quinta-feira, abril 21, 2011
segunda-feira, abril 18, 2011
Natália Correia
Tive o grande prazer e a honra de ter sido amiga desta mulher, que admirei desde muito jovem.
Natália Correia.
Escrevi uma tese de Mestrado sobre ela, que talvez não valha a pena publicar, intitulada: A Poesia de Natália Correia e o espírito da Heterodoxia. Nela analiso vários aspectos da sua obra e em particular um, pouco conhecido e difícil de entender, uma visão heterodoxa da mística, num capítulo a que ela mesma atribuiu o título de "A Heterodoxia do Sagrado". Esta é a parte mais original do que escrevi.
Natália morreu antes de eu ter redigido a obra. Se algum dia publicar esse meu texto, será por ela e não por mim, pois não sinto o desejo de o fazer. Tem 200 páginas A4.
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sábado, abril 09, 2011
Muitos dormem
A seda azul dos dias / A seda azul das noites
A noite vai descendo lentamente, muito lentamente
Sobre esta parte da terra antes do mar,
No centro do Ocidente do mundo (conhecido)
A dádiva do repouso acaricia finalmente
As nossas cabeças inclinadas, entregues à febre do tempo
Muitos nunca vão esquecer este dia que agora acaba em sombras,
Quase todos o olvidarão para sempre
A luz desaparece lentamente, muito lentamente...
Ouvem-se as vozes, diálogos familiares, falas tranquilas do dia que assim se extingue na cidade
Ouvem-se os sons da água que corre, invisíveis cascatas, ou fontes dos jardins escondidos e dos quintais ocultos
Ouve-se o som surdo das rodas dos automóveis, cada vez mais espaçado, mais lento, na cidade que repousa
Muitos dormem
Graciete Nobre
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domingo, abril 03, 2011
Lisboa luminosa e mineral
« Dis-moi, mon âme, pauvre âme refroidie, que penserais-tu d'habiter Lisbonne ? Il doit y faire chaud, et tu t'y ragaillardirais comme un lézard. Cette ville est au bord de l'eau; on dit qu'elle est bâtie en marbre, et que le peuple y a une telle haine du végétal, qu'il arrache tous les arbres. Voilà un paysage selon ton goût; un paysage fait avec la lumière et le minéral, et le liquide pour les réfléchir !
Mon âme ne répond pas.»
Mon âme ne répond pas.»
in O Spleen de Paris - pequenos poemas em prosa, de Charles Baudelaire
Possível tradução
"Dize-me tu, minha alma, pobre alma friorenta, que pensarias tu de viver em Lisboa? Deve lá fazer calor, e podias regalar-te como um lagarto. A cidade ergue-se à beira d'água; dizem que é construída de mármore, e que o povo tem tanto ódio ao vegetal que arranca todas as árvores. Eis uma paisagem a teu gosto; uma paisagem feita de luz e de mineral, com o líquido para os reflectir!"
A minha alma não responde.
quarta-feira, março 30, 2011
Sintra vista por Eça de Queirós
"O maestro embasbacou. No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quasi fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e de amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejando, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente; e emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo de céu azul claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta escura, coroada pelo castelo da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro..."Eça de Queirós, Os Maias
sábado, março 26, 2011
sábado, março 19, 2011
Espectáculo: Nascimento da lua. Lugar: Terra. Hora: Em Contínuo
A lua regressa do Oriente, vitoriosa e triunfante, depois das festas que lhe fizeram por lá.
