segunda-feira, setembro 04, 2006

Vai uma gaipinha?

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(Uma gaipinha é um bocadinho do cacho, só com algumas uvas. Um nadinha.)

sábado, agosto 12, 2006

Iemanjá: Ilha dos Frades

 
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Perfumar o mar

O povo da Bahia, não só o antigo, mas mesmo o moderno, é provavelmente o único que faz o seguinte:
Deita ao mar sabonetes e perfumes, para lhe melhorar o cheiro. Estes presentes destinam-se a Yemanjá, Senhora das Águas.
É um mito muito poético, mas que tem fracas e toscas realizações plásticas: valha-nos a palavra!

Em certo dia, após uma solene procissão, o povo também lava as escadas da igreja do Senhor do Bonfim com água de rosas.
Não é lindo? É o que se chama, julgo eu, delicadeza interior. E que é muito raro encontrar-se em lado nenhum.

terça-feira, agosto 08, 2006

Livros, do Brasil

Comprei no Brasil alguns livros, ainda não tive tempo de os ler todos, mas já recomendo dois (e dois autores):
Uma escritora que creio não ser conhecida em Portugal, Ana Maria Machado e um clássico que eu tinha esquecido, imperdoavelmente.
Da primeira só encontrei um romance, embora me tenham asseverado que tem mais:
Tropical Sol da Liberdade.
É um testemunho sofrido e densamente humano sobre a história recente do Brasil, a resistência e o exílio. Estes assuntos, que nos fazem compreender melhor a situação do país, são temperados com alguns momentos de invulgar sentido de humor.
O outro é:
Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel António de Almeida.
Creio que seja fácil encontrar este em bibliotecas públicas.
Engraçadíssimo, tem um estilo que recorda o melhor das fases realistas de Eça e de Camilo. A acção decorre no Rio de Janeiro e inclui alguns emigrantes portugueses (não muitos).
É o único livro do autor, que morreu ao 30 anos num naufrágio, sem conhecer a fama.
Faz um retrato sarcástico e de morrer a rir de certos costumes dessa época e de certas paixões assolapadas. Mesmo assim, é considerado romântico…
É pena que nenhum dos nossos grandes escritores, que eu saiba, se tenha dado ao trabalho de descrever e narrar usos e costumes perfeitamente risíveis hoje em dia e já nessa época talvez.
Creio que este nosso amigo, Manuel António de Almeida, era um ET, incapaz de cumplicidade com a gente atrasada do seu tempo.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Bahia: terra de artistas

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domingo, agosto 06, 2006

Pela Terra 3

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Baía

Ainda existe a frescura das sombras
E o canto estranho de aves espantosas
Sobre as árvores antigas



Ou continua a existir a frescura das sombras... 

Baía da Bahia (Inverno)

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sexta-feira, julho 28, 2006

terça-feira, julho 25, 2006

José Régio

Uma amiguinha nossa brasileira deste blog reinventou o José Régio, com a minha colaboração. Só fico à espera do "Cântico Negro". Se ninguém conhecer esse poema eu ponho-o aqui.

segunda-feira, julho 24, 2006

domingo, julho 23, 2006

Dores

Às vezes é preciso viver intensamente o sofrimento, a angústia, a dor, para que seja possível, mais tarde, recuperar a alegria.
Só nos sentimos felizes por não nos doer nada, se nos tiver doído qualquer coisa na véspera.

sexta-feira, julho 21, 2006

Pois!!!!!!!!!!

Depois de muito meditar, descobri que, afinal, às vezes as coisas acontecem por acaso.
Juro que estou a ser irónica. Vocês não tinham percebido?

domingo, julho 16, 2006

Em busca do tempo perdido (pelos outros)

