasmim e do basilisco, estou aqui longe de tudo. Do mundo distante, sem parentes, sem amigos que me vejam e com quem possa falar às vezes. E é por isso que escrevo e também é por isso que planto e que semeio este jardim. Um jardim - pomar que inventei, nesta terra tropical, de laranjeiras e ervas aromáticas. As árvores e as ervas cresceram mais depressa e estão bem maiores e são muitas mais do que os meus textos, poemas, contos, biografias, histórias... cartas. 

Enterrei por debaixo da laranjeira grande os poemas que escrevi pensando no prazer de comer laranjas. De as beber, escorrendo o sumo pelos meus braços, pela minha pele, misturado com o sol desta terra. Entrando na minha boca, tão suave e tão doce, espalhando-se pelo meu corpo com o afago do mel e do sol. 

Para adubar as próximas laranjas, que trarão já em si o sabor da poesia.
Enterrei-os, escondi-os, porque não é permitido escrever sobre o prazer.

Todos os escritos sérios deveriam falar sobre o sofrimento, sobre as coisas sérias, filosóficas, ou sobre o amor infeliz ou sobre o desejo de fugir.
Mas eu nunca soube escrever sobre a dor. Ainda que tivesse a boca cheia de terra, nunca confessaria que os deuses me conseguem fazer sofrer. Nem a terra. Nem os homens.

Havia um rei, lá muito longe, nessa distante Europa onde nasci, que entretinha uma orquestra privativa e que tinha um grande lago, no enorme palácio. E músicos grandiosos, viajados, cultos e infelizes, que escreviam só para ele.

Enquanto à noite, nas belas noites quentes da lua cheia, o rei vogava no seu lago, conduzido pelos barqueiros dum belo e luxuoso barco, que porém mal se via na escuridão, a orquestra tocava, na terra parada e imóvel, as músicas que só para ele tinham criado os músicos infelizes. Os compositores, que haviam vagueado pelas florestas ignotas, traziam só para ele o fruto dos vários cantos da terra, imitando os pássaros, imitando os primitivos cantores, imitando o vento quando passa nos rochedos das montanhas ou do mar, imitando o rugido tremendo ou pacífico dos oceanos. Filtrado pelas filosofias, pelas mística e pelas dores, filosofias, místicas e dores que haviam sofrido com igual paciência, para sacrificarem as suas vidas à arte.










E enquanto o rei vogava no seu navio nas suas águas, a orquestra, na terra imóvel, plangia o sofrimento e a beleza que os artistas tinham colhido, algures, pela terra imensa.

Eu, aqui neste deserto, escrevo. Eu sou o meu barco, o meu mar e a minha terra. E a minha música e o meu rei. E componho para mim, sem testemunhas. Sem desculpas.

Posso navegar por todos os mares, rios e lagos que percorrem a terra. E procurar o prazer de todos as presenças. E dizê-lo.

Os meus poemas e as minhas flores, as minhas laranjas que bebi nas noites quentes de luar, são a pérola que envolve de suavidade a dor da minha alma peregrina. Não há sofrimento para contar. Nunca houve. 

Só a beleza às vezes dói. Por fazer pensar que não é tudo dem
asiado belo.

(E mais ninguém, a não ser eu e as minhas laranjeiras e as minhas flores de azahar e de basilisco poderá comer os frutos doces e as sementes dos meus poemas. De mim que fui dotada, por meu azar, do dom da escrita, que nunca me dá sossego e me afasta de todos. De tudo. Só me aproxima do universo, lá longe... e da luz.)


* Flor de laranjeira, em espanhol de origem árabe 


Autora deste texto: Graciete Nobre 

domingo, maio 08, 2011

Para todos os que amam os grandes oceanos e o hipnótico balançar dos seus navios-berços.



Para todos os que amam os grandes oceanos e o hipnótico balançar dos seus navios-berços.