(Para saber como são as festas, ver o meu outro blogue AQUI)
quinta-feira, março 17, 2011
As arcas do tesouro
Comprarei as arcas para guardar os meus tesouros:
As pérolas da chuva, as lágrimas de contemplar a imensa beleza,
O cheiro a maresia nos dias de nevoeiro,
O por-do-sol sobre uma montanha asiática,
Um navio passando entre a terra e a ilha, de noite,
A estátua de Vénus imaginada nesse espaço nocturno, invisível,
A beleza dentro dos livros,
As palavras tão doces, tão selvagens,
As mil flores que florescem nas bordas dos caminhos,
Os bosques distantes sob a chuva,
As pérolas da chuva, as lágrimas de contemplar a imensa beleza,
O cheiro a maresia nos dias de nevoeiro,
O por-do-sol sobre uma montanha asiática,
Um navio passando entre a terra e a ilha, de noite,
A estátua de Vénus imaginada nesse espaço nocturno, invisível,
A beleza dentro dos livros,
As palavras tão doces, tão selvagens,
As mil flores que florescem nas bordas dos caminhos,
Os bosques distantes sob a chuva,
A doçura dos abraços
Guardarei todas estas maravilhas que vivi dentro destas arcas que colocarei sobre o terraço ao ar livre, por não caberem na escuridão.
Graciete Nobre
(Este é um post antigo que tinha apagado e que republiquei. Os comentários são antigos, excepto o último até agora, que diz: "frágil e perene como...nós".)
Guardarei todas estas maravilhas que vivi dentro destas arcas que colocarei sobre o terraço ao ar livre, por não caberem na escuridão.
Graciete Nobre
(Este é um post antigo que tinha apagado e que republiquei. Os comentários são antigos, excepto o último até agora, que diz: "frágil e perene como...nós".)
terça-feira, março 15, 2011
Adeus ao mar!
Junto aqui mais uma tela marinha do mesmo pintor russo, Ivan Aivazovsky, o pintor dos mares e um poema de Pushkin, grande poeta russo, também do Sec. XIX.
A pintura chama-se Adeus ao Mar de Pushkin e o poema é o "Adeus ao mar", de Pushkin, escrito na sua juventude. Não encontro em tradução portuguesa, vai em Espanhol.
Al Mar
¡Adiós, libérrimo elemento!
Contemplo por postrera vez
tus olas célicas al viento,
tu hermosura y altivez.
Cual queja triste de un amigo,
como su voz de despedida,
tu imperativo, mustio ruido
por vez postrera se avecina.
¡Límite ansiado de mi alma!
Por tus orillas en tinieblas
tan a menudo yo vagaba,
atormentado por mi idea.
¿Y no amé tu eco acaso,
todo el fragor de tus abismos,
y el silencio al ocaso,
y el arrebato advenedizo?
La barca fiel del pescador
que guardas tú, mar, por antojo,
roza el oleaje con valor,
mas desenfrenas tu enojo
y se hunde en banda la mejor.
sábado, março 12, 2011
Em benefício dos mares
Nunca é tarde para descobrir coisas novas e agora com a net, encontra-se tudo.
É como a diferença ou ausência de diferença existente entre oposições de palavras como descobrimento / encontro. Ou descoberta / invenção. Pois toda a descoberta é uma invenção. E toda a descoberta é também um encontro. Às vezes mesmo um encontrão. É por isso que muitas pessoas se recusam a descobrir seja o que for.
Pinturas sobre o mar do pintor russo Ivan Aivazovsky, artista romântico do Século XIX, considerado lá, alhures, numa parte do mundo considerada esquisita e que passou por convulsões esquisitas, em tudo e também na arte, como o pintor dos mares.
Os mares têm cor política? Podem ser pintados com as bandeiras dos reinos ou das repúblicas, mas todas as construções humanas caem. Todas as realizações humanas estão condenadas à destruição. Só sobra o que existe de divino no ser humano. A criação. A arte. O amor. A compaixão.
VER MAIS AQUI
sexta-feira, março 11, 2011
Oração atribuída a São Francisco de Assis
Descobri, através duma amiga virtual indiana e de religião hindu, que esta oração atribuída a São Francisco de Assis é partilhada por muitas religiões do mundo, ao ponto de se ter perdido a noção da sua autoria...
