terça-feira, agosto 12, 2008
quinta-feira, agosto 07, 2008
Orla Branca
terça-feira, agosto 05, 2008
Ilhas Afortunadas
Talvez a Carla e outros se lembrem logo do poema de Fernando Pessoa, mas as Ilhas Afortunadas eram as Ilhas Canarias, consideradas assim por fazerem imaginar o Paraiso, pela sua beleza e pela bondade do clima.
Existem partes vde realidade e de mito relacionadas com estas ilhas onde estou agora, mas agora nao tenho tempo para aprofundar o assunto. Nem para escrever aqui o poema de Pessoa.
Existem partes vde realidade e de mito relacionadas com estas ilhas onde estou agora, mas agora nao tenho tempo para aprofundar o assunto. Nem para escrever aqui o poema de Pessoa.
domingo, agosto 03, 2008
Esta sou eu a olhar para o mar, outra vez
terça-feira, julho 29, 2008
Dacia Maraini
Nunca falei aqui de uma das minhas escritoras favoritas, a italiana Dacia Maraini, que leio no original. Creio que em português só existe um livro dela: A Longa Vida De Mariana Ucria.
Foi o primeiro romance que li em Italiano, sem nunca ter estudado a língua. A princípio percebi mal e no fundo acabei por ler outra história que não aquela. No fim voltei ao princípio e li a história verdadeira.
É um livro realmente fantástico, sobre uma surda-muda que comunica por escrito numa época em que ainda poucas pessoas sabiam escrever. Às vezes com alguma ironia, a autora mostra as possibilidades e os limites da comunicação por escrito, assim como o facto de a indiferença ou distracção se manifestar muito mais desta forma. Aborda muitas outras questões para além desta. É original no verdadeiro sentido da palavra. Acaba também por ser muito actual, pois hoje comunicamos muito por escrito, em frases curtas, como faziam com ela.
Descubro agora com prazer que essa grande escritora tem um forum no qual responde publicamente aos mails que lhe enviam, também publicamente. Não conheço nenhum outro escritor que faça isso...
Ver Aqui
Foi o primeiro romance que li em Italiano, sem nunca ter estudado a língua. A princípio percebi mal e no fundo acabei por ler outra história que não aquela. No fim voltei ao princípio e li a história verdadeira.
É um livro realmente fantástico, sobre uma surda-muda que comunica por escrito numa época em que ainda poucas pessoas sabiam escrever. Às vezes com alguma ironia, a autora mostra as possibilidades e os limites da comunicação por escrito, assim como o facto de a indiferença ou distracção se manifestar muito mais desta forma. Aborda muitas outras questões para além desta. É original no verdadeiro sentido da palavra. Acaba também por ser muito actual, pois hoje comunicamos muito por escrito, em frases curtas, como faziam com ela.
Descubro agora com prazer que essa grande escritora tem um forum no qual responde publicamente aos mails que lhe enviam, também publicamente. Não conheço nenhum outro escritor que faça isso...
Ver Aqui
segunda-feira, julho 28, 2008
"A Taberna da Índia"
Ainda a respeito do mesmo assunto, os descobrimentos, li também um livro, esse sim, fantástico inspirado no assunto e chamado "A Taberna da Índia". O autor, António Sarabia, é um escritor espanhol e fala sobretudo de Espanha. Até pelo título se vê ser um livro com estilo: a índia é uma mulher trazida das Américas contra a vontade, índia americana.
Uma das personagens é Cristovão Colombo, regressado das Índias Ocidentais, passeando-se por uma Barcelona que já o ignora.
Uma das personagens é Cristovão Colombo, regressado das Índias Ocidentais, passeando-se por uma Barcelona que já o ignora.
sábado, julho 26, 2008
Ainda a propósito do romance histórico
Tenho reflectido sobre isto, como se vê no post anterior e em outros.
Creio que evoluí e já entendi alguma coisa. Oiçam.
Há uns anos atrás, falando para pessoas muito jovens, contei a lenda de Pedro e Inês. Tenho jeito para contar histórias e estavam todos enleados no meu discurso.
- E então, segundo dizem, D. Pedro arrancou o coração dos matadores de Inês. A um, arrancou-lhe o coração pela frente, pelo peito, a outro arrancou-lho pelas costas.
Seguiu-se um silêncio. Estava tudo a imaginar isto, enquanto as minhas palavras ressoavam misteriosamente nos ouvidos atentos. De repente uma jovem põe o braço no ar, com o ar mais inocente deste mundo.
- Desculpe, posso fazer uma pergunta?
- Sim.
- Mas antes de arrancar os corações dessa maneira, D. Pedro deu-lhes anestesia geral?
Após as gargalhadas que se seguiram a esta pergunta e por causa delas, creio que demorei muito tempo a compreendê-la.
Compreendo-a agora bem, ao ler romances históricos e ao perguntar a razão por que certos temas e sobretudo certas personagens históricas não servem. É por isto, claro.
Vasco da Gama aprisionou centenas de inofensivos pescadores indianos nas costas da Índia. Devolveu depois a terra os respectivos barcos carregados com o seguinte: as cabeças, as mãos e os pés.
É caso para perguntar: seria o nosso herói um "serial killer", ou ter-lhes-á dado anestesia geral? E distribuido calmantes e anti-depressivos para os familiares e amigos que encontraram estes achados trazidos pelo mar? Os padres da Inquisição, antes de queimarem as pessoas vivas davam-lhes anestesia geral? Então, como entender a sua caridade cristã? Pensavam que era melhor arder aqui na terra do que arder nas penas do Inferno... mas ninguém está preparado para se identificar ou para venerar heróis que, aos olhos modernos, só podem ser comparados aos serial killers e aos filmes "Silêncio dos Inocentes", etc... Espero que vocês entendam o que eu quero dizer, pois frequentemente as pessoas não entendem as minhas ideias.
Os romances históricos nunca mostram estas brutalidades nas personagens que veneram, dado que a nossa mentalidade não entende estas coisas. E os grandes autores, como a Isabel Allende ou a Rosa Mantero fazem questão absoluta de dizer que aquilo que escrevem não é romance histórico. Embora pareça...