Estava eu num restaurante quase vazio, ao balcão, sossegada e tranquila, quando observo um casal não muito novo, mas muito entusiasmado e muito feliz.
Disfarcei, claro, apenas o suficiente para ver que toda aquela agitação se devia a terem pedido uma fruta tropical, que há uns anos era rara, creio que era manga.
Ao ver que estava a olhar para eles, o homem perguntou-me se eu queria um bocadinho e a mulher insistiu. Percebi logo que aquele era um momento especial e aceitei, claro. O empregado do restaurante partiu então a fruta em três, colocou-a em três pratinhos e assim mesmo onde estávamos, longe eu deles, comungámos da manga com deleite.
Porque ele começou logo a contar:
- Era no tempo da guerra colonial em Angola. Andávamos nós há vários dias sem comer e quase sem beber, na torreira do sol, estafados, esfalfados, mortos…
E eis senão quando… vemos uma árvore carregadinha de frutas maduras e suculentas, que era comer e beber ao mesmo tempo, Senhor do Céu!
É claro que trepámos todos à árvore, sem pensar em mais nada. Imaginem vocês este sabor, este mesmo, exactamente, este suminho a escorrer-nos pela cara e pelo queixo…
Eu e a outra senhora já tínhamos o sumo de manga a escorre-nos pelos cotovelos e pelo pescoço, esquecidas de que estávamos num local público e de que nem nos conhecíamos e nunca nos tínhamos visto antes, mas… eis senão quando…
- E de repente aparece o inimigo e desata às rajadas de metralhadora. Alguns caíram logo mortos, mas eu, a mim só me apetecia continuar ali, dependurado da árvore e a comer o fruto doce, mesmo que no momento após esse devesse ali cair! (como dizia... quem?!)
Eu e a outra mulher ficámos de repente o olhar uma para a outra, assustadas, com vontade de fugirmos ambas para debaixo da mesa, ainda com a manga a escorrer-nos pelo queixo…
Afinal, quem é o inimigo?
O meu gostar de algumas frutas tropicais tem a ver com esta história, aquele prazer efémero, recuperado de um tempo que nunca foi o meu.

quinta-feira, julho 13, 2006

Meditação (talvez Zen)

Tenho pensado, meditado e lido. Recentemente encontrei uma resposta, daquelas que demoram muito tempo a serem encontradas.
Quando nos acontece uma coisa horrível, ou mesmo várias, algo que não acontece às outras pessoas que conhecemos, a pergunta é:
- Porquê a mim?
A resposta a esta pergunta é, obviamente:
- Porque não a mim?

segunda-feira, julho 10, 2006

Navigatio Brendani

O que me encanta na vida dos santos medievais é o mesmo que me agrada muito nos blogs: a indistinção entre a realidade e a ficção, ou a fantasia.
Ando a ler um livro fabuloso, que, vergonhosamente,ainda não conhecia: "Navegação de S. Brandão", em latim "Navigatio Brendani".
Enquanto na Europa continental os ascetas, liderados por Santo Antão, iam para o deserto onde morreriam à fome e à sede, na Grã Bretanha partiam para o mar numa navegação incerta, esperando ser conduzidos e alimentados por Deus.
Foi o que fez S. Brandão,com companheiros:a certa altura e por várias vezes estiveram numa ilha flutuante, que era afinal uma enorme baleia chamada Iascónio (iascónio ). Da primeira vez fugiram deixando no seu dorso uma marmita ao lume, das outras vezes reconheceram o Iascónio porque ainda lá estava a marmita.
Depois conto mais, se V quiserem.
Enfim, acabaram por encontrar o Paraíso. Quando eu viajo por mar, também espero encontrar o Paraíso.
E ando a ler tudo o que apanho a jeito sobre navegações.

domingo, julho 09, 2006

Lisboa 2006

 



Tirei esta fotografia e vou tirar outras para as pessoas que não conhecem Lisboa.
Mosteiro dos Jerónimos e Fonte. Posted by Picasa

Praia

Fui hoje para a praia pela primeira vez. Estive lá uma hora, mais ou menos, mas não pus cremes. Não sabia dos avisos para ter cuidado e não sei o quê.
Vocês acreditam que eu não gosto de praia? Parece um contra-senso, mas não é.
A praia é o mar pretensamente habitado. O que chamo a "Terra Imunda!"

sábado, julho 08, 2006

O mar

"Há três espécies de homens: os vivos, os mortos e os que partem para o mar"