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
segunda-feira, março 07, 2011
terça-feira, março 01, 2011
Mirabai: poetisa e santa indiana da Idade Média
«Ajoelho-me perante ti
Bihari A tua coroa é
de penas de pavão e o tilak
brilha na tua fronte
Ondulam os pendentes de oiro
nas tuas orelhas e os negros
anéis dos teus cabelos
Quando tocas flauta
deixas desassossegado
o coração das mulheres
de Braj Ao contemplar-te
Mira desfalece»
in A Phala, Jul-Out 2009
I Am Mad(FOR LORD KRISHNA)
I am mad with love
And no one understands my plight.
Only the wounded
Understand the agonies of the wounded,
When the fire rages in the heart.
Only the jeweller knows the value of the jewel,
Not the one who lets it go.
In pain I wander from door to door,
But could not find a doctor.
Says Mira: Harken, my Master,
Mira's pain will subside
When Shyam comes as the doctor.
- Mirabai
sábado, fevereiro 19, 2011
Fitzcarraldo
Encontrei no Youtube este excerto do filme Fitzcarraldo de Werner Hertzog, cuja acção decorre na Amazónia, no tempo de Caruso.
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Glória ao Egipto
Glória ao Egipto Giuseppe Verdi
É uma revolução bonita: um rapaz que se imolou pelo fogo iluminou o mundo com a sua luz.
(1º Vídeo: Gloria all' Egitto - Coro y Marcha Triunfal).
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segunda-feira, fevereiro 07, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
Previsões astrológicas para 2011
Previsões astrológicas para 2011
Encontrei este sítio, que faz uma explicação longa, completa e minuciosa da posição dos planetas ao longo do ano. Nunca vi nada assim. E as previsões não parecem ser más...
Encontrei este sítio, que faz uma explicação longa, completa e minuciosa da posição dos planetas ao longo do ano. Nunca vi nada assim. E as previsões não parecem ser más...
segunda-feira, janeiro 24, 2011
La Wally
Esta é uma das minhas árias preferidas de uma das minhas óperas preferidas.
La Wally de Alfredo Catalani
Ária Ebben? Ne andrò lontana
Inspirei-me nela para escrever o texto "A Estalagem", uma tragédia.
Letra da ária
Ebben? Ne andrò lontana,
Come va l'eco della pia campana,
Là, fra la neve bianca;
Là, fra le nubi d'ôr;
Laddóve la speranza, la speranz
È rimpianto, è rimpianto, è dolor!
O della madre mia casa gioconda,
La Wally ne andrà da te, da te
Lontana assai, e forse a te,
E forse a te, non farà mai più ritorno,
Nè più la rivedrai!
Mai più, mai più!
Ne andrò sola e lontana,
Come l'eco è della pia campana,
Là, fra la neve bianca;
Ne andrò, ne andrò sola e lontana!
E fra le nubi d'ôr!
Come l'eco è della pia campana,
Là, fra la neve bianca;
Ne andrò, ne andrò sola e lontana!
E fra le nubi d'ôr!
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Blogue
Existem às vezes situações nos blogues que não entendo. Será que alguém me pode explicar por que razão andam agora muitas pessoas de várias regiões a ler o post
A Masseira Sombria ?
Que escrevi em 1 de agosto de 2010?
Em Lisboa, em Viseu, nos Estados Unidos... será que enviaram emails uns aos outros?
A Masseira Sombria ?
Que escrevi em 1 de agosto de 2010?
Em Lisboa, em Viseu, nos Estados Unidos... será que enviaram emails uns aos outros?
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Santa Clara de Assis e São Francisco de Assis
Como este blogue trata às vezes de santos, aqui fica um excerto do filme sobre Santa Clara de Assis e São Francisco de Assis, do filme de Franco Zefirelli
Brother Sun Sister Moon
Traduzido seria "Irmão sol, irmã lua", mas a versão portuguesa intitula-se São Francisco de Assis.
Alguém conhece um filme sobre a vida de um santo, intitulado O Sal da Terra? Talvez italiano, europeu...
sábado, janeiro 15, 2011
quarta-feira, janeiro 12, 2011
O Desencobrimento da Terra
A Revista TRIPLOV Acaba de sair e publica um curto texto dramático de minha autoria, intitulado
"O Desencobrimento da Terra". É sobre Portugal, visto como pátria ou mátria a abandonar.