Um dos nossos mitos urbanos diz-nos que nunca houve tanta violência como agora. A mim parece-me que nunca houve tão pouca. Nem tão mal aceite, a pouca que há. Refiro-me à realidade propriamente dita.
Creio que evoluí e já entendi alguma coisa. Oiçam.
Há uns anos atrás, falando para pessoas muito jovens, contei a lenda de Pedro e Inês. Tenho jeito para contar histórias e estavam todos enleados no meu discurso.
- E então, segundo dizem, D. Pedro arrancou o coração dos matadores de Inês. A um, arrancou-lhe o coração pela frente, pelo peito, a outro arrancou-lho pelas costas.
Seguiu-se um silêncio. Estava tudo a imaginar isto, enquanto as minhas palavras ressoavam misteriosamente nos ouvidos atentos. De repente uma jovem põe o braço no ar, com o ar mais inocente deste mundo.
- Desculpe, posso fazer uma pergunta?
- Sim.
- Mas antes de arrancar os corações dessa maneira, D. Pedro deu-lhes anestesia geral?
Após as gargalhadas que se seguiram a esta pergunta e por causa delas, creio que demorei muito tempo a compreendê-la.
Compreendo-a agora bem, ao ler romances históricos e ao perguntar a razão por que certos temas e sobretudo certas personagens históricas não servem. É por isto, claro.
Vasco da Gama aprisionou centenas de inofensivos pescadores indianos nas costas da Índia. Devolveu depois a terra os respectivos barcos carregados com o seguinte: as cabeças, as mãos e os pés.
É caso para perguntar: seria o nosso herói um "serial killer", ou ter-lhes-á dado anestesia geral? E distribuido calmantes e anti-depressivos para os familiares e amigos que encontraram estes achados trazidos pelo mar? Os padres da Inquisição, antes de queimarem as pessoas vivas davam-lhes anestesia geral? Então, como entender a sua caridade cristã? Pensavam que era melhor arder aqui na terra do que arder nas penas do Inferno... mas ninguém está preparado para se identificar ou para venerar heróis que, aos olhos modernos, só podem ser comparados aos serial killers e aos filmes "Silêncio dos Inocentes", etc... Espero que vocês entendam o que eu quero dizer, pois frequentemente as pessoas não entendem as minhas ideias.
Os romances históricos nunca mostram estas brutalidades nas personagens que veneram, dado que a nossa mentalidade não entende estas coisas. E os grandes autores, como a Isabel Allende ou a Rosa Mantero fazem questão absoluta de dizer que aquilo que escrevem não é romance histórico. Embora pareça...
Um dos nossos mitos urbanos diz-nos que nunca houve tanta violência como agora. A mim parece-me que nunca houve tão pouca. Nem tão mal aceite, a pouca que há. Refiro-me à realidade propriamente dita.
quinta-feira, julho 24, 2008
Romances sobre os Descobrimentos
Como ando a ler e reler tudo o que diga respeito ao mar e a ver filmes sobre o assunto, etc., encontrei no alfarrabista das Amoreiras o único romance histórico que conheço sobre a época dos Descobrimentos Portugueses. Conheço também um mais recente, de que falei aqui, sobre a viagem de Vasco da Gama, mas esse é quase uma reprodução da relação da mesma viagem, conseguindo ainda ser mais chato. (Ver http://escrevedoirosemaluquices.blogspot.com/search?q=vasco+da+gama)
Este livro explora uma história verídica e de facto estranha, uma das estórias dos Descobrimentos, que devem ter muitas aventuras como esta. Depois da ultrapassagem do Cabo Bojador por Gil Eanes, Nuno Tristão prossegue na exploração da costa até ao Rio Amargo, agora chamado Geba, nas margens do qual é morto pela população autóctone, como vingança por anteriores ataques portugueses. A barca, ou falua, chamada "Dos Irmãos", juntamente com toda a informação referente ao achado, foi então trazida para Portugal por um rapaz de quinze anos chamado Aires. A tripulação era apenas constituida por esse Aires, dois grumetes (muito jovens, portanto), um jovem negro e um marinheiro.
O livro, do escritor alemão Hans Baumann, chama-se "A Falua dos Irmãos". Creio que também poderia ser traduzido por "A Barca dos Irmãos", até porque a tradução é péssima e com vírgulas a mais. Foi publicado em 1960 pela "Empresa Nacional de Publicidade", ligada ao regime Salazarista.
É um livro leve, interessante, não propriamente extraordinário, tem algumas críticas aos portugueses da época e ao Infante D. Henrique, mas é um elogio à exploração do mar e descoberta de novas terras.
É estranho que este e outros filões de estórias da nossa História não estejam ainda a ser explorados... talvez porque os descobridores nos parecem a nós muito sagrados e não sabemos humanizá-los...
Este livro explora uma história verídica e de facto estranha, uma das estórias dos Descobrimentos, que devem ter muitas aventuras como esta. Depois da ultrapassagem do Cabo Bojador por Gil Eanes, Nuno Tristão prossegue na exploração da costa até ao Rio Amargo, agora chamado Geba, nas margens do qual é morto pela população autóctone, como vingança por anteriores ataques portugueses. A barca, ou falua, chamada "Dos Irmãos", juntamente com toda a informação referente ao achado, foi então trazida para Portugal por um rapaz de quinze anos chamado Aires. A tripulação era apenas constituida por esse Aires, dois grumetes (muito jovens, portanto), um jovem negro e um marinheiro.
O livro, do escritor alemão Hans Baumann, chama-se "A Falua dos Irmãos". Creio que também poderia ser traduzido por "A Barca dos Irmãos", até porque a tradução é péssima e com vírgulas a mais. Foi publicado em 1960 pela "Empresa Nacional de Publicidade", ligada ao regime Salazarista.
É um livro leve, interessante, não propriamente extraordinário, tem algumas críticas aos portugueses da época e ao Infante D. Henrique, mas é um elogio à exploração do mar e descoberta de novas terras.
