sexta-feira, dezembro 09, 2011
A letra é linda, a música também: "Le papillon et la fleur"
"Le papillon et la fleur", música de Gabriel Fauré, poema de Victor Hugo
La pauvre fleur disait au papillon céleste:
Ne fuis pas!...
Vois comme nos destins sont différents, je reste.
Tu t'en vas!
Pourtant nous nous aimons, nous vivons sans les hommes,
Et loin d'eux!
Et nous nous ressemblons et l'on dit que nous sommes
Fleurs tous deux!
Mais hélas, l'air t'emporte, et la terre m'enchaine.
Sort cruel!
Je voudrais embaumer ton vol de mon haleine.
Dans le ciel!
Mais non, tu vas trop loin, parmi des fleurs sans nombre.
Vous fuyez!
Et moi je reste seule à voir tourner mon ombre.
A mes pieds!
Tu fuis, puis tu reviens, puis tu t'en vas encore
Luire ailleurs!
Aussi me trouves-tu toujours à chaque aurore
Tout en pleurs!
Ah! pour que notre amour coule des jours fidèles.
Ô mon roi!
Prends comme moi racine ou donne-moi des ailes
Comme à toi!
Victor Hugo, in "Les Chants du Crépuscule"Victor Hugo, in "Les Chants du Crépuscule"
sábado, dezembro 03, 2011
Le voisinage de la mer
"Le voisinage de la mer détruit la petitesse"
Stendhal, Mémoires d'un touriste
Stendhal, Mémoires d'un touriste
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Literatura,
Literatura de Viagens,
Livros sobre o Mar
sexta-feira, novembro 18, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
Crepúsculo dos Deuses
Um sorriso de espanto brotou nas ilhas do Egeu
E Homero fez florir o roxo sobre o mar
O Kouros avançou um passo exactamente
A palidez de Athena cintilou no dia
O Kouros avançou um passo exactamente
A palidez de Athena cintilou no dia
Então a claridade dos deuses venceu os monstros nos frontões de todos os templos
E para o fundo do seu império recuaram os Persas
E para o fundo do seu império recuaram os Persas
Celebrámos a vitória: a treva
Foi exposta e sacrificada em grandes pátios brancos
O grito rouco do coro purificou a cidade
Foi exposta e sacrificada em grandes pátios brancos
O grito rouco do coro purificou a cidade
Como golfinhos a alegria rápida
Rodeava os navios
O nosso corpo estava nu porque encontrara
A sua medida exacta
Inventámos: as colunas de Sunion imanentes à luz
O mundo era mais nosso cada dia
Rodeava os navios
O nosso corpo estava nu porque encontrara
A sua medida exacta
Inventámos: as colunas de Sunion imanentes à luz
O mundo era mais nosso cada dia
Mas eis que se apagaram
Os antigos deuses sol interior das coisas
Eis que se abriu o vazio que nos separa das coisas
Somos alucinados pela ausência bebidos pela ausência
E aos mensageiros de Juliano a Sibila respondeu:
«Ide dizer ao rei que o belo palácio jaz por terra quebrado
Phebo já não tem cabana nem loureiro profético nem fonte melodiosa
A água que fala calou-se»*
Sophia de Mello Breyner Andresen
* Resposta do Oráculo de Delphos a Oríbase, médico de Juliano,
Os antigos deuses sol interior das coisas
Eis que se abriu o vazio que nos separa das coisas
Somos alucinados pela ausência bebidos pela ausência
E aos mensageiros de Juliano a Sibila respondeu:
«Ide dizer ao rei que o belo palácio jaz por terra quebrado
Phebo já não tem cabana nem loureiro profético nem fonte melodiosa
A água que fala calou-se»*
Sophia de Mello Breyner Andresen
* Resposta do Oráculo de Delphos a Oríbase, médico de Juliano,
sábado, novembro 12, 2011
As cores, as flores, os pássaros e os frutos
Se Deus existe e se foi ele que criou o mundo, devia ter muita imaginação nessa época.
Poderia haver menos variedade de pássaros, com menos variedade de flores, com menos variedade de frutos e de sabores dos frutos...
Até foram criadas flores com asas, flores voadoras como as borboletas e os beija-flor que nunca vi.
Mas as cores não são muitas.
Quando comemos uma goiaba, vemos que sabem a metal e a pedra. E a fruta. As ostras sabem a metal, a pedra e a mar.
Mas nunca vemos uma cor que nunca tivéssemos visto antes...
Poderia haver menos variedade de pássaros, com menos variedade de flores, com menos variedade de frutos e de sabores dos frutos...
Até foram criadas flores com asas, flores voadoras como as borboletas e os beija-flor que nunca vi.
Mas as cores não são muitas.
