quinta-feira, março 13, 2008

O Místico Milarepa

"Conta-se sobre um grande místico, Milarepa:Quando foi encontrar seu mestre no Tibete ele era tão humilde, tão puro, tão autêntico, que os outros discípulos ficaram com inveja dele. Era certo que ele seria o sucessor. E é claro, que havia política envolvida, assim eles tentaram matá-lo.Um dia disseram a ele, “Se você realmente acredita no mestre, pode pular da montanha? Se você realmente acredita, se tiver confiança, então nada irá lhe acontecer, você não irá se machucar.” E Milarepa saltou, sem hesitar por um momento sequer. Eles correram para baixo, pois era uma queda de quase mil metros. Eles desceram esperando encontrar os ossos dele espatifados, mas encontraram-no sentado numa postura de lótus, muito feliz, imensamente feliz. Ele abriu os olhos e disse, “vocês estão certos, confiança protege.”Pensaram que isso devia ser alguma coincidência. Uma outra vez, quando uma casa estava pegando fogo, disseram a ele: "Se você ama seu mestre e confia nele, você pode entrar lá.” Ele entrou correndo para salvar uma mulher e seu filho que estavam lá dentro. O fogo era tão intenso que os outros discípulos esperavam que ele morresse – mas quando ele saiu com a mulher e a criança, não havia sequer uma queimadura em seu corpo. E ele ficou ainda mais radiante, pois a confiança protege.Um outro dia eles estavam indo a algum lugar, e tinham que atravessar um rio, e disseram a ele, “Você não precisa ir no barco. Você tem uma confiança tão grande, que pode andar sobre o rio” – e ele andou.Essa foi a primeira vez que o mestre o viu fazendo essas coisas. Ele não sabia que tinham dito a Milarepa que pulasse da montanha ou entrasse na casa em chamas. Mas dessa vez ele estava ali na outra margem e ele viu Milarepa caminhando sobre as águas e disse: “O que você está fazendo? Isso é impossível!”E Milarepa disse, “Não é impossível de jeito nenhum! Estou fazendo isso através de seu poder, meu senhor.”Então o Mestre pensou, “Se meu nome e meu poder podem fazer isso a esse homem estúpido e ignorante, imagine comigo. E eu mesmo nunca tentei..." Assim ele tentou fazer o mesmo. Ele afogou-se. Nunca mais se ouviu falar nele depois desse dia."

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Ninho

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terça-feira, março 11, 2008

A Infância: os Pássaros

Estava eu com o corpo todo suspenso.
As mãos arranhadas. Os joelhos esfolados.
Em riscos de  cair ao chão, muitos metros baixo.

Os dedos das mãos metidos no buraco do muro, entre duas pedras, enfim, entre várias pedras.
Os dedos dos pés metidos no buraco do muro, entre as pedras agudas e quentes do sol.
O corpo em precário equilíbrio, quase a cair.

Mas em mim só existiam os olhos: só via!
E, alguns segundos antes de cair, ainda consegui vislumbrar a completa maravilha:
Três passarinhos minúsculos com os bicos abertos, cantavam. No minúsculo ninho, na parede de pedra.

Eu já antes tinha caído, é claro,
Com os joelhos esfolados, doridos, e muito feliz, fui contar à minha mãe:
- Mãe, eu sei um ninho! Olhe Ali! Tão pequeninos e cantam tanto! De biquitos abertos.

Douro litoral: socalcos: muros feitos de bocados de pedras: crianças felizes descobrem ninhos.

sábado, março 08, 2008

Dia da Mulher

Hoje é o dia da mulher.
Parabéns a todas as mulheres livres, desejando que, um dia, todos os seres, humanos ou outros, sejam assim.
Se há seres que gostam de não ser livres, que isso seja um dia uma escolha como qualquer outra.

quinta-feira, março 06, 2008

Os que voam: observemos os pássaros

Os pássaros ocupam só um pequeno espaço na nossa vida.
Um espaço escondido, quase esquecido e carinhoso.
Um sorriso leve. Sentir a suavidade e a leveza das penas contra a pele do rosto e dos lábios como quando uma vez achámos um ninho. O cheiro desconhecido das penas, dos ovos e do ninho. Um cheiro que é das aves. Um cheiro a liberdade. Dos que não pertencem à terra. Dos que voam.