LES BERCEAUX Música de Gabriel Fauré, poema de Sully Pudhomme


Poema "les Berceaux"
Le long du quai, les grands vaisseaux
Que la houle incline en silence
Ne prennent pas garde aux berceaux
Que la main des femmes balance.

Mais viendra le jour des adieux,
Car il faut que les femmes pleurent,
Et que les hommes curieux
Tentent les horizons qui leurrent.

Et ce jour-là, les grands vaisseaux
Fuyant le port qui diminue,
Sentent leur masse retenue
Par l'âme des lointains berceaux
Par l'âme des lointains berceaux.

sexta-feira, maio 06, 2011

Imagens especulares. Sempre boas!

Tenho uma amiga que teve um cancro considerado muito grave, quando era muito jovem e muito bela.
Asseverou-me logo que já tinha decidido não morrer daquilo. 
Embora seja bastante mais nova do que eu, aprendi com ela muitas coisas boas (as únicas que vale a pena aprender) e espero que ela também tenha aprendido comigo algo que lhe tenha agradado. (Ensinar algo de desagradável é fácil, inútil e desnecessário, tal como profetizar um futuro negro, pois há sempre um momento em que tudo isso nos parece verdade. Basta estarmos deprimidos.)

A minha amiga quis ser fotografada em todos os momentos da doença, por lhe parecer que se tratava de fases e portanto, passageiras. Quis ser fotografada sem cabelo. 
Falando comigo, nessa altura, à frente de várias pessoas que a  conheciam, tirou o lenço. Só depois de ter perguntado se eu me sentia preparada para a ver sem cabelo. Todos olharam para o lado oposto, até que eu exclamei, a rir e muito alto:
- Estás giríssima. Pareces um monge budista!
Emendei logo: "Uma monja budista, quero eu dizer". De facto, associamos a feminilidade a coisas como o cabelo, mas eu penso que não deveríamos usar cabelo, como os antigos egípcios não usavam, por lhes parecer inestético e pouco higiénico. O cabelo é uma coisa desnecessária e que se suja muito, digo eu.

Fixei isto: quis ser fotografada sem cabelo e muito menos bela do que era antes e do que é agora. Contrariando a civilização da imagem, em que todos devemos ser agora convencionalmente apresentáveis, ou seja, convencionalmente giros, agora, no mínimo e ainda de acordo com os padrões de beleza ou de civilidade.

Obrigada, Marina. Apeteceu-me contar isto a todo o mundo e aqui vai. Urbi et Orbi.

terça-feira, abril 26, 2011

Malva Rosa

Posted by PicasaMalva-rosa e Malmequer

domingo, abril 24, 2011

Santa Páscoa!

 

Páscoa no Douro 

sexta-feira, abril 22, 2011

Poupa







Posted by PicasaConsegui apanhar esta poupa, satisfeita e empoleirada nuns fios de alta-tensão.




Tempo da Fror

Posted by PicasaPROTÉIA
Na Idade Média dizia-se fror ou frol: Tempo da Fror ou Tempo da Frol

quinta-feira, abril 21, 2011

segunda-feira, abril 18, 2011

Natália Correia





Tive o grande prazer e a honra de ter sido amiga desta mulher, que admirei desde muito jovem.
Natália Correia.
Escrevi uma tese de Mestrado sobre ela, que talvez não valha a pena publicar, intitulada: A Poesia de Natália Correia e o espírito da Heterodoxia. Nela analiso vários aspectos da sua obra e em particular um, pouco conhecido e difícil de entender, uma visão heterodoxa da mística, num capítulo a que ela mesma atribuiu o título de "A Heterodoxia do Sagrado". Esta é a parte mais original do que escrevi.