Excerto - Clicar por cima do texto
"O Desencobrimento da Terra". É sobre Portugal, visto como pátria ou mátria a abandonar.
Excerto - Clicar por cima do texto
sexta-feira, janeiro 07, 2011
"Caem co’a calma as aves" Sá de Miranda
Aqui temos também aves a caírem, neste soneto do Sec. XVI, não por causa do frio, mas por causa do calor, numa estação que costuma ser fria.
Será que as mudanças climáticas só aconteceram agora e por nossa culpa? Leiamos!
O sol é grande, caem co’a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d’alto cai acordar-m’-ia
do sono não, mas de cuidados graves.
Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu’em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.
Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d’amores.
Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
Também mudando-m’eu fiz doutras cores:
E tudo o mais renova, isto é sem cura!
Sá de Miranda
É um dos mais belos poemas do autor e, sem dúvida, o mais estranho. No Sec. XVI, o tema da mudança parecia tão moderno como nos parece hoje. Tudo muda, até mesmo o clima. Mas, em vez do nosso sentimento de culpa, exprime-se talvez uma sensação de impotência...
Mas, as aves cantando de amores, apesar de caírem, talvez nos passem despercebidas. Talvez porque o tempo delas não parece ser o nosso.
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quarta-feira, janeiro 05, 2011
sábado, janeiro 01, 2011
FELIZ ANO NOVO!!!
O ano nasceu assim, em Lisboa.
A segunda fotografia retrata os últimos minutos de 2010, Ano Velho e a primeira, os primeiros segundos de 2011, Ano Novo. Vida Nova.
Felicidades.
terça-feira, dezembro 28, 2010
O lobo e o cordeiro... amizade improvável
Esta é uma mensagem de amizade.
Mas a amizade e o amor não são diferentes.
Seres diferentes de diferentes espécies podem amar-se amigavelmente
Podem ser amigos amoravelmente
Como este veado e este gato... conseguindo ajustar os corpos que não foram feitos para se ajustarem...
Como nós. Amigos virtuais e desconhecidos.
Esta é uma mensagem de Natal, de Ano Novo e de Todos Os Dias
Para vocês.
( A imagem era nítida, mas apagou-se com o tempo)
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O lobo e o cordeiro
sexta-feira, dezembro 24, 2010
terça-feira, dezembro 21, 2010
Bom Inverno!
Começa hoje o Inverno, mas todos os tempos são belos. E bons.
É bom ficar à lareira a olhar o fogo, a mexer no lume... a sonhar, a beber algo quente...
É bom estar numa cama quentinha... muito quentinha, a ouvir a chuva torrencial a cair no telhado...
As madrugadas geladas e chuvosas fazem-nos apreciar melhor o mês de Maio, desejar o tempo das cerejas, o futuro.
Bom Inverno!
E para os brasileiros: Feliz Verão.
É bom ficar à lareira a olhar o fogo, a mexer no lume... a sonhar, a beber algo quente...
É bom estar numa cama quentinha... muito quentinha, a ouvir a chuva torrencial a cair no telhado...
As madrugadas geladas e chuvosas fazem-nos apreciar melhor o mês de Maio, desejar o tempo das cerejas, o futuro.
Bom Inverno!
E para os brasileiros: Feliz Verão.
domingo, dezembro 19, 2010
Dez Mil Guitarras
Acabo de comprar um livro que deve ser giríssimo, Dez Mil Guitarras um romance histórico de Cathérine Clément, uma das melhores do género, sobre... adivinhem o quê....
Alcácer Quibir. Depois conto.
A despropósito: ouvi dizer muito bem sobre o fime Laços Brancos que passou há pouco no cinema e reparei que está a dar no TV Cine. Vi um bocado. Tem um tipo de violência psicológica que faz lembrar Fassbinder e imagens lindas de morrer. Longe daquela ingenuidade americana, bang, bang, bang...
Segunda impressão: o livro é um pouco chato, tal como um que li anteriormente da mesma autora... pensei que fosse apenas aquele... pretende dar tanta informação que acaba por ser uma reportagem ficcional e não um verdadeiro romance.