É estranho que este e outros filões de estórias da nossa História não estejam ainda a ser explorados... talvez porque os descobridores nos parecem a nós muito sagrados e não sabemos humanizá-los...
sábado, julho 19, 2008
Venda dos meus livros
Várias pessoas me têm dito que procuram o meu livro nas livrarias, mas não o encontram.Recebi um mail do editor, em resposta a um meu de protesto. Está a haver um problema com a distribuidora, que só ficará resolvido em Janeiro, dado que a editora tem um contrato até lá.Depois de ambos protestarmos, encontrei-o hoje na Byblos, onde vou com muita frequência. Não procurei noutros sítios.
quinta-feira, julho 17, 2008
Sem título
Vive-se no Verão para escrever no Inverno.
Se não se vive nunca, talvez se possa escrever sempre.
Se não se vive nunca, talvez se possa escrever sempre.
quarta-feira, julho 16, 2008
Blogue da Andarilha
A Andarilha, também chamada Eliane ou vice-versa, que escreve muitos comentários neste blogue e quase nunca no meu outro, dado que este é mais vocacionado para a poesia e as artes, enquanto o outro se refere sobretudo à realidade que repudia com veemência, dizia eu que a Eliane tem agora também um blogue, ainda incipiente mas giro, que parece ser sobretudo de poesia. Mas às vezes muda-se a meio do percurso. Ver
Notas sobre os Dias
Notas sobre os Dias
segunda-feira, julho 14, 2008
CEREJAS
Após as flores de cerejeira, tão cantadas pelos poetas, os frutos: uma dádiva.
Não sei de quais gosto mais. A cereja é um dos meus frutos preferidos.
Obrigada....
Obrigada,
Obrigada cerejeira!
Pensei que gostava mais dumas cerejas claras, cor-de rosa, chamadas cerejas brancas, mas estas muito escuras e grandes são fantásticas. Menos bonitas, a meu ver.
Desejo a todos vocês o prazer que estou a sentir a comê-las enquanto escrevo, prazer sazonal. Só comparável ao que senti ao ver as cerejeiras em flor.
O único tempo que existe é o presente.
Ver também http://escrevedoirosemaluquices.blogspot.com/search?q=cerejas
(Ver também as fotos que aqui tenho das cerejeiras em flor. Para isso, clicar nas palavras abaixo, em verde)
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Cerejas,
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Haiku,
Impressões
quinta-feira, julho 10, 2008
"Embriagai-vos", poema de Baudelaire
Obrigada Eliane, pela tradução do poema em prosa de Baudelaire.
Houve uma época em que as traduções brasileiras eram pésimas e risíveis (para não dizer ridículas), mas quando estive no Brasil constatei que agora há óptimas traduções de poesia. E a Eliane também tem demonstrado isso. Não comprei um livro desses por duas razões: gosto de ler a poesia no original e era demasiado grande, ou seja, pesado. Compro sempre tantos livros...
Vou colocar aqui a tradução que a Eliane pôs em comentário no post anterior e depois o original. São ambos magníficos e têm a particularidade de misturar o moral com o imoral - note-se que foi escrito no século XIX.
Notar também que em português pode ser você, vocês ou vós, dado que o francês "vous" pode ser traduzido destas três maneiras.
Embriague-se
É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão. Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser".
Tradução brasileira de Jorge Pontual
Já agora, acrescento o seguinte: este post tem sido procurado por muita gente, por isso dar-lhe-ei, a partir de agora, especial atenção.
Constato que há traduções online de origem portuguesa (quero dizer, de Portugal) em que aparece isto: "é preciso estar-se sempre bêbado". Não me parece que esta tradução seja sequer possível. Bêbado diz-se em francês "soûl". "Ivre" é um termo erudito que poderá traduzir-se por embriagado ou ébrio. Nem Baudelaire utilizaria termos e sentidos pouco poéticos. A poesia actual, muita da qual, a meu ver, não é poesia nem nada semelhante, utiliza de facto expressões vulgares para dizer coisas vulgares. As pessoas que escreveram assim no tempo de Baudelaire não existem hoje como escritores.
ENIVREZ-VOUS
Il faut être toujours ivre, tout est là ; c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve. Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu à votre guise, mais enivrez-vous! Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge; à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est. Et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront, il est l'heure de s'enivrer ; pour ne pas être les esclaves martyrisés du temps, enivrez-vous, enivrez-vous sans cesse de vin, de poésie, de vertu, à votre guise.
Charles Baudelaire (1821- 1867)
Houve uma época em que as traduções brasileiras eram pésimas e risíveis (para não dizer ridículas), mas quando estive no Brasil constatei que agora há óptimas traduções de poesia. E a Eliane também tem demonstrado isso. Não comprei um livro desses por duas razões: gosto de ler a poesia no original e era demasiado grande, ou seja, pesado. Compro sempre tantos livros...
Vou colocar aqui a tradução que a Eliane pôs em comentário no post anterior e depois o original. São ambos magníficos e têm a particularidade de misturar o moral com o imoral - note-se que foi escrito no século XIX.
Notar também que em português pode ser você, vocês ou vós, dado que o francês "vous" pode ser traduzido destas três maneiras.
Embriague-se
É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão. Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser".
Tradução brasileira de Jorge Pontual
Já agora, acrescento o seguinte: este post tem sido procurado por muita gente, por isso dar-lhe-ei, a partir de agora, especial atenção.
Constato que há traduções online de origem portuguesa (quero dizer, de Portugal) em que aparece isto: "é preciso estar-se sempre bêbado". Não me parece que esta tradução seja sequer possível. Bêbado diz-se em francês "soûl". "Ivre" é um termo erudito que poderá traduzir-se por embriagado ou ébrio. Nem Baudelaire utilizaria termos e sentidos pouco poéticos. A poesia actual, muita da qual, a meu ver, não é poesia nem nada semelhante, utiliza de facto expressões vulgares para dizer coisas vulgares. As pessoas que escreveram assim no tempo de Baudelaire não existem hoje como escritores.