Natália morreu antes de eu ter redigido a obra. Se algum dia publicar esse meu texto, será por ela e não por mim, pois não sinto o desejo de o fazer. Tem 200 páginas A4.

sábado, abril 09, 2011

Muitos dormem


A seda azul dos dias / A seda azul das noites

A noite vai descendo lentamente, muito lentamente
Sobre esta parte da terra antes do mar,
No centro do Ocidente do mundo (conhecido)

A dádiva do repouso acaricia finalmente
As nossas cabeças inclinadas, entregues à febre do tempo

Muitos nunca vão esquecer este dia que agora acaba em sombras, 
Quase todos o olvidarão para sempre

A luz desaparece lentamente, muito lentamente...
Ouvem-se as vozes, diálogos familiares, falas tranquilas do dia que assim se extingue na cidade

Ouvem-se os sons da água que corre, invisíveis cascatas, ou fontes dos jardins                escondidos e dos quintais ocultos
Ouve-se o som surdo das rodas dos automóveis, cada vez mais espaçado, mais lento, na cidade que repousa

Muitos dormem

Graciete Nobre

quarta-feira, abril 06, 2011

"Par delicatesse j'ai perdu ma vie"


Arthur Rimbaud in Illuminations

domingo, abril 03, 2011

Lisboa luminosa e mineral

« Dis-moi, mon âme, pauvre âme refroidie, que penserais-tu d'habiter Lisbonne ? Il doit y faire chaud, et tu t'y ragaillardirais comme un lézard. Cette ville est au bord de l'eau; on dit qu'elle est bâtie en marbre, et que le peuple y a une telle haine du végétal, qu'il arrache tous les arbres. Voilà un paysage selon ton goût; un paysage fait avec la lumière et le minéral, et le liquide pour les réfléchir ! 
Mon âme ne répond pas.»

in O Spleen de Paris - pequenos poemas em prosa, de Charles Baudelaire

Possível tradução

"Dize-me tu, minha alma, pobre alma friorenta, que pensarias tu de viver em Lisboa? Deve lá fazer calor, e podias regalar-te como um lagarto. A cidade ergue-se à beira d'água; dizem que é construída de mármore, e que o povo tem tanto ódio ao vegetal que arranca todas as árvores. Eis uma paisagem a teu gosto; uma paisagem feita de luz e de mineral, com o líquido para os reflectir!"

A minha alma não responde.

quarta-feira, março 30, 2011

Sintra vista por Eça de Queirós

"O maestro embasbacou. No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quasi fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejando, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente; e emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo de céu azul claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta escura, coroada pelo castelo da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro..."

Eça de Queirós, Os Maias

sábado, março 26, 2011

MAR MAR MAR



Cesária Évora "Mar Azul"

sábado, março 19, 2011

Espectáculo: Nascimento da lua. Lugar: Terra. Hora: Em Contínuo





A lua regressa do Oriente, vitoriosa e triunfante, depois das festas que lhe fizeram por lá.
(Para saber como são as festas, ver o meu outro blogue AQUI)

quinta-feira, março 17, 2011

As arcas do tesouro

Comprarei as arcas para guardar os meus tesouros:
As pérolas da chuva, as lágrimas de contemplar a imensa beleza,
O cheiro a maresia nos dias de nevoeiro,
O por-do-sol sobre uma montanha asiática,
Um navio passando entre a terra e a ilha, de noite,
A estátua de Vénus imaginada nesse espaço nocturno, invisível,
A beleza dentro dos livros,
As palavras tão doces, tão selvagens,
As mil flores que florescem nas bordas dos caminhos,
Os bosques distantes sob a chuva,
A doçura dos abraços


Guardarei todas estas maravilhas que vivi dentro destas arcas que colocarei sobre o terraço ao ar livre, por não caberem na escuridão.


Graciete Nobre

(Este é um post antigo que tinha apagado e que republiquei. Os comentários são antigos, excepto o último até agora, que diz: "frágilperene como...nós".)

terça-feira, março 15, 2011

Adeus ao mar!



Junto aqui mais uma tela marinha do mesmo pintor russo, Ivan Aivazovsky, o pintor dos mares e um poema de Pushkin, grande poeta russo, também do Sec. XIX.

A pintura chama-se Adeus ao Mar de Pushkin e o poema é o "Adeus ao mar", de Pushkin, escrito na sua juventude. Não encontro em tradução portuguesa, vai em Espanhol.