Enfim, hoje, Janeiro de 2012, já o esqueci completamente.
Enfim, hoje, Janeiro de 2012, já o esqueci completamente.
sexta-feira, dezembro 17, 2010
Vidas e Viagens
Uma ópera sobre "as vidas e as mortes" da escritora e aventureira francesa Isabelle Eberhardt (1877-1904)
Jornalista e viajante, morreu no decurso de uma inundação em Marrocos, no decorrer de uma das suas viagens.
Song From the Uproar: The Lives and Deaths of Isabelle Eberhardt
quarta-feira, dezembro 15, 2010
sábado, dezembro 11, 2010
Sensações Oblíquas de Leitura
Não sei se já vos aconteceu, mas provavelmente...
Às vezes receamos assumir as sensações que nos parecem inusitadas... e, apesar de ter lido muito sobre estética literária, nunca vi esta sensação referida.
Recordo-me de estar num hotel de Sintra, estirada na estreita cama, a reler um livro de Júlio Dinis, em que tudo se passa no campo, a imaginar um muro à beira dos campos cultivados, num caminho cheio de pó e ao mesmo tempo vendo e sentindo Sintra, a sua paisagem em volta do quarto e do hotel, ao mesmo tempo que sentia o cheiro da cozinha, entrando pela janela aberta ao sol da tarde.
Ainda ontem, enquanto lia um livro de Marguerite Yourcenar, Un Homme Obscur, na parte em que a acção decorre no mar, imaginava ao mesmo tempo estas sensações / recordações de estar em terra a ler sobre a terra, em Sintra.
Ainda ontem, enquanto lia um livro de Marguerite Yourcenar, Un Homme Obscur, na parte em que a acção decorre no mar, imaginava ao mesmo tempo estas sensações / recordações de estar em terra a ler sobre a terra, em Sintra.
Ou estar num navio a ler as descrições do deserto do livro "Vers Ispaham" de Pierre Loti.
Recordo a sensação de ver o mar sem terra à vista, observando distraidamente uma rola solitária e peregrina pousando num estai, ao mesmo tempo que imaginava, lendo, uma pequena cidade no meio do deserto onde o autor viu os condenados em celas subterrâneas, quase via as mulas a treparem pelos despenhadeiros do Irão, no insuportável calor e na insuportável poeira das paisagens desérticas... a água e o mar que me rodeavam e que são o contrário do deserto.
Estes momentos de leitura foram alguns dos inúmeros e muito intensos momentos de prazer da minha vida.
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quarta-feira, dezembro 08, 2010
SUSAN PHILIPSZ
Esta performer ganhou o prémio de arte Turner com uma instalaçãoo que inclui uma canção medieval. Pode ver-se e ouvir-se também no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian.
Retirado do site da revista L+Arte do Facebook
quarta-feira, dezembro 01, 2010
Oração Budista
Dedicatória:
"Possam os seres, em toda a parte, que padecem
Tormento nas suas mentes e corpos
Possuir, por virtude do meu mérito,
Alegria e felicidade em grau ilimitado.
Que eles não estejam doentes
nem se comportem malignamente.
Possam eles não ter medo, nem sofrer insultos.
Possam as suas mentes ser sempre livres de mágoa.
Possam os cegos receber a sua vista,
Possam os surdos começar a ouvir
E as mulheres à beira do momento dar à luz
Como Mayadevi, livres de toda a dor.
Possam todos os nus ser agora vestidos
E todos os famintos comer até se fartarem.
Possam todos aqueles ressequidos de sede receber
Águas puras e deliciosa bebida.
Possam os pobres e indigentes encontrar riqueza
E alegria os conturbados e ansiosos.
Possam aqueles agora desesperados terem a mente sã,
De verdadeira constância dotados.
Possa todo o ser afligido de doença
Ser imediatamente livre de todo o mal.