ENIVREZ-VOUS
Il faut être toujours ivre, tout est là ; c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve. Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu à votre guise, mais enivrez-vous! Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge; à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est. Et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront, il est l'heure de s'enivrer ; pour ne pas être les esclaves martyrisés du temps, enivrez-vous, enivrez-vous sans cesse de vin, de poésie, de vertu, à votre guise.
N.B: este blogue tem outros poemas de BAudelaire, como "L'Albatros". Clicar em Baudelaire, abaixo, ou procurar no motor de busca, lá em cima.
Charles Baudelaire (1821- 1867)
terça-feira, julho 08, 2008
Enivrez-vous
Ao pensar numa frase, citação favorita que pedem para colocar no hi5, lembrei-me de uma das minhas favoritas e que se calhar já citei aqui anteriormente. É de Baudelaire.
"Ennivrez-vous. Enivrez-vous sans cesse. De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise"
A Eliane vai ver num livro em que há traduções muito boas e espero que traduza isto aqui:
qualquer coisa como:
"Embriagai-vos. Embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira."
in "Petits poèmes en prose"
"Ennivrez-vous. Enivrez-vous sans cesse. De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise"
A Eliane vai ver num livro em que há traduções muito boas e espero que traduza isto aqui:
qualquer coisa como:
"Embriagai-vos. Embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira."
in "Petits poèmes en prose"
quarta-feira, julho 02, 2008
Ainda o "Romance do Gengi"
A pedido da Eliane, escrevo mais sobre o "Romance do Gengi" de Murasaki Shikibu.
As pessoas começam a usar o seu nome verdadeiro nos comentários que fazem neste blogue. O meu também anda por aí, confesso que não é Nádia.
O nome Nádia agrada-me por o seu diminutivo ser Nadinha. Como sou niilista...
A grande diferença do Gengi (personagem principal do livro) é ser demasiado belo (curiosamente no meu livro também há uma personagem demasiado bela, a Eugénia), ser bom na dança e na música, na poesia de pequenos poemas que todos os cortesãos faziam (Haiku, creio que o plural é Haikai) e nas relações amorosas que mantinha com numerosas mulheres, nunca as abandonando completamente.
Isto faz-me pensar naquilo em que sempre pensei: nos países em que um homem pode ter várias esposas, deve ser considerado normal um homem amar várias mulheres... nem refiro a situação inversa de uma mulher amar várias pessoas, mas parece-me ir dar ao mesmo.
E nós não considerarmos normal que uma pessoa ame várias, será normal? No caso de Gengi, os homens também se sentem fisicamente atraídos por ele (todos) e no fundo também o amam.
Exemplo: o seu sogro, quando a filha morre, lamenta assim a futura ausência do Gengi da sua casa, onde nunca tinha vivido, de resto: "Quando bastava que ele se ausentasse um ou dois dias para me desesperar, como poderei continuar a viver neste mundo se me vir privado da luz que era a minha alegria dia e noite?"
Este livro surpreende-me pela sua actualidade e pela actualidade das questões que pode levantar. No relacionamento entre seres humanos, no modo como podemos ser sensíveis e viver para as artes, no modo como podem ser artísticas as relações humanas...
Ainda no caso da homossexualidade ou mesmo da bissexualidade, parece-nos normal só amar uma pessoa...
O que é isso de amar?
Hoje em dia fala-se do amor universal. Comparado com isso, como é coisa pequena o amor entre duas pessoas. E talvez muito bela por isso mesmo... ou não...
Hoje em dia fala-se do amor universal. Comparado com isso, como é coisa pequena o amor entre duas pessoas. E talvez muito bela por isso mesmo... ou não...
segunda-feira, junho 30, 2008
Noite
Deito-me de costas sobre a escuridão e o esplendor da noite
Mil sóis se acendem na minha imaginação e na minha memória
Para continuarem acesos enquanto houver noite e enquanto houver dia
Mil sóis se acendem na minha imaginação e na minha memória
Para continuarem acesos enquanto houver noite e enquanto houver dia
quinta-feira, junho 26, 2008
domingo, junho 22, 2008
Ainda o " Romance do Gengi"
Quem começar a ler isto livro sem saber nada sobre a época em que foi escrito, ficará com a impressão de se tratar de um vulgar romance histórico, escrito na actualidade. Seja isto dito em desabono do romance histórico...
Lê-se de facto com prazer e curiosidade. O que mais impressiona é a extrema sensibilidade e delicadeza das personagens, sobretudo dos homens.
Em notas de rodapé é-nos explicado que houve de facto uma época em que os homens japoneses cultivavam a fragilidade, a delicadeza, antes de passarem ao oposto, aos Samurais.
O livro foi escrito cerca do ano mil, tendo havido antes disso 400 anos de paz, em que as virtudes guerreiras não eram necessárias.
As personagens choram muito por tudo e por nada, comovem-se extremamente por causa de uma flor, Gengi, por exemplo reage assim.
Gengi é a personagem principal, um príncipe extraordinariamente belo e perfeito em tudo. Até os velhos que só desejavam a morte, sentiam, só de o verem, o desejo de continuar a viver ou pelo menos a gratidão de terem vivido até ao momento de o verem...
Talvez continue a falar sobre este livro.
Lê-se de facto com prazer e curiosidade. O que mais impressiona é a extrema sensibilidade e delicadeza das personagens, sobretudo dos homens.
Em notas de rodapé é-nos explicado que houve de facto uma época em que os homens japoneses cultivavam a fragilidade, a delicadeza, antes de passarem ao oposto, aos Samurais.
O livro foi escrito cerca do ano mil, tendo havido antes disso 400 anos de paz, em que as virtudes guerreiras não eram necessárias.
As personagens choram muito por tudo e por nada, comovem-se extremamente por causa de uma flor, Gengi, por exemplo reage assim.
Gengi é a personagem principal, um príncipe extraordinariamente belo e perfeito em tudo. Até os velhos que só desejavam a morte, sentiam, só de o verem, o desejo de continuar a viver ou pelo menos a gratidão de terem vivido até ao momento de o verem...