Al Mar
¡Adiós, libérrimo elemento!

Contemplo por postrera vez

tus olas célicas al viento,

tu hermosura y altivez.

Cual queja triste de un amigo,

como su voz de despedida,

tu imperativo, mustio ruido

por vez postrera se avecina.

¡Límite ansiado de mi alma!

Por tus orillas en tinieblas

tan a menudo yo vagaba,

atormentado por mi idea.

¿Y no amé tu eco acaso,

todo el fragor de tus abismos,

y el silencio al ocaso,

y el arrebato advenedizo?

La barca fiel del pescador

que guardas tú, mar, por antojo,

roza el oleaje con valor,

mas desenfrenas tu enojo

y se hunde en banda la mejor.

sábado, março 12, 2011

Em benefício dos mares





Nunca é tarde para descobrir coisas novas e agora com a net, encontra-se tudo.
É como a diferença ou ausência de diferença existente entre oposições de palavras como descobrimento / encontro. Ou descoberta / invenção. Pois toda a descoberta é uma invenção. E toda a descoberta é também um encontro. Às vezes mesmo um encontrão. É por isso que muitas pessoas se recusam a descobrir seja o que for.


Pinturas sobre o mar do pintor russo Ivan Aivazovsky, artista romântico do Século XIX, considerado lá, alhures, numa parte do mundo considerada esquisita e que passou por convulsões esquisitas, em tudo e também na arte, como o pintor dos mares.


Os mares têm cor política? Podem ser pintados com as bandeiras dos reinos ou das repúblicas, mas todas as construções humanas caem. Todas as realizações humanas estão condenadas à destruição. Só sobra o que existe de divino no ser humano. A criação. A arte. O amor. A compaixão.

VER MAIS AQUI

sexta-feira, março 11, 2011

Oração atribuída a São Francisco de Assis

Descobri, através duma amiga virtual indiana e de religião hindu, que esta oração atribuída a São Francisco de Assis é partilhada por muitas religiões do mundo, ao ponto de se ter perdido a noção da sua autoria...


Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

quarta-feira, março 09, 2011

TRANSFORMAR A TRISTEZA EM INDIGNAÇÃO

segunda-feira, março 07, 2011

Como se colocam os navios na água

Este vídeo mostra como se colocam os navios na água

terça-feira, março 01, 2011

Mirabai: poetisa e santa indiana da Idade Média








«Ajoelho-me perante ti
Bihari A tua coroa é
de penas de pavão e o tilak
brilha na tua fronte
Ondulam os pendentes de oiro
nas tuas orelhas e os negros
anéis dos teus cabelos
Quando tocas flauta
deixas desassossegado
o coração das mulheres
de Braj Ao contemplar-te
Mira desfalece»
in A Phala, Jul-Out 2009


I Am Mad(FOR LORD KRISHNA)

I am mad with love
And no one understands my plight.
Only the wounded
Understand the agonies of the wounded,
When the fire rages in the heart.
Only the jeweller knows the value of the jewel,
Not the one who lets it go.
In pain I wander from door to door,
But could not find a doctor.
Says Mira: Harken, my Master,
Mira's pain will subside
When Shyam comes as the doctor.

- Mirabai

sábado, fevereiro 19, 2011

Fitzcarraldo



Encontrei no Youtube este excerto do filme Fitzcarraldo de Werner Hertzog, cuja acção decorre na Amazónia, no tempo de Caruso.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Glória ao Egipto








Glória ao Egipto Giuseppe Verdi

É uma revolução bonita: um rapaz que se imolou pelo fogo iluminou o mundo com a sua luz.
(1º Vídeo: Gloria all' Egitto - Coro y Marcha Triunfal).