(isto foi escrito em cima do joelho: a alterar)

sábado, março 01, 2008

Ainda os pássaros: é o tempo deles...

Gosto de pássaros, por isso nunca tive nenhum
Sempre me pareceu a posse menos importante do que a liberdade
A deles e a minha

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Os passarinhos enganaram-se

Os passarinhos enganaram-se. Ainda estamos no Inverno e já estão a fazer ninhos, ou a cantar como quando fazem ninhos.
As flores também se enganaram: faltava mais de um mês para a Primavera e já estavam todas a deitar a cabeça de fora.
Quem anda a enganar as aves e as flores?

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Mar Molhado...








Caspar David Friedrich (foto da net)
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domingo, fevereiro 24, 2008

Cantares de Salomão

1 De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei.
2 Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei.
3 Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu perguntei-lhes: Vistes aquele a quem ama a minha alma?
4 Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; detive-o, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou.
5 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.

Cantares de Salomão Capítulo 3, in Bíblia Sagrada

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

"A uma passante"

Creio que eu e a Andarilha gostamos dos mesmos poemas, pois ela coloca-me aqui em comentário alguns dos meus preferidos. É isto que a Internet tem de fantástico, pôr em comunicação pessoas de continentes diferentes mas que se entendem bem. Tem-me acontecido até com gente do Chile...
Como acho muito estranho ler Baudelaire em português por ser a musicalidade em língua francesa a sua mais excitante característica, aqui vai o poema que a Andarilha escreveu em português no meu post do dia dia 28 de Janeiro. Também gosto muito do da Sofia que ela colocou no post anterior.
Aí vai. Para ler em voz alta.

À une passante

La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;

Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un éclair... puis la nuit! — Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?

Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!

— Charles Baudelaire

sábado, fevereiro 16, 2008

Mais mar para a Andarilha

Estreito de Gibraltar - lado sul - com névoa

A Andarilha anda lá pelo lo Nordeste brasileiro, que julgo ser a terra dela, com 36º de calor, mas ciranda por estas paragens frias.
Foge para aqui. Só mentalmente?
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sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Mar


Não é igual em todo o lado, Inteb. Este mar também é em Cabo Verde e é verde.
Parabéns! Muitos anos e bons!
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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Mar


Cabo Verde, Agosto de 2007
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segunda-feira, janeiro 28, 2008

Deus dá-nos uma noite todos os dias

terça-feira, janeiro 22, 2008

Dores

A dor serve para nos sentirmos felizes, só porque não temos dores.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Medo...

O medo é a coisa mais perigosa que existe à face da terra.
Quando todos têm coragem, o perigo encolhe-se.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Mensagem Poética

Uma jovem do Perú (tão longe!) deixou uma mensagem muito poética no último post. Diz que também está a chover no Perú (não será pelas mesmas razões...) e mais escreve, num português correcto:

Onde se abrigará você quando chove?

domingo, janeiro 06, 2008

Chuva

Está a chover muito. Gosto muito do tempo quando chove muito.
Onde se abrigará a escrevedeira quando chove?

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Escrevedeira Sombria



Esta ave é uma Escrevedeira Amarela. Há outra chamada Escrevedeira Sombria.
Deve ter sido algum poeta que deu nome a estes pássaros: Escrevedeira Sombria.

Tal como eu. Hei-de usar isto como pseudónimo.


Esta foto foi tirada de

terça-feira, janeiro 01, 2008

Sol de Inverno


Ditado popular:
É lindo como o sol de Inverno
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