Talvez continue a falar sobre este livro.
quinta-feira, junho 19, 2008
Kristeva
Em termos literários uma boa surpresa também foi uma entrevista que vi na TV5 com a Júlia Kristeva. Sempre ouvi falar dessa mulher como de um monstro sagrado e afinal tem uma atitude simples e simpática...
Publicou agora um livro sobre Santa Teresa de Ávila intitulado "Thérèse je t'aime". Como é entendida em psicanálise e literatura e outras muitas coisas, encara os poemas místicos de Santa Teresa a um nível psicanalítico, como já outros o fizeram. A diferença é que isto é um romance.
Estou morta por o ler
Publicou agora um livro sobre Santa Teresa de Ávila intitulado "Thérèse je t'aime". Como é entendida em psicanálise e literatura e outras muitas coisas, encara os poemas místicos de Santa Teresa a um nível psicanalítico, como já outros o fizeram. A diferença é que isto é um romance.
Estou morta por o ler
sábado, junho 14, 2008
sexta-feira, junho 13, 2008
O Romance de Gengi
Ando a ler agora com grande alegria o Romance de Gengi. foi o primeiro romance escrito no mundo, no ano 1000.
A autora é a uma mulher japonesa, chamada Murasaki Shikibu.
Já aqui tinha falado nela a propósito de um livro que é a sua biografia, de onde tirei os poemas (haiku) sobre as flores de cerejeira.
Esse outro livro é : "História de Murasaki", Liza Dalby, Lisboa: Gótica, 2001.
este: Romance de Gengi, Murasaki Shikibu, Relógio de Água, Lisboa: 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
Flores de Jacarandá
Inclino a minha cabeça e sobre mim
Caem as flores de um azul intenso
Flores de Jacarandá
Cai a época temporal, dizendo-me que chegaram ao fim estas pétalas.
Inclino a minha cabeça e sobre mim cai o tempo
E o tempo tem para mim a cor das flores: pétalas demasiado azuis
Se eu morresse agora não me queixaria
Nem me lamentaria de falta de azul
Caem as flores de um azul intenso
Flores de Jacarandá
Cai a época temporal, dizendo-me que chegaram ao fim estas pétalas.
Inclino a minha cabeça e sobre mim cai o tempo
E o tempo tem para mim a cor das flores: pétalas demasiado azuis
Se eu morresse agora não me queixaria
Nem me lamentaria de falta de azul
domingo, junho 08, 2008
Lisboa: o Templo
quarta-feira, junho 04, 2008
Dia Bom
Hoje, dia 4 de Junho, também é um dia bom.
Creio que não se nota muito que tenho andado um pouco deprimida?
Creio que não se nota muito que tenho andado um pouco deprimida?
segunda-feira, junho 02, 2008
Dia Bom
- Hoje, dia 3 de Junho, é um dia bom.
- Porquê?
- Porque todos os dias são bons. E porque vem aí o Verão. Pelo menos neste lado do mundo.
- Porquê?
- Porque todos os dias são bons. E porque vem aí o Verão. Pelo menos neste lado do mundo.
quarta-feira, maio 28, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
Imaginália
Parece que só em Junho é que o livro estará à venda nas livrarias.
Se já o procurou, como várias pessoas o fizeram, não desanime.
Se já o procurou, como várias pessoas o fizeram, não desanime.
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quarta-feira, maio 14, 2008
Só mais um nadinha de Imaginália
Imaginália XIII Talvez o regresso: côro
Nunca conseguiremos regressar completamente a lugar nenhum. Nem mesmo no espaço, nem a nenhum tempo: passado ou futuro.
in Imaginália, de Graciete Nobre, Lisboa: Luz das Letras, 2008
Nunca conseguiremos regressar completamente a lugar nenhum. Nem mesmo no espaço, nem a nenhum tempo: passado ou futuro.
in Imaginália, de Graciete Nobre, Lisboa: Luz das Letras, 2008
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domingo, maio 11, 2008
Apresentação do livro
Agradeço às pessoas que estiveram ontem na apresentação do livro e também às que não puderam estar e me deram apoio moral.
Vai haver uma outra apresentação daqui por um mês, quem não pôde ir a esta talvez possa ir à outra.
P.S.: (escrito em 2011: esta segunda apresentação não se realizou, porque me aborrecem essas coisas e já a primeira foi por muita insistência do editor.)
Vai haver uma outra apresentação daqui por um mês, quem não pôde ir a esta talvez possa ir à outra.
P.S.: (escrito em 2011: esta segunda apresentação não se realizou, porque me aborrecem essas coisas e já a primeira foi por muita insistência do editor.)
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terça-feira, maio 06, 2008
Imaginália
Vou aqui deixar um excerto do livro, exactamente o princípio.
"Havia uma fonte no meio da praça principal da cidade. Chovia torrencialmente naquele Inverno entre 2 séculos.
Os poucos que se aventuravam fora de portas podiam ver as duas águas que se cruzavam: as águas da terra, que se elevavam para o espaço, as águas do espaço, que desciam para a terra, majestosas e indiferentes.
Como todas as cidades, passadas e futuras, Imaginália é a cidade dos mil desejos. Mas só alguns se realizam. Talvez poucos.
Não se trata de uma cidade imaginária, pelo menos não o é mais do que qualquer outra.
Não se situa num local em especial, nem em nenhum país.
Imaginália existe no coração de todas as cidades. De todas as pessoas. Nos sonhos a dormir, cuja acção se situa em cidades ou em lugares habitados por gente.
Nas recordações dos viajantes vindos de outras paragens, dos imigrantes, dos que nascidos nas aldeias remotas, para ali transportaram as suas vidas, as suas memórias, os seus desejos."
"Havia uma fonte no meio da praça principal da cidade. Chovia torrencialmente naquele Inverno entre 2 séculos.
Os poucos que se aventuravam fora de portas podiam ver as duas águas que se cruzavam: as águas da terra, que se elevavam para o espaço, as águas do espaço, que desciam para a terra, majestosas e indiferentes.