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Poesia de Pablo Neruda

terça-feira, janeiro 25, 2011

Previsões astrológicas para 2011

Previsões astrológicas para 2011

Encontrei este sítio, que faz uma explicação longa, completa e minuciosa da posição dos planetas ao longo do ano. Nunca vi nada assim. E as previsões não parecem ser más...

segunda-feira, janeiro 24, 2011

La Wally


Esta é uma das minhas árias preferidas de uma das minhas óperas preferidas.
La Wally de Alfredo Catalani
Ária Ebben? Ne andrò lontana
Inspirei-me nela para escrever o texto "A Estalagem", uma tragédia.
Letra da ária
  Ebben? Ne andrò lontana,
  Come va l'eco della pia campana,
  Là, fra la neve bianca;
  Là, fra le nubi d'ôr;
  Laddóve la speranza, la speranz
  È rimpianto, è rimpianto, è dolor!


  O della madre mia casa gioconda,
  La Wally ne andrà da te, da te
  Lontana assai, e forse a te,
  E forse a te, non farà mai più ritorno,
  Nè più la rivedrai!
  Mai più, mai più!
Ne andrò sola e lontana,
Come l'eco è della pia campana,
Là, fra la neve bianca;
Ne andrò, ne andrò sola e lontana!
E fra le nubi d'ôr!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Blogue

Existem às vezes situações nos blogues que não entendo. Será que alguém me pode explicar por que razão andam agora muitas pessoas de várias regiões a ler o post

A Masseira Sombria ?

Que escrevi em 1 de agosto de 2010?
Em Lisboa, em Viseu, nos Estados Unidos... será que enviaram emails uns aos outros?

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Santa Clara de Assis e São Francisco de Assis



Como este blogue trata às vezes de santos, aqui fica um excerto do filme sobre Santa Clara de Assis e São Francisco de Assis, do filme de Franco Zefirelli


Brother Sun Sister Moon

Traduzido seria "Irmão sol, irmã lua", mas a versão portuguesa intitula-se São Francisco de Assis.
Alguém conhece um filme sobre a vida de um santo, intitulado O Sal da Terra? Talvez italiano, europeu...

sábado, janeiro 15, 2011

Mar


Mar

quarta-feira, janeiro 12, 2011

sexta-feira, janeiro 07, 2011

"Caem co’a calma as aves" Sá de Miranda


Aqui temos também aves  a caírem, neste soneto do Sec. XVI, não por causa do frio, mas por causa do calor, numa estação que costuma ser fria.
Será que as mudanças climáticas só aconteceram agora e por nossa culpa? Leiamos!


O sol é grande, caem co’a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d’alto cai acordar-m’-ia
do sono não, mas de cuidados graves.

Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu’em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d’amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
Também mudando-m’eu fiz doutras cores:
E tudo o mais renova, isto é sem cura!


Sá de Miranda


É um dos mais belos poemas do autor e, sem dúvida, o mais estranho. No Sec. XVI, o tema da mudança parecia tão moderno como nos parece hoje. Tudo muda, até mesmo o clima. Mas, em vez do nosso sentimento de culpa, exprime-se talvez uma sensação de impotência...
Mas, as aves cantando de amores, apesar de caírem, talvez nos passem despercebidas. Talvez porque o tempo delas não parece ser o nosso.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Às vezes, ao ver o pôr-do-sol da minha janela, imagino que estou no alto-mar a ver o sol a pôr-se sobre terra.
Imagino que estou noutra janela, enquanto, no alto-mar, me sonho noutra terra, vendo os navios por entre as cortinas.

sábado, janeiro 01, 2011

FELIZ ANO NOVO!!!


O ano nasceu assim, em Lisboa.
A segunda fotografia retrata os últimos minutos de 2010, Ano Velho e a primeira, os primeiros segundos de 2011, Ano Novo. Vida Nova.
Felicidades.

terça-feira, dezembro 28, 2010

O lobo e o cordeiro... amizade improvável





Esta é uma mensagem de amizade. 
Mas a amizade e o amor não são diferentes.
Seres diferentes de diferentes espécies podem amar-se amigavelmente
Podem ser amigos amoravelmente
Como este veado e este gato... conseguindo ajustar os corpos que não foram feitos para se ajustarem...
Como nós. Amigos virtuais e desconhecidos.