Quando comemos uma goiaba, vemos que sabem a metal e a pedra. E a fruta. As ostras sabem a metal, a pedra e a mar.
Mas nunca vemos uma cor que nunca tivéssemos visto antes...
sábado, outubro 29, 2011
VIOLONCELO
VIOLONCELO
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Óbvia imitação do poema "Chanson d' automne" de Verlaine. Tanto no tema do instrumento musical, como na musicalidade simbolista, na constituição dos versos e no estilo.
Ver o poema de Verlaine no original e em tradução aqui, neste blogue
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Óbvia imitação do poema "Chanson d' automne" de Verlaine. Tanto no tema do instrumento musical, como na musicalidade simbolista, na constituição dos versos e no estilo.
Ver o poema de Verlaine no original e em tradução aqui, neste blogue
domingo, outubro 23, 2011
É assim que me sinto, às vezes: una furtiva lagrima
O GRANDE CARUSO
Una furtiva lagrima
negli occhi suoi spuntò:
Quelle festose giovani
invidiar sembrò.
Che più cercando io vo?
Che più cercando io vo?
M'ama! Sì, m'ama, lo vedo. Lo vedo.
Un solo instante i palpiti
del suo bel cor sentir!
I miei sospir, confondere
per poco a' suoi sospir!
I palpiti, i palpiti sentir,
confondere i miei coi suoi sospir...
Cielo! Si può morir!
Di più non chiedo, non chiedo.
Ah, cielo! Si può! Si, può morir!
Di più non chiedo, non chiedo.
Si può morire! Si può morir d'amor.
"Una furtiva lagrima", ópera L'Elisir d'Amore, autor: Donizetti
sábado, outubro 22, 2011
sexta-feira, outubro 14, 2011
Sonata № 4 para Violino e Cravo - Bach
J.S. Bach Sonata № 4 for Violin and Harpsichord in C Minor Mov. 1/4
sábado, outubro 08, 2011
Chant D'automne - Baudelaire
Bientôt nous plongerons dans les froides ténèbres ;
Adieu, vive clarté de nos étés trop courts !
J'entends déjà tomber avec des chocs funèbres
Le bois retentissant sur le pavé des cours.
Tout l'hiver va rentrer dans mon être : colère,
Haine, frissons, horreur, labeur dur et forcé,
Et, comme le soleil dans son enfer polaire,
Mon coeur ne sera plus qu'un bloc rouge et glacé.
J'écoute en frémissant chaque bûche qui tombe ;
L'échafaud qu'on bâtit n'a pas d'écho plus sourd.
Mon esprit est pareil à la tour qui succombe
Sous les coups du bélier infatigable et lourd.
Il me semble, bercé par ce choc monotone,
Qu'on cloue en grande hâte un cercueil quelque part.
Pour qui ? - C'était hier l'été ; voici l'automne !
Ce bruit mystérieux sonne comme un départ.
II
J'aime de vos longs yeux la lumière verdâtre,
Douce beauté, mais tout aujourd'hui m'est amer,
Et rien, ni votre amour, ni le boudoir, ni l'âtre,
Ne me vaut le soleil rayonnant sur la mer.
Et pourtant aimez-moi, tendre coeur ! soyez mère,
Même pour un ingrat, même pour un méchant ;
Amante ou soeur, soyez la douceur éphémère
D'un glorieux automne ou d'un soleil couchant.
Courte tâche ! La tombe attend ; elle est avide !
Ah ! laissez-moi, mon front posé sur vos genoux,
Goûter, en regrettant l'été blanc et torride,
De l'arrière-saison le rayon jaune et doux !
Um dos meus poemas favoritos, de um dos meus poetas favoritos.
Tradução
Canto do Outono
I
Em breve iremos mergulhar nas trevas frias;
Adeus, radiosa luz das estações ligeiras!
Ouço tombar no pátio em vibrações sombrias
A lenha que ressoa à espera das lareiras.
Adeus, radiosa luz das estações ligeiras!
Ouço tombar no pátio em vibrações sombrias
A lenha que ressoa à espera das lareiras.
Em meu ser outra vez se hospedará o inverno:
Ódio, arrepio, horror, labor duro e pesado,
E, como o sol a arder em seu glacial inferno,
Meu coração é um bloco rubro e enregelado.
Ódio, arrepio, horror, labor duro e pesado,
E, como o sol a arder em seu glacial inferno,
Meu coração é um bloco rubro e enregelado.
Tremo ao ouvir tombar cada feixe de lenha;
Não faz eco mais surdo a forca que se alteia.
Minha alma se compara à torre que despenha
Aos pés do aríete incansável que a golpeia.
Não faz eco mais surdo a forca que se alteia.
Minha alma se compara à torre que despenha
Aos pés do aríete incansável que a golpeia.