Como todas as cidades, passadas e futuras, Imaginália é a cidade dos mil desejos. Mas só alguns se realizam. Talvez poucos.
Não se trata de uma cidade imaginária, pelo menos não o é mais do que qualquer outra.
Não se situa num local em especial, nem em nenhum país.
Imaginália existe no coração de todas as cidades. De todas as pessoas. Nos sonhos a dormir, cuja acção se situa em cidades ou em lugares habitados por gente.
Nas recordações dos viajantes vindos de outras paragens, dos imigrantes, dos que nascidos nas aldeias remotas, para ali transportaram as suas vidas, as suas memórias, os seus desejos."
Imaginem um lugar...
O livro tem um estilo próprio, mas algo idêntico ao que uso neste blogue.
É uma obra de ficção, mas tem um lado poético.
É uma obra de ficção, mas tem um lado poético.
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quarta-feira, abril 30, 2008
Docas e navios
Este é o cenário do post anterior.
Na última foto, a dos bares do sítio designado como Docas, vêem-se ao fundo os ciprestes do cemitério dos Prazeres: a maior mancha de ciprestes da Europa.
Para a andarilha
Dizem que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E a água vem do ribeirão
Pode-me faltar tudo na vida
Arroz, feijão e pão
Pode-me faltar _______(manteiga?)
Isso não faz falta não
Pode-me faltar o amor
Isso eu até acho graça
Só não quero que me falte
A garrafa da cachaça
Vindos do fundo da minha infância ou primeira juventude, aparecem-me estes versos todos na cabeça, letra e música, enquanto bebo uma caipirinha num bar do porto de Lisboa, vendo entrar os navios do grande oceano e partir outros, talvez para sempre.
Esta cantiga sempre me pareceu ridícula, mas isso foi antes de conhecer: 1º- O Brasil, 2ª- a caipirinha, inestimável contributo dos brasileiros para a alegria de viver (cachaça, açúcar de cana, lima e gelo picado).
Passo bem sem a cachça. Quanto ao amor, depois de o ter conhecido, concordo com a frase:
Pode-me faltar o amor/Isso eu até acho graça.
Talvez não seja o verdadeiro amor, mas quem é que conhece esse? Os românticos, os obcecados... os carentes... serão normais?!
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E a água vem do ribeirão
Pode-me faltar tudo na vida
Arroz, feijão e pão
Pode-me faltar _______(manteiga?)
Isso não faz falta não
Pode-me faltar o amor
Isso eu até acho graça
Só não quero que me falte
A garrafa da cachaça
Vindos do fundo da minha infância ou primeira juventude, aparecem-me estes versos todos na cabeça, letra e música, enquanto bebo uma caipirinha num bar do porto de Lisboa, vendo entrar os navios do grande oceano e partir outros, talvez para sempre.
Esta cantiga sempre me pareceu ridícula, mas isso foi antes de conhecer: 1º- O Brasil, 2ª- a caipirinha, inestimável contributo dos brasileiros para a alegria de viver (cachaça, açúcar de cana, lima e gelo picado).
Passo bem sem a cachça. Quanto ao amor, depois de o ter conhecido, concordo com a frase:
Pode-me faltar o amor/Isso eu até acho graça.
Talvez não seja o verdadeiro amor, mas quem é que conhece esse? Os românticos, os obcecados... os carentes... serão normais?!
sábado, abril 26, 2008
Pôr-do-sol da minha janela
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sexta-feira, abril 25, 2008
Mandar calar os pássaros
Houve um época em que eu me deitava tarde, me levantava tarde e dormia mal.
Nessa época, os pássaros começavam a cantar por volta das cinco da manhã, na Primavera. Mas nunca era a uma hora certa: talvez às 5 menos 3 minutos, talvez às cinco e doze minutos, como se o relógio não fosse capaz de apanhar essas "nuances".
Quando eu queria adormecer, começavam eles uma chilreada, como se o mundo tivesse sido inventado naquele momento. E eu tinha sono. O barulho não me deixava dormir...
Apetecia-me mandar calar os pássaros
Nessa época, os pássaros começavam a cantar por volta das cinco da manhã, na Primavera. Mas nunca era a uma hora certa: talvez às 5 menos 3 minutos, talvez às cinco e doze minutos, como se o relógio não fosse capaz de apanhar essas "nuances".
Quando eu queria adormecer, começavam eles uma chilreada, como se o mundo tivesse sido inventado naquele momento. E eu tinha sono. O barulho não me deixava dormir...
Apetecia-me mandar calar os pássaros
domingo, abril 20, 2008
Livro
Vou publicar um livro escrito por mim. Quem gosta dos textos que escrevo, em cima do joelho, neste blogue Escrevedoiros, muito mais gostará do que escrevi com muito cuidado e muito tempo.
O lançamento vai ser em 10 de Maio. Quando faltar pouco tempo, convido todo o mundo para o lançamento. Tomem nota na agenda: talvez às 15 horas.
O lançamento vai ser em 10 de Maio. Quando faltar pouco tempo, convido todo o mundo para o lançamento. Tomem nota na agenda: talvez às 15 horas.
sábado, abril 19, 2008
sábado, abril 12, 2008
Haiku
"Agora que fostes colhidas, flores de pessegueiro, ficai bonitas;
não precisais de ter ciúmes da cerejeira cruel. "
de Murasaki, in "História de Murasaki", Liza Dalby, Lisboa: Gótica, 2001
não precisais de ter ciúmes da cerejeira cruel. "
de Murasaki, in "História de Murasaki", Liza Dalby, Lisboa: Gótica, 2001
terça-feira, abril 08, 2008
Flor da cerejeira (a continuar)
"Nem a flor da cerejeira, a mais bela das flores, nem a humilde flor de pereira têm grande aroma; nem há diferenças na maneira como caem."
