quinta-feira, julho 24, 2008

Romances sobre os Descobrimentos

Como ando a ler e reler tudo o que diga respeito ao mar e a ver filmes sobre o assunto, etc., encontrei no alfarrabista das Amoreiras o único romance histórico que conheço sobre a época dos Descobrimentos Portugueses. Conheço também um mais recente, de que falei aqui, sobre a viagem de Vasco da Gama, mas esse é quase uma reprodução da relação da mesma viagem, conseguindo ainda ser mais chato. (Ver http://escrevedoirosemaluquices.blogspot.com/search?q=vasco+da+gama)
Este livro explora uma história verídica e de facto estranha, uma das estórias dos Descobrimentos, que devem ter muitas aventuras como esta. Depois da ultrapassagem do Cabo Bojador por Gil Eanes, Nuno Tristão prossegue na exploração da costa até ao Rio Amargo, agora chamado Geba, nas margens do qual é morto pela população autóctone, como vingança por anteriores ataques portugueses. A barca, ou falua, chamada "Dos Irmãos", juntamente com toda a informação referente ao achado, foi então trazida para Portugal por um rapaz de quinze anos chamado Aires. A tripulação era apenas constituida por esse Aires, dois grumetes (muito jovens, portanto), um jovem negro e um marinheiro.
O livro, do escritor alemão Hans Baumann, chama-se "A Falua dos Irmãos". Creio que também poderia ser traduzido por "A Barca dos Irmãos", até porque a tradução é péssima e com vírgulas a mais. Foi publicado em 1960 pela "Empresa Nacional de Publicidade", ligada ao regime Salazarista.
É um livro leve, interessante, não propriamente extraordinário, tem algumas críticas aos portugueses da época e ao Infante D. Henrique, mas é um elogio à exploração do mar e descoberta de novas terras.
É estranho que este e outros filões de estórias da nossa História não estejam ainda a ser explorados... talvez porque os descobridores nos parecem a nós muito sagrados e não sabemos humanizá-los...

sábado, julho 19, 2008

Venda dos meus livros

Várias pessoas me têm dito que procuram o meu livro nas livrarias, mas não o encontram.Recebi um mail do editor, em resposta a um meu de protesto. Está a haver um problema com a distribuidora, que só ficará resolvido em Janeiro, dado que a editora tem um contrato até lá.Depois de ambos protestarmos, encontrei-o hoje na Byblos, onde vou com muita frequência. Não procurei noutros sítios.

quinta-feira, julho 17, 2008

Sem título

Vive-se no Verão para escrever no Inverno.

Se não se vive nunca, talvez se possa escrever sempre.

quarta-feira, julho 16, 2008

Blogue da Andarilha

A Andarilha, também chamada Eliane ou vice-versa, que escreve muitos comentários neste blogue e quase nunca no meu outro, dado que este é mais vocacionado para a poesia e as artes, enquanto o outro se refere sobretudo à realidade que repudia com veemência, dizia eu que a Eliane tem agora também um blogue, ainda incipiente mas giro, que parece ser sobretudo de poesia. Mas às vezes muda-se a meio do percurso. Ver

Notas sobre os Dias

segunda-feira, julho 14, 2008

CEREJAS


Após as flores de cerejeira, tão cantadas pelos poetas, os frutos: uma dádiva.
Não sei de quais gosto mais. A cereja é um dos meus frutos preferidos.
Obrigada....
Obrigada,
Obrigada cerejeira!
Pensei que gostava mais dumas cerejas claras, cor-de rosa, chamadas cerejas brancas, mas estas muito escuras e grandes são fantásticas. Menos bonitas, a meu ver.
Desejo a todos vocês o prazer que estou a sentir a comê-las enquanto escrevo, prazer sazonal. Só comparável ao que senti ao ver as cerejeiras em flor.
O único tempo que existe é o presente.
Ver também http://escrevedoirosemaluquices.blogspot.com/search?q=cerejas
(Ver também as fotos que aqui tenho das cerejeiras em flor. Para isso, clicar nas palavras abaixo, em verde)
Posted by Picasa

quinta-feira, julho 10, 2008

"Embriagai-vos", poema de Baudelaire

Obrigada Eliane, pela tradução do poema em prosa de Baudelaire.
Houve uma época em que as traduções brasileiras eram pésimas e risíveis (para não dizer ridículas), mas quando estive no Brasil constatei que agora há óptimas traduções de poesia. E a Eliane também tem demonstrado isso. Não comprei um livro desses por duas razões: gosto de ler a poesia no original e era demasiado grande, ou seja, pesado. Compro sempre tantos livros...