Possa toda a enfermidade que atormenta os vivos
Ser totalmente e para sempre ausente do mundo.
quinta-feira, novembro 25, 2010
O Alarme
A minha comédia O Alarme e uma outra peça de minha autoria foram agora publicadas na revista online
TRIPLOV nºs 5 e 7
Se quiserem ler o Alarme, espero que se riam... é sobre a actual sociedade portuguesa... e mais não digo.
Procurar por ordem alfabética, no G.
VER AQUI REVISTA TRIPLOV
Mas afinal parece que
Vale a pena ler outros artigos desta revista.
TRIPLOV nºs 5 e 7
Se quiserem ler o Alarme, espero que se riam... é sobre a actual sociedade portuguesa... e mais não digo.
Procurar por ordem alfabética, no G.
VER AQUI REVISTA TRIPLOV
Mas afinal parece que
Vale a pena ler outros artigos desta revista.
sexta-feira, novembro 19, 2010
Hortelã Mourisca
Para recordar esta letra tão campestre, tão ecológica e mesmo tão biológica. Quem se lembraria hoje de meter o nariz, ou melhor, o rosto, logo de madrugada, no orvalho da Hortelã Mourisca e da Macela? Sem pesticidas, claro. A propósito, algum de vocês conhece essas plantas?
Letra da própria Amália Rodrigues.
(Este post tem as cores do Verão, verde e dourado)
Vem o sol de agosto, vou dormir no prado,
Tudo lá é de gosto, sem ferro de arado.
A cama está feita de hortelã mourica
E a macela espreita com graça e belisca!
Tudo lá é de gosto, sem ferro de arado.
A cama está feita de hortelã mourica
E a macela espreita com graça e belisca!
Hortelã mourisca por entre a macela,
Vem lavar teu rosto no orvalho dela!
Hortelã mourisca pela madrugada,
Beijarei teus olhos, rosa perfumada!
Vem lavar teu rosto no orvalho dela!
Hortelã mourisca pela madrugada,
Beijarei teus olhos, rosa perfumada!
Sob um mar de estrelas de flor de macela,
Não tenho fronteiras, não tenho janelas!
Tenho a minha amada, cotovia arisca,
Toda perfumada de hortelã mourisca!
Não tenho fronteiras, não tenho janelas!
Tenho a minha amada, cotovia arisca,
Toda perfumada de hortelã mourisca!
domingo, novembro 14, 2010
Aung San Suu Kyi
«Não guardo qualquer rancor àqueles que me detiveram. Acredito nos direitos humanos e na primazia do direito», esclareceu Aung San Suu Kyi, vestida com um vestido tradicional azul marinho e com o cabelo apanhado com flores brancas e rosa.
Como será possível alguém pensar e falar assim? Só pode ser a espiritualidade oriental... temos tanto a aprender com eles...
sábado, novembro 06, 2010
Exposição das Relíquias do Buda e de Outros Grandes Mestres Budistas
Local: Lisboa - Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa, Rua de Dona Estefânia, 175
Entre 6 e 14 de Novembro de 2010, aberto ao público das 10.00 às 19.00 horas.
Com palestras, sessões de meditação e bênçãos.
ENTRADA LIVRE
(Algumas relíquias são pequenos cristais que aparecem entre as cinzas da cremação. Não aparecem normalmente, só estas pessoas as têm. Algumas destas pedras, na sua maioria parecidas com pérolas, mas baças, segundo dizem, apareceram espontaneamente junto das outras.)
A exposição faz parte do Projecto Maytreia. Houve vários Budas, aquele a quem chamamos Buda pode ser considerado o Buda Histórico e foi o quarto, está previsto existir um dia o Buda do Futuro, Buda Maytreia.
Este projecto pretende desenvolver em todos os aspectos uma região muito pouco desenvolvida e muito pobre a norte da Índia, a terra onde morreu o Buda Histórico. Vão construir uma estátua gigante de Maytreia, igual à da imagem e colocarão dentro as relíquias que, segundo dizem, têm o poder de curar doenças, entre vários outros.
Com palestras, sessões de meditação e bênçãos.