(poema oriental)
(poema de Murasaki, poetisa japonesa, autora de "A História de Gengi"
(poema oriental)
(poema de Murasaki, poetisa japonesa, autora de "A História de Gengi"
segunda-feira, abril 07, 2008
sexta-feira, abril 04, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
Costume japonês das Cerejeiras em Flor
"Existe todo um esquema que envolve o hanami (observação das flores), que inclui desde piqueniques a atrações diversas, sob as cerejeiras em flor. Os eventos são realizados em parques, templos, beiras de rios e até mesmo nas ruas. Em locais concorridos, é comum ver as pessoas guardando lugares sob as árvores desde a manhã, para amigos, familiares ou colegas da empresa. O costume do hanami vem de muito tempo atrás. Durante a era Heian (794 - 1185) a festividade era reservada à aristocracia, que se reunia para escrever poemas e cantar sob as cerejeiras. Elas foram e ainda são tema de canções e danças japonesas. A popularização aconteceu somente durante a era Edo (1688 - 1704) e, desde então, tornou-se uma tradição para a maioria dos japoneses. Nessa época, as pessoas reuniam-se sob as cerejeiras para comer, beber e dançar. "
VER MAIS AQUI
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terça-feira, abril 01, 2008
Águas Passadas
Águas Passadas
Hoje, dia um de Abril, gostava de dizer uma mentira, mas já há tantas mentiras... quem iria distingui-la da verdade?
sexta-feira, março 28, 2008
quarta-feira, março 26, 2008
Flores de árvore de fruto - talvez cerejeira
Se eu fosse chinesa...
Colheria todas estas flores para as dispor como decoração na minha casa, renunciando aos frutos.
Depois, fazia um poema sobre as flores da macieira, da cerejeira, do pessegueiro.
Se eu fosse japonesa...
Mesmo assim, tirei uma fotografia...
sexta-feira, março 21, 2008
quinta-feira, março 20, 2008
Plantas felizes
Fui à janela e vi, num jardinzito modesto, as plantas encharcadas pelas últimas chuvas torrenciais. São plantas felizes.
Com a idade e a consciência do tempo, aprendi a tirar prazer destas pequenas coisas, a felicidade das plantas, a mudança, os pequenos momentos e os pequenos dias sem importância.
Com a idade e a consciência do tempo, aprendi a tirar prazer destas pequenas coisas, a felicidade das plantas, a mudança, os pequenos momentos e os pequenos dias sem importância.
segunda-feira, março 17, 2008
Magnólia Branca
Plantei uma vez uma magnólia que deveria dar flores brancas.
Plantei-a em homenagem à Natália Correia, que gostava de flores vivas, não colhidas, flores na planta.
Passaram-se muitos anos: a magnólia, segundo dizem, tem dado muitas flores brancas e grandes. Dizem que está muito bela, quando se põe em flor.
Pessoalmente, nunca vi.
Plantei-a em homenagem à Natália Correia, que gostava de flores vivas, não colhidas, flores na planta.
Passaram-se muitos anos: a magnólia, segundo dizem, tem dado muitas flores brancas e grandes. Dizem que está muito bela, quando se põe em flor.
Pessoalmente, nunca vi.
quinta-feira, março 13, 2008
O Místico Milarepa
"Conta-se sobre um grande místico, Milarepa:Quando foi encontrar seu mestre no Tibete ele era tão humilde, tão puro, tão autêntico, que os outros discípulos ficaram com inveja dele. Era certo que ele seria o sucessor. E é claro, que havia política envolvida, assim eles tentaram matá-lo.Um dia disseram a ele, “Se você realmente acredita no mestre, pode pular da montanha? Se você realmente acredita, se tiver confiança, então nada irá lhe acontecer, você não irá se machucar.” E Milarepa saltou, sem hesitar por um momento sequer. Eles correram para baixo, pois era uma queda de quase mil metros. Eles desceram esperando encontrar os ossos dele espatifados, mas encontraram-no sentado numa postura de lótus, muito feliz, imensamente feliz. Ele abriu os olhos e disse, “vocês estão certos, confiança protege.”Pensaram que isso devia ser alguma coincidência. Uma outra vez, quando uma casa estava pegando fogo, disseram a ele: "Se você ama seu mestre e confia nele, você pode entrar lá.” Ele entrou correndo para salvar uma mulher e seu filho que estavam lá dentro. O fogo era tão intenso que os outros discípulos esperavam que ele morresse – mas quando ele saiu com a mulher e a criança, não havia sequer uma queimadura em seu corpo. E ele ficou ainda mais radiante, pois a confiança protege.Um outro dia eles estavam indo a algum lugar, e tinham que atravessar um rio, e disseram a ele, “Você não precisa ir no barco. Você tem uma confiança tão grande, que pode andar sobre o rio” – e ele andou.Essa foi a primeira vez que o mestre o viu fazendo essas coisas. Ele não sabia que tinham dito a Milarepa que pulasse da montanha ou entrasse na casa em chamas. Mas dessa vez ele estava ali na outra margem e ele viu Milarepa caminhando sobre as águas e disse: “O que você está fazendo? Isso é impossível!”E Milarepa disse, “Não é impossível de jeito nenhum! Estou fazendo isso através de seu poder, meu senhor.”Então o Mestre pensou, “Se meu nome e meu poder podem fazer isso a esse homem estúpido e ignorante, imagine comigo. E eu mesmo nunca tentei..." Assim ele tentou fazer o mesmo. Ele afogou-se. Nunca mais se ouviu falar nele depois desse dia."
VER AQUI
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terça-feira, março 11, 2008
A Infância: os Pássaros
Estava eu com o corpo todo suspenso.
As mãos arranhadas. Os joelhos esfolados.
Em riscos de cair ao chão, muitos metros baixo.
Os dedos das mãos metidos no buraco do muro, entre duas pedras, enfim, entre várias pedras.
Os dedos dos pés metidos no buraco do muro, entre as pedras agudas e quentes do sol.
O corpo em precário equilíbrio, quase a cair.
Mas em mim só existiam os olhos: só via!
E, alguns segundos antes de cair, ainda consegui vislumbrar a completa maravilha:
Três passarinhos minúsculos com os bicos abertos, cantavam. No minúsculo ninho, na parede de pedra.