Platão

terça-feira, julho 04, 2006

Para a Mariana: avelaneiras

Este poema é medieval, português / galego. Traduzido, diz repetidamente, tal como os poemas da época portugueses e galegos, o seguinte: bailemos nós já todas três ai amigas, sob aquelas avelaneiras floridas / este ramo destas avelãs/ este ramo florido. E quem for bela, como nós somos belas /amadas, bem parecidas, sob estas avelaneiras /este ramo de avelãs virá bailar.
Acho giro que nessa época as raparigas bailavam todas juntas, para os rapazes as verem. De certa forma é o que acontece hoje em dia, mas não há umas décadas, em que as danças eram de pares homem / mulher.

Avelaneiras frolidas

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segunda-feira, julho 03, 2006

Torcedorias futebolescas

Embora eu não curta muito futebol, sempre gosto que Portugal ganhe e por isso agradeço em nome de todos nós à Mariana e aos comentários que escreveu por baixo do pôr-do-sol na minha janela.
Diz ela que agora torce por Portugal. Obrigada.
Dizem as pessoas que gostariam que a final fosse Potugal - Brasil.

já que estou a escrever à Mariana, aproveito para dizer isto: creio que agora deve existir um programa na televisão brasileira chamado Terra Imunda, não? è que vi uma pesquisa dum brasileiro sobre essas palavras, que deu citações bíblicas, que eu desconhecia e essa referência a um programa. Isso vê-se no sitemeter do meu blogue Terra Imunda, visita nº 642.

Sopa de ervilhas

Sopa de ervilhas

E um dia te darei uma trípode,
Na qual … poderás reunir.
Ainda não esteve ao lume, mas depressa
Estará cheia de sopa de ervilhas, aquela que Álcman,
O comilão, adora comer quente depois do solstício.
Ele não come coisas finas,
Mas procura comida popular,
Como o povo.


Álcman, (poeta grego do século VII AC)

Aposto que nem a própria Laurindinha sabe a receita desta sopa, mas que dá vontade de a comer, dá. De certeza que não tinha batatas, pois estas ainda não existiam na Europa. Nem estavam para existir em breve.

domingo, junho 18, 2006

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e nao estamos de maos enlaçadas.
(Enlacemos as maos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e nao fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as maos, porque nao vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixoes que levantam a voz,
Nem invejas que dao movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagaos inocentes da decadencia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Fernando Pessoa: Ricardo Reis
in http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/pessoa.html

sábado, junho 17, 2006

Mensagem secreta

Para certas e determinadas pessoas que eu conheço, quanto mais chover melhor.
Não morram de medo, que a praia aproxima-se.
A praia vem aí.

quinta-feira, junho 15, 2006

gosto do blog brasileiro, da Mariana
http://jeremias-o-bom.blogspot.com/

Santo António de Lisboa (procissão em Lisboa)

 


Antigamente os andores dos santos iam às costas ou aos ombros das pessoas, agora vão de carrinha... Posted by Picasa

segunda-feira, junho 12, 2006

Lisboa e a beleza do mundo: para a Juanola

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Mensagem secreta


O Zorro morre de saudades dos docinhos de açúcar e demais doçuras da alma. Posted by Picasa

sábado, junho 10, 2006

O último dia de aulas

Era o último dia de aulas da minha primeira classe. Eu e as outras raparigas rebentávamos de alegria, só víamos à nossa frente um futuro em que nunca mais haveria aulas.
As mais velhas, da quarta classe, muito sabidas e, sabe-se lá porquê, manhosas, disseram-nos assim:
- Hoje a nossa professora vai-se despedir de nós e vai dizer que tem muitas saudades nossas. Quando nós vos fizermos sinal, vocês começam todas a fingir que choram muito, com saudades da professora.
- Está bem!
A professora disse tudo aquilo, quase palavra por palavra, as mais velhas fizeram sinal e nós desatámos todas numa choradeira em altos gritos. Até que a professora, muito comovida também e a chorar também, disse assim:
- Ora, vocês no fundo estão todas contentes… estão só a fingir que estão tristes…
Nós, as da primeira classe, levantámos logo a cabeça com o ar mais radiante deste mundo, mas as outras faziam-nos sinal de que não era assim:
- Continuem a chorar.
E lá continuou a gritaria! Este deve ter sido o dia mais feliz da minha vida!