ENTRADA LIVRE
(Algumas relíquias são pequenos cristais que aparecem entre as cinzas da cremação. Não aparecem normalmente, só estas pessoas as têm. Algumas destas pedras, na sua maioria parecidas com pérolas, mas baças, segundo dizem, apareceram espontaneamente junto das outras.)
A exposição faz parte do Projecto Maytreia. Houve vários Budas, aquele a quem chamamos Buda pode ser considerado o Buda Histórico e foi o quarto, está previsto existir um dia o Buda do Futuro, Buda Maytreia.
Este projecto pretende desenvolver em todos os aspectos uma região muito pouco desenvolvida e muito pobre a norte da Índia, a terra onde morreu o Buda Histórico. Vão construir uma estátua gigante de Maytreia, igual à da imagem e colocarão dentro as relíquias que, segundo dizem, têm o poder de curar doenças, entre vários outros.
quinta-feira, novembro 04, 2010
Carta aberta a um amigo virtual
Caro Medina (do Brasil):
A verdadeira fraternidade é esta: a fraternidade do espírito.
Está para nascer o homem novo, mas talvez o homem novo sejamos nós mesmos. Está para nascer, ou a nascer, talvez até dentro de nós mesmos, o homem novo. A mulher nova. Uomini.
Mas esse novo humano não dará mais valor ao cérebro do que ao coração. E o medo não será a sua principal motivação para fazer ou não fazer. Como é agora.
E o medo não será a sua principal motivação para viver ou não viver, como é agora.
E sim a alegria. E a alegria será a sua principal motivação para fazer ou não fazer.
Incluindo a alegria do encontro.
Caro amigo: isso que você vê nascer dentro de si, talvez de inconfessado, é mesmo você.
É você mesmo, fruto dos tempos a ser. Acolha sem desconfiança o que aparecer dentro de si de novo e de bom.
Nunca apreciei a intimidade nem valorizei a proximidade, não são os próximos no espaço que nos inspiram. E o corpo... bem, o corpo... importante embora, parece ser, sem o ser, o essencial. O corpo é importante como impressão, mas é irrelevante como verdade. O corpo é apenas a verdade da terra. O mar delimita os seus limites. E a terra expande as suas ilusões.
Por mim, sei que fui feita para viver neste tempo em que a amizade e a proximidade mental ou psíquica ignoram a distância.
E para começar agora a ser. E a ter sido. A não ser que a relação entre as pessoas seja irrelevante e que só na solidão possamos encontrar a distância...
Não posso ter sido a única. Espero por vocês. Por si, caro amigo. Podemos encontrar-nos na diferença e na semelhança e na ilusão e no sonho. Ou digamos assim:
Encontrar-nos-emos por aí.
E vai ser bom.
(Texto a ser alterado, claro.)
A verdadeira fraternidade é esta: a fraternidade do espírito.
Está para nascer o homem novo, mas talvez o homem novo sejamos nós mesmos. Está para nascer, ou a nascer, talvez até dentro de nós mesmos, o homem novo. A mulher nova. Uomini.
Mas esse novo humano não dará mais valor ao cérebro do que ao coração. E o medo não será a sua principal motivação para fazer ou não fazer. Como é agora.
E o medo não será a sua principal motivação para viver ou não viver, como é agora.
E sim a alegria. E a alegria será a sua principal motivação para fazer ou não fazer.
Incluindo a alegria do encontro.
Caro amigo: isso que você vê nascer dentro de si, talvez de inconfessado, é mesmo você.
É você mesmo, fruto dos tempos a ser. Acolha sem desconfiança o que aparecer dentro de si de novo e de bom.
Nunca apreciei a intimidade nem valorizei a proximidade, não são os próximos no espaço que nos inspiram. E o corpo... bem, o corpo... importante embora, parece ser, sem o ser, o essencial. O corpo é importante como impressão, mas é irrelevante como verdade. O corpo é apenas a verdade da terra. O mar delimita os seus limites. E a terra expande as suas ilusões.
Por mim, sei que fui feita para viver neste tempo em que a amizade e a proximidade mental ou psíquica ignoram a distância.