Vou colocar aqui a tradução que a Eliane pôs em comentário no post anterior e depois o original. São ambos magníficos e têm a particularidade de misturar o moral com o imoral - note-se que foi escrito no século XIX.
Notar também que em português pode ser você, vocês ou vós, dado que o francês "vous" pode ser traduzido destas três maneiras.

Embriague-se

É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão. Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser".

Tradução brasileira de Jorge Pontual

Já agora, acrescento o seguinte: este post tem sido procurado por muita gente, por isso dar-lhe-ei, a partir de agora, especial atenção.
Constato que há traduções online de origem portuguesa (quero dizer, de Portugal) em que aparece isto: "é preciso estar-se sempre bêbado". Não me parece que esta tradução seja sequer possível. Bêbado diz-se em francês "soûl". "Ivre" é um termo erudito que poderá traduzir-se por embriagado ou ébrio. Nem Baudelaire utilizaria termos e sentidos pouco poéticos. A poesia actual, muita da qual, a meu ver, não é poesia nem nada semelhante, utiliza de facto expressões vulgares para dizer coisas vulgares. As pessoas que escreveram assim no tempo de Baudelaire não existem hoje como escritores.

ENIVREZ-VOUS
Il faut être toujours ivre, tout est là ; c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve. Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu à votre guise, mais enivrez-vous! Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge; à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est. Et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront, il est l'heure de s'enivrer ; pour ne pas être les esclaves martyrisés du temps, enivrez-vous, enivrez-vous sans cesse de vin, de poésie, de vertu, à votre guise.

N.B: este blogue tem outros poemas de BAudelaire, como "L'Albatros". Clicar em Baudelaire, abaixo, ou procurar no motor de busca, lá em cima.



Charles Baudelaire (1821- 1867)

terça-feira, julho 08, 2008

Enivrez-vous

Ao pensar numa frase, citação favorita que pedem para colocar no hi5, lembrei-me de uma das minhas favoritas e que se calhar já citei aqui anteriormente. É de Baudelaire.

"Ennivrez-vous. Enivrez-vous sans cesse. De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise"

A Eliane vai ver num livro em que há traduções muito boas e espero que traduza isto aqui:
qualquer coisa como:

"Embriagai-vos. Embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira."

in "Petits poèmes en prose"

quarta-feira, julho 02, 2008

Ainda o "Romance do Gengi"

A pedido da Eliane, escrevo mais sobre o "Romance do Gengi" de Murasaki Shikibu.

As pessoas começam a usar o seu nome verdadeiro nos comentários que fazem neste blogue. O meu também anda por aí, confesso que não é Nádia.

O nome Nádia agrada-me por o seu diminutivo ser Nadinha. Como sou niilista...


A grande diferença do Gengi (personagem principal do livro) é ser demasiado belo (curiosamente no meu livro também há uma personagem demasiado bela, a Eugénia), ser bom na dança e na música, na poesia de pequenos poemas que todos os cortesãos faziam (Haiku, creio que o plural é Haikai) e nas relações amorosas que mantinha com numerosas mulheres, nunca as abandonando completamente.


Isto faz-me pensar naquilo em que sempre pensei: nos países em que um homem pode ter várias esposas, deve ser considerado normal um homem amar várias mulheres... nem refiro a situação inversa de uma mulher amar várias pessoas, mas parece-me ir dar ao mesmo.

E nós não considerarmos normal que uma pessoa ame várias, será normal? No caso de Gengi, os homens também se sentem fisicamente atraídos por ele (todos) e no fundo também o amam.
Exemplo: o seu sogro, quando a filha morre, lamenta assim a futura ausência do Gengi da sua casa, onde nunca tinha vivido, de resto: "Quando bastava que ele se ausentasse um ou dois dias para me desesperar, como poderei continuar a viver neste mundo se me vir privado da luz que era a minha alegria dia e noite?"


Este livro surpreende-me pela sua actualidade e pela actualidade das questões que pode levantar. No relacionamento entre seres humanos, no modo como podemos ser sensíveis e viver para as artes, no modo como podem ser artísticas as relações humanas...
Ainda no caso da homossexualidade ou mesmo da bissexualidade, parece-nos normal só amar uma pessoa...