E também o contrário: Turner: Grand Canal (Veneza)

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Medeia De Eurípides



Só agora, que está quase no final, é que eu pude ir ver esta peça, encenada por fernanda Lapa no Teatro Nacional.
Do fundo dos tempos Eurípides fala-nos pela voz duma mulher, ou várias, mas é uma voz que conhece o mar visto do mar, as tormentas e os rochedos onde a água se quebra e tudo se despedaça.
Para fazer teatro bem é preciso conhecer tudo isto, ter conhecido o terror, ter sabido o sabor amargo dos dias amargos. E o milagre dos dias auspiciosos e felizes.
Ter conhecido o sal da água do mar e o sal da água do corpo.
Creio que Turner também mostrou tudo isto nesta e noutras obras. Posted by Picasa

sábado, junho 03, 2006

Cerejas, ou o Tempo Reencontrado


Posted by Picasa Estas cerejas são iguaizinhas às da cerejeira do meu avô, quando eu ia para cima dela com um livro: os gatos iam também, claro! E lá ficava eu a comer cerejas, a ler um livro e a brincar com os gatos, ou com um deles no meu colo.

De facto, muito nova eu aprendi sozinha a trepar a oliveiras, cerejeiras e muros. Estava convencida de que uma rapariga, se se tivesse esforçado tanto como eu, conseguiria o mesmo, no máximo, mas os rapazes, todos, obviamente, sabiam trepar a pique, a pinheiros e eucaliptos, sem ninguém lhes tivesse ensinado, enfim, era inato… era essa a principal diferença entre os rapazes e as raparigas.
Devo confessar que, como eu fazia muitas perguntas, a minha mãe me aldrabava um bocado…
Até que um dia… Oh desilusão! A primeira!
Recebemos a visita de uma pessoas do Porto, incluindo dois rapazes. Mal eles chegaram, eu trepei ao ramo mais alto da oliveira mais alta, obviamente, para mostrar que não era uma rapariga vulgar.
Empoleirada lá em cima, a princípio julguei ter visto e ouvido mal, por causa das folhas que se interpunham entre mim e os factos, mas foi assim:
Os rapazes ficaram grudados na terra, de cabeça erguida a olhar para mim, como se eu fosse um pássaro por entre as folhas e disseram:
- Nós não sabemos trepar às árvores…
Por pouco não caí despencada de lá abaixo, com o espanto de tal descoberta: os rapazes não sabiam todos, naturalmente, trepar aos eucaliptos? Então qual era a grande diferença entre os rapazes e as raparigas?
Aqui vos juro, contudo, que os moços não regressaram ao Porto sem saberem subir às cerejeiras, às oliveiras e aos muros baixos. Só a pique é que não. Porque isso era próprio de... enfim... 
Estas recordações enriquecem o meu gostar de cerejas, sobretudo estas cor-de-rosa, menos doces, mais claras, mais bonitas.

Fra Angélico: São Nicolau salva navio (pormenor)

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Fra Angélico: São Nicolau salva navio

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Fra Angélico: Vida de São Nicolau

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quarta-feira, maio 31, 2006

domingo, maio 28, 2006

Fra Angélico


Vocês sabiam que Fra Angélico é santo? Como a santidade não é muito frequente nos artistas, é o santo padroeiro dos artistas. Vê-se aqui um pormenor da "Deposição de Cristo da Cruz", de sua autoria. Esta paisagem parece moderna, embora a pintura seja do Sec. XV.

quinta-feira, maio 25, 2006

Dia da espiga: dia bom

Creio que a espiga simboliza a abundância que a natureza nos oferece nesta época, e este ano ela foi partcularmente abundante, até de flores: mesmos as espigas têm mais flores este ano.
Hoje é um dia bom, porque é o Dia da espiga: (última 5º feira de Maio).
Amanhã também é um dia bom, porque é o dia a seguir ao dia da espiga.