Esta é uma mensagem de Natal, de Ano Novo e de Todos Os Dias
Para vocês.

( A imagem era nítida, mas apagou-se com o tempo)

sexta-feira, dezembro 24, 2010

terça-feira, dezembro 21, 2010

Bom Inverno!

Começa hoje o Inverno, mas todos os tempos são belos. E bons.
É bom ficar à lareira a olhar o fogo, a mexer no lume... a sonhar, a beber algo quente...
É bom estar numa cama quentinha... muito quentinha, a ouvir a chuva torrencial a cair no telhado...
As madrugadas geladas e chuvosas fazem-nos apreciar melhor o mês de Maio, desejar o tempo das cerejas, o futuro.
Bom Inverno!
E para os brasileiros: Feliz Verão.

domingo, dezembro 19, 2010

Dez Mil Guitarras

Acabo de comprar um livro que deve ser giríssimo, Dez Mil Guitarras um romance histórico de Cathérine Clément, uma das melhores do género, sobre... adivinhem o quê....
Alcácer Quibir.  Depois conto.
A despropósito: ouvi dizer muito bem sobre o fime Laços Brancos que passou há pouco no cinema e reparei que está a dar no TV  Cine. Vi um bocado. Tem um tipo de violência psicológica que faz lembrar Fassbinder e imagens lindas de morrer. Longe daquela ingenuidade americana, bang, bang, bang...

Segunda impressão: o livro é um pouco chato, tal como um que li anteriormente da mesma autora... pensei que fosse apenas aquele... pretende dar tanta informação que acaba por ser uma reportagem ficcional e não um verdadeiro romance.


Enfim, hoje, Janeiro de 2012, já o esqueci completamente.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Vidas e Viagens



Uma ópera sobre "as vidas e as mortes" da escritora e aventureira francesa Isabelle Eberhardt (1877-1904)
Jornalista e viajante, morreu no decurso de uma inundação em Marrocos, no decorrer de uma das suas viagens.

Song From the Uproar: The Lives and Deaths of Isabelle Eberhardt

quarta-feira, dezembro 15, 2010

 princípes, meus irmãos
Arre, estou farto de semideuses! "


Fernando Pessoa / Álvaro de Campos

sábado, dezembro 11, 2010

Sensações Oblíquas de Leitura

Não sei se já vos aconteceu, mas provavelmente...
Às vezes receamos assumir as sensações que nos parecem inusitadas... e, apesar de ter lido muito sobre estética literária, nunca vi esta sensação referida.

Recordo-me de estar num hotel de Sintra, estirada na estreita cama, a reler um livro de Júlio Dinis, em que tudo se passa no campo, a imaginar um muro à beira dos campos cultivados, num caminho cheio de pó e ao mesmo tempo vendo e sentindo Sintra, a sua paisagem em volta do quarto e do hotel, ao mesmo tempo que sentia o cheiro da cozinha, entrando pela janela aberta ao sol da tarde.
Ainda ontem, enquanto lia um livro de Marguerite Yourcenar, Un Homme Obscur, na parte em que a acção decorre no mar, imaginava ao mesmo tempo estas sensações / recordações de estar em terra a ler sobre a terra, em Sintra.

Ou estar num navio a ler as descrições do deserto do livro "Vers Ispaham" de Pierre Loti.
Recordo a sensação de ver o mar sem terra à vista, observando distraidamente uma rola solitária e peregrina pousando num estai, ao mesmo tempo que imaginava, lendo, uma pequena cidade no meio do deserto onde o autor viu os condenados em celas subterrâneas, quase via as mulas a treparem pelos despenhadeiros do Irão, no insuportável calor e na insuportável poeira das paisagens desérticas... a água e o mar que me rodeavam e que são o contrário do deserto.

Estes momentos de leitura foram alguns dos inúmeros e muito intensos momentos de prazer da minha vida.