Parece-me, ao sabor de sons em abandono,
Que alhures um caixão se prega a toda pressa.
Para que? - Ontem era o verão; eis o outono!
Rumor estranho de quem parte e não regressa...
Que alhures um caixão se prega a toda pressa.
Para que? - Ontem era o verão; eis o outono!
Rumor estranho de quem parte e não regressa...
II
Amo em teu longo olhar a luz esverdeada,
Doce amiga, mas hoje amarga-me um pesa,
E nem o teu amor, o lar, a alcova, nada
Vale mais do que o sol raiando sobre o mar.
Doce amiga, mas hoje amarga-me um pesa,
E nem o teu amor, o lar, a alcova, nada
Vale mais do que o sol raiando sobre o mar.
Mas ama-me assim mesmo e cheia de ternura,
Sê mãe para o perverso, o ingrato em todo caso;
Sê, amante ou irmã, a efêmera doçura
De um outono glorioso ou a de um sol no ocaso.
Sê mãe para o perverso, o ingrato em todo caso;
Sê, amante ou irmã, a efêmera doçura
De um outono glorioso ou a de um sol no ocaso.
Breve é a missão! A tumba espera, ávida,à frente!
Ah, deixa-me, a cabeça em teus joelhos pousada,
Degustar, recordando o estio claro e ardente,
Deste fim de estação a suave luz dourada!
Ah, deixa-me, a cabeça em teus joelhos pousada,
Degustar, recordando o estio claro e ardente,
Deste fim de estação a suave luz dourada!
quinta-feira, outubro 06, 2011
Ao longe os barcos de flores
Ao longe os barcos de flores
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora
Na orgia, ao longe, que em clarões scintilla
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na esuridão tranquilla.
E a orchestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detem. Só modulada trila
A flauta flebil... Quem há-de remil-a?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
Camilo Pessanha (1867-1926)
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora
Na orgia, ao longe, que em clarões scintilla
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na esuridão tranquilla.
E a orchestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detem. Só modulada trila
A flauta flebil... Quem há-de remil-a?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
Camilo Pessanha (1867-1926)
Este poema é para a Maria, por ser um dos seus favoritos.
quarta-feira, outubro 05, 2011
segunda-feira, outubro 03, 2011
sábado, outubro 01, 2011
quarta-feira, setembro 14, 2011
Caminante, no hay camino,
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
António Machado, Espanha, 1875-1939
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
António Machado, Espanha, 1875-1939
domingo, setembro 11, 2011
Quem sabe responder a isto?
Recebi este comentário neste blogue, pedindo informações sobre navios:
"OI Nadinha!quero parabenizar pelo lindo trbalho que faz, Por nos mostrar coisas maravilhosas.Guando ví o navio Sierra Morena chorei de saudades,porque foi nele que vieram meus pais de Portugalp/o BRASIL EM 1924.SEI QUE GOSTA DE PESGUISAR SOBRE O MAR.PODERIA ME AJUDARA ONDE POSSO ENCOTRAR A LISTA DE PASSGEIROS QUE VIERAM NESSE NAVIO.E O NAVIO MOSSELA QUE T/VEIO DE PT,P/O BRASIL EM 1927+-?ADORÁRIA VÊR UMA FOTO." Obrigada, parabéns, Bernadete
Respondi agradecendo. O Luís Miguel Correia deve saber, tem blogues sobre o mar. Tenho um link para o Ships and he Sea no meu outro blogue. Talvez mais alguém queira comentar...
O postal do navio está aqui.
Bem às vezes apetece-me apagar os blogues, mas quando leio comentários como este...
Bernardete, é melhor deixar-me um contacto, neste email.
"OI Nadinha!quero parabenizar pelo lindo trbalho que faz, Por nos mostrar coisas maravilhosas.Guando ví o navio Sierra Morena chorei de saudades,porque foi nele que vieram meus pais de Portugalp/o BRASIL EM 1924.SEI QUE GOSTA DE PESGUISAR SOBRE O MAR.PODERIA ME AJUDARA ONDE POSSO ENCOTRAR A LISTA DE PASSGEIROS QUE VIERAM NESSE NAVIO.E O NAVIO MOSSELA QUE T/VEIO DE PT,P/O BRASIL EM 1927+-?ADORÁRIA VÊR UMA FOTO." Obrigada, parabéns, Bernadete
Respondi agradecendo. O Luís Miguel Correia deve saber, tem blogues sobre o mar. Tenho um link para o Ships and he Sea no meu outro blogue. Talvez mais alguém queira comentar...
O postal do navio está aqui.
Bem às vezes apetece-me apagar os blogues, mas quando leio comentários como este...
Bernardete, é melhor deixar-me um contacto, neste email.
sábado, setembro 10, 2011
terça-feira, setembro 06, 2011
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