Ver fotos e mais informação em
http://terraimunda.blogspot.com/search?q=espiga

terça-feira, maio 23, 2006

Que nos entenda alguém

Ao ler os comentários de muitos blogs, compreende-se que os comentadores (provavelmente os amigos) não perceberam nada do que queria dizer o blogueiro. É esta a grande vantagem dos blogs: já que os que nos estão próximos não nos entendem, que nos entenda ao menos alguém.

domingo, maio 21, 2006

Beijinhos

Ontem, uma rapariga que trabalha nas Amoreiras deu-me um beijinho de graça. E até me explicou como se faz:
Mistura-se leite em pó com leite verdadeiro e coco ralado. Amassa-se tudo com as mãos e fazem-se bolinhas pequenas e brancas com a forma, o sabor e a consistência de beijinhos.
É só assim. Se forem oferecidos, sabem melhor.

quarta-feira, maio 17, 2006

Fotografia

Ah, e já que falamos de fotografia. Está uma exposição lindíssima do Monteiro Gil na Galeria Diferença, (perto do largo do Rato, R. S. Filipe Nery).
São fotografias de montanhas dos Estados Unidos da América. É uma explosão de cores vertiginosa, quase abstracta, quase pintura.
Vale muito a pena ver e até mesmo comprar. Peço desculpa aos que estão a mil léguas de Lisboa.

Fotografias de Lisboa, já que pintores não há...

Se vocês estão à espera de encontrar aqui belas fotografias de Lisboa, desenganem-se.
Eu nunca percebi para que servia uma caixa de fotografias que tenho ali, eu que nem sou nada fotografeira. Agora sei que servem para mostrar a todo o mundo no blog "Terra Imunda".
Se querem ver fotografias lindíssimas de Lisboa, embora seja uma visão menos eufórica do que a minha, vejam:
http://simtristeza.blogspot.com/
No sítio onde antes era o Casal Ventoso há agora um matagal de malmequeres selvagens, amarelos e brancos.
Às vezes, as pessoas demoram muito tempo a perceber seja o que for, mas a natureza percebe logo tudo.

terça-feira, maio 16, 2006

Eros e Psique : Museu do Louvre


Esta escultura parece uma dança de pedra. O beijo impossível de Eros e Psique. Impossível e quase possível. Quando a vi pela primeira vez, no Museu do Louvre, também tinha visto pela primeira vez a Vénus de Milo. Acho que me passei.
O estupor ( estapor) do Napoleão Bonaparte conseguiu levar para o Louvre tudo! E penso que algumas das obras roubadas por este tipo e por outros deveriam ser devolvidas à procedência.

sábado, maio 13, 2006

Para a Jubi: é noite cerrada no Japão

Tenho vivido toda a vida muito longe da minha casa
A minha pátria deve ser uma terra que ainda não conheci
Talvez apenas gotas de água esfiando-se numa espécie de mar
Ou mesmo nuvens brancas tocando-se numa espécie de céu
E um outro modo de ser irmão

quarta-feira, maio 10, 2006

O espantoso esplendor do mundo

"Quem se maravilha perante o espantoso esplendor do mundo, é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo."
Sophia de Mello Breyner (citado de cor)

sábado, maio 06, 2006

Japão e Japonês

Descobri um blog duma rapariga brasileira que vive no Japão... realmente, foi ela que me descobriu a mim. A quem possa interessar:
http://jubichan.blogspot.com/

sexta-feira, maio 05, 2006

Solidão

Eu nunca entendi porque é que algumas pessoas dizem mal da solidão e até a consideram um problema.
Nos últimos vinte anos, nós passamos a vida a descobrir modos modernos e sofisticados de estar sozinhos...
A net é um deles: estamos somente acompanhados.

Eu


Esta sou eu. Enfim, confesso que estou um bocadinho mais gorda... a idade não perdoa...
Mas aquele olhar, espantado e encantado,ainda é o meu olhar interior. Quero ver tudo bem!
Se alguém souber pintar estas fotografias, agradeço que a pintem e que ma mandem (a roupinha é cor de rosa, claro).