O que é isso de amar?
Hoje em dia fala-se do amor universal. Comparado com isso, como é coisa pequena o amor entre duas pessoas. E talvez muito bela por isso mesmo... ou não...

segunda-feira, junho 30, 2008

Noite

Deito-me de costas sobre a escuridão e o esplendor da noite

Mil sóis se acendem na minha imaginação e na minha memória

Para continuarem acesos enquanto houver noite e enquanto houver dia

quinta-feira, junho 26, 2008

Ainda vivi algum tempo na época em que a solidão não existia.
A principal recordação que guardo desse período é de sentir um tédio permanente e insopurtável.
(a continuar, talvez)

domingo, junho 22, 2008

Ainda o " Romance do Gengi"

Quem começar a ler isto livro sem saber nada sobre a época em que foi escrito, ficará com a impressão de se tratar de um vulgar romance histórico, escrito na actualidade. Seja isto dito em desabono do romance histórico...


Lê-se de facto com prazer e curiosidade. O que mais impressiona é a extrema sensibilidade e delicadeza das personagens, sobretudo dos homens.
Em notas de rodapé é-nos explicado que houve de facto uma época em que os homens japoneses cultivavam a fragilidade, a delicadeza, antes de passarem ao oposto, aos Samurais.
O livro foi escrito cerca do ano mil, tendo havido antes disso 400 anos de paz, em que as virtudes guerreiras não eram necessárias.
As personagens choram muito por tudo e por nada, comovem-se extremamente por causa de uma flor, Gengi, por exemplo reage assim.
Gengi é a personagem principal, um príncipe extraordinariamente belo e perfeito em tudo. Até os velhos que só desejavam a morte, sentiam, só de o verem, o desejo de continuar a viver ou pelo menos a gratidão de terem vivido até ao momento de o verem...
Talvez continue a falar sobre este livro.

quinta-feira, junho 19, 2008

Kristeva

Em termos literários uma boa surpresa também foi uma entrevista que vi na TV5 com a Júlia Kristeva. Sempre ouvi falar dessa mulher como de um monstro sagrado e afinal tem uma atitude simples e simpática...

Publicou agora um livro sobre Santa Teresa de Ávila intitulado "Thérèse je t'aime". Como é entendida em psicanálise e literatura e outras muitas coisas, encara os poemas místicos de Santa Teresa a um nível psicanalítico, como já outros o fizeram. A diferença é que isto é um romance.

Estou morta por o ler

sábado, junho 14, 2008

Quem vem a este blog à procuara de informação e imagens sobre o Santo Antóno de Lisboa, que veja o meu outro blogue nesta data. (Do lado direito, em baixo)

sexta-feira, junho 13, 2008

O Romance de Gengi

Ando a ler agora com grande alegria o Romance de Gengi. foi o primeiro romance escrito no mundo, no ano 1000.
A autora é a uma mulher japonesa, chamada Murasaki Shikibu.
Já aqui tinha falado nela a propósito de um livro que é a sua biografia, de onde tirei os poemas (haiku) sobre as flores de cerejeira.
Esse outro livro é : "História de Murasaki", Liza Dalby, Lisboa: Gótica, 2001.
este: Romance de Gengi, Murasaki Shikibu, Relógio de Água, Lisboa: 2008

quinta-feira, junho 12, 2008

Flores de Jacarandá

Inclino a minha cabeça e sobre mim
Caem as flores de um azul intenso
Flores de Jacarandá

Cai a época temporal, dizendo-me que chegaram ao fim estas pétalas.

Inclino a minha cabeça e sobre mim cai o tempo

E o tempo tem para mim a cor das flores: pétalas demasiado azuis

Se eu morresse agora não me queixaria
Nem me lamentaria de falta de azul

domingo, junho 08, 2008

Lisboa: o Templo




Não gosto de templos fechados, feitos de pedra.
Um caminho num templo de flores
Faz-me pensar num percurso espiritual: num templo.
Posted by PicasaPodemos percorrê-lo enquanto meditamos:
em quê...?
Podemos percorrê-lo como se caminhássemos num claustro
sem pedras

quarta-feira, junho 04, 2008

Dia Bom

Hoje, dia 4 de Junho, também é um dia bom.
Creio que não se nota muito que tenho andado um pouco deprimida?

segunda-feira, junho 02, 2008

Dia Bom

- Hoje, dia 3 de Junho, é um dia bom.
- Porquê?
- Porque todos os dias são bons. E porque vem aí o Verão. Pelo menos neste lado do mundo.

quarta-feira, maio 28, 2008

Não dormes sob os ciprestes
Pois não há sono no mundo

O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.


Fernando Pessoa in "Iniciação"

segunda-feira, maio 19, 2008

Imaginália

Parece que só em Junho é que o livro estará à venda nas livrarias.
Se já o procurou, como várias pessoas o fizeram, não desanime.