Eu já antes tinha caído, é claro,
Com os joelhos esfolados, doridos, e muito feliz, fui contar à minha mãe:
- Mãe, eu sei um ninho! Olhe Ali! Tão pequeninos e cantam tanto! De biquitos abertos.
Douro litoral: socalcos: muros feitos de bocados de pedras: crianças felizes descobrem ninhos.
As mãos arranhadas. Os joelhos esfolados.
Em riscos de cair ao chão, muitos metros baixo.
Os dedos das mãos metidos no buraco do muro, entre duas pedras, enfim, entre várias pedras.
Os dedos dos pés metidos no buraco do muro, entre as pedras agudas e quentes do sol.
O corpo em precário equilíbrio, quase a cair.
Mas em mim só existiam os olhos: só via!
E, alguns segundos antes de cair, ainda consegui vislumbrar a completa maravilha:
Três passarinhos minúsculos com os bicos abertos, cantavam. No minúsculo ninho, na parede de pedra.
Eu já antes tinha caído, é claro,
Com os joelhos esfolados, doridos, e muito feliz, fui contar à minha mãe:
- Mãe, eu sei um ninho! Olhe Ali! Tão pequeninos e cantam tanto! De biquitos abertos.
Douro litoral: socalcos: muros feitos de bocados de pedras: crianças felizes descobrem ninhos.
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sábado, março 08, 2008
Dia da Mulher
Hoje é o dia da mulher.
Parabéns a todas as mulheres livres, desejando que, um dia, todos os seres, humanos ou outros, sejam assim.
Se há seres que gostam de não ser livres, que isso seja um dia uma escolha como qualquer outra.
Parabéns a todas as mulheres livres, desejando que, um dia, todos os seres, humanos ou outros, sejam assim.
Se há seres que gostam de não ser livres, que isso seja um dia uma escolha como qualquer outra.
quinta-feira, março 06, 2008
Os que voam: observemos os pássaros
Os pássaros ocupam só um pequeno espaço na nossa vida.
Um espaço escondido, quase esquecido e carinhoso.
Um sorriso leve. Sentir a suavidade e a leveza das penas contra a pele do rosto e dos lábios como quando uma vez achámos um ninho. O cheiro desconhecido das penas, dos ovos e do ninho. Um cheiro que é das aves. Um cheiro a liberdade. Dos que não pertencem à terra. Dos que voam.
(isto foi escrito em cima do joelho: a alterar)
Um espaço escondido, quase esquecido e carinhoso.
Um sorriso leve. Sentir a suavidade e a leveza das penas contra a pele do rosto e dos lábios como quando uma vez achámos um ninho. O cheiro desconhecido das penas, dos ovos e do ninho. Um cheiro que é das aves. Um cheiro a liberdade. Dos que não pertencem à terra. Dos que voam.
(isto foi escrito em cima do joelho: a alterar)
sábado, março 01, 2008
Ainda os pássaros: é o tempo deles...
Gosto de pássaros, por isso nunca tive nenhum
Sempre me pareceu a posse menos importante do que a liberdade
A deles e a minha
Sempre me pareceu a posse menos importante do que a liberdade
A deles e a minha
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quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Os passarinhos enganaram-se
Os passarinhos enganaram-se. Ainda estamos no Inverno e já estão a fazer ninhos, ou a cantar como quando fazem ninhos.
As flores também se enganaram: faltava mais de um mês para a Primavera e já estavam todas a deitar a cabeça de fora.
Quem anda a enganar as aves e as flores?
As flores também se enganaram: faltava mais de um mês para a Primavera e já estavam todas a deitar a cabeça de fora.
Quem anda a enganar as aves e as flores?
terça-feira, fevereiro 26, 2008
domingo, fevereiro 24, 2008
Cantares de Salomão
1 De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei.
2 Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei.
3 Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu perguntei-lhes: Vistes aquele a quem ama a minha alma?
4 Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; detive-o, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou.
5 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
Cantares de Salomão Capítulo 3, in Bíblia Sagrada
2 Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei.
3 Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu perguntei-lhes: Vistes aquele a quem ama a minha alma?
4 Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; detive-o, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou.
5 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
Cantares de Salomão Capítulo 3, in Bíblia Sagrada
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
"A uma passante"
Creio que eu e a Andarilha gostamos dos mesmos poemas, pois ela coloca-me aqui em comentário alguns dos meus preferidos. É isto que a Internet tem de fantástico, pôr em comunicação pessoas de continentes diferentes mas que se entendem bem. Tem-me acontecido até com gente do Chile...
Como acho muito estranho ler Baudelaire em português por ser a musicalidade em língua francesa a sua mais excitante característica, aqui vai o poema que a Andarilha escreveu em português no meu post do dia dia 28 de Janeiro. Também gosto muito do da Sofia que ela colocou no post anterior.
Aí vai. Para ler em voz alta.
À une passante
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit! — Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?
Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!
— Charles Baudelaire
Como acho muito estranho ler Baudelaire em português por ser a musicalidade em língua francesa a sua mais excitante característica, aqui vai o poema que a Andarilha escreveu em português no meu post do dia dia 28 de Janeiro. Também gosto muito do da Sofia que ela colocou no post anterior.
Aí vai. Para ler em voz alta.
À une passante
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit! — Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?
Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!
— Charles Baudelaire
sábado, fevereiro 16, 2008
Mais mar para a Andarilha
Estreito de Gibraltar - lado sul - com névoa
A Andarilha anda lá pelo lo Nordeste brasileiro, que julgo ser a terra dela, com 36º de calor, mas ciranda por estas paragens frias.
Foge para aqui. Só mentalmente?
A Andarilha anda lá pelo lo Nordeste brasileiro, que julgo ser a terra dela, com 36º de calor, mas ciranda por estas paragens frias.
Foge para aqui. Só mentalmente?
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Mar
Não é igual em todo o lado, Inteb. Este mar também é em Cabo Verde e é verde.
Parabéns! Muitos anos e bons!
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
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