Docinhos de açúcar

Beijinhos para os meus docinhos de açúcar (belezas raras).

Dia da Mulher: Santa Liberata, por exemplo

Santa Liberata era filha de um rei da antiga Lusitânia, que a queria casar com um príncipe. Como Liberata (reparar no nome) se queria dedicar toda ao Cristianismo e como o pai e o suposto noivo e o suposto sogro eram todos pagãos, uns ignorantes, uns burgessos, enfim, desculpem, entusiasmei-me...
Então a santa pediu a Cristo que a tornasse de tal mopdo feia que nunca homem nenhum olhasse para ela duas vezes. E assim foi sem tirar nem pôr: uma manhã amanheceu com umas horrendas barbas e com uma bigodaça medonha!
Ao ver isto, o pai, que aparentemente nem acreditava em milagres, acreditou que tinha sido um milagre. Achou que a culpa era dela e crucificou-a. Este pai teve três filhas todas santas, todas mártires, todas teimosas que nem... esta.
Os lusitanos são assim...
Em termos iconográficos, esta santa confunde-se com a imagem de Cristo: sendo uma mulher crucificada e de barbas, corresponde a uma tradição esotérica, talvez gnóstica, sem dúvida herética, segundo a qual Cristo pode ser representado como mulher.
De momento não tenho imagens, mas segue-se Santa Bárbara, a minha preferida, também teimosa como só uma feminista, uma revolucionária ou, quem diria, uma santa...

Pormenor (ama de Santa Úrsula) Arrival of the English Ambassadors



Carpaccio

"O Sonho de Santa Úrsula" Carpaccio: vejam os pormenores

Dia da Mulher: Santa Úrsula, por exemplo

As mulheres devem buscar exemplos de mulheres destemidas. De santas, por exemplo? E porque não???
Santa Úrsula é uma mártir dos primórdios do Cristianismo. Como muitas outras (mártires) foi prometida em casamento, mas não estava nessa...
A Santa Úrsula fazia-se acompanhar por onze mil virgens, que se deslocavam em 10 navios, para aí mil passageiras por navio, mais a tripulação...
Alguns hagiógrafos pensam que terá havido erro na interpretação dos textos originais, os quais só falariam em onze virgens (a santa e mais dez)...
Então, e os dez navios?
Recentemente o Vaticano publicou um martirológio, segundo o qual deixaram de existir certos santos lendários e fictícios, mas não me parece que seja o caso.
O caso é que foram todas martirizadas em Colónia.
A mim, tudo me agrada nesta santa. E sobretudo o andar em 10 navios imensos. E sobretudo o facto de o Carpaccio ter feito várias pinturas sobre a sua biografia (como se de banda desenhada se tratasse). Já neste blog está a imagem do desembarque em Colónia (pormenor)(8 de Abril), mas a seguir vai a pintura extraordinária chamada " O Sonho de Santa Úrsula".

"I Santi del Callendário segundo il martirologio romano" publicado pelo Vaticano

quinta-feira, maio 04, 2006

Tio Pipinho

Está já em cena a Medeia de Eurípides (Tio Pipinho)encenada pela Fernanda Lapa e com tradução da Sophia. Mesmo sem ainda ter visto, juro que só pode ser bom!

quarta-feira, maio 03, 2006

Menina e Moça: é tão bonito este livro...

Neste monte mais alto de todos que eu vim buscar pela soidade deferente dos outros que nele achei, passava eu minha vida como soía, ora em me ir pelos fundos destes vales que o cingem ao derredor, ora em me pôr do mais alto dele a olhar a terra como ia acabar ao mar, e depois o mar como se estendia logo após ela, para se ir acabar onde o ninguém visse.

Bernardim Ribeiro "Menina e Moça"ver: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/ribeiro1.htm

domingo, abril 30, 2006

Se eu não tivesse perdido aquele diário em papel, só com duas figuras do Carpaccio da ponte Rialto, esse diário em que eu escrevia a verdade e era sincera, nesse papel eu hoje teria escrito assim: este foi um dos dias felizes da minha vida.

Jardins escondidos

Passo numa rua incaracterística e cheira-