E para começar agora a ser. E a ter sido. A não ser que a relação entre as pessoas seja irrelevante e que só na solidão possamos encontrar a distância...
Não posso ter sido a única. Espero por vocês. Por si, caro amigo. Podemos encontrar-nos na diferença e na semelhança e na ilusão e no sonho. Ou digamos assim:
Encontrar-nos-emos por aí.
E vai ser bom.
(Texto a ser alterado, claro.)
domingo, outubro 31, 2010
Constable
Carroça de Feno, Constable, 1928
Embora tenha prometido colocar aqui marinhas e motivos aquáticos, (prometi no outro blogue, não neste), para já fica aqui esta paisagem campestre como um apelo à nostalgia do Outono, ou em sintonia com ela.
segunda-feira, outubro 18, 2010
Almário
Ocorre-me muitas vezes esta palavra: almário.
É apenas uma corruptela de armário, que dizem muito as pessoas do Norte de Portugal.
É um daqueles erros bonitos. Será que os armários são todos almários?
Também ficava melhor (era mais correcto, no fundo) dizer: ele está na idade do almário.
sexta-feira, outubro 15, 2010
Que falta que faz a Natália!
"Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro"
Natália Correia
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro"
Natália Correia
quinta-feira, outubro 14, 2010
"Graças a Deus sou ateu"
"Vivemos numa sociedade laicizada, a maior parte são cristãos não praticantes, outros nem fé têm, mas a maioria são homens e mulheres rectos que procuram fazer o melhor que podem. Eu acho que Deus age nessa gente sem eles saberem", disse o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, ontem na celebração da missa dos 50 anos do movimento dos Cursilhos de Cristandade em Portugal.
No mínimo, é uma visão simpática da sociedade. Só deve ser chato para aqueles que não acreditam nem querem acreditar...
E para os que dizem: "Graças a Deus sou ateu", frase que caracteriza os que acreditam mas fingem que não acreditam... pior ainda para os que não acreditam, mas fingem acreditam...
E já agora, ainda há os que acreditam e fingem que acreditam, e os que não acreditam e fingem que não acreditam...
sábado, outubro 09, 2010
Nossa Senhora do Cabo
Conto-a como ma contaram a mim.
Um saloio e uma velhota tiveram um sonho em que lhes apareceu Nossa Senhora.
E então encontraram-se. E combinaram ir os dois juntos ao Cabo Espichel.
E, quando lá chegaram, encontraram uma imagem abandonada da Nossa Senhora.
E o povo começou a fazer uma romaria à "Nossa Senhora do Cabo".
E todos os anos, a Nossa Senhora do Cabo fica numa das 25 freguesias das redondezas e depois vai em procissão para outra.
E este ano está em Sintra, mas só voltará daqui por 25 anos.
E não me peçam mais pormenores. De cada vez que os pedi, responderam-me: não sei. Só me disseram que isto do saloio e da velhota aconteceu há 300 anos. Mais coisa menos coisa.
Um saloio e uma velhota tiveram um sonho em que lhes apareceu Nossa Senhora.
E então encontraram-se. E combinaram ir os dois juntos ao Cabo Espichel.
E, quando lá chegaram, encontraram uma imagem abandonada da Nossa Senhora.
E o povo começou a fazer uma romaria à "Nossa Senhora do Cabo".
E todos os anos, a Nossa Senhora do Cabo fica numa das 25 freguesias das redondezas e depois vai em procissão para outra.
E este ano está em Sintra, mas só voltará daqui por 25 anos.
E não me peçam mais pormenores. De cada vez que os pedi, responderam-me: não sei. Só me disseram que isto do saloio e da velhota aconteceu há 300 anos. Mais coisa menos coisa.
quinta-feira, outubro 07, 2010
quarta-feira, setembro 29, 2010
A Stranger in Paradise
É assim que eu vejo uma viagem por mar. Ou por outros mares.
Entre o esplendor do espírito e o esplendor da matéria.
domingo, setembro 26, 2010
sábado, setembro 25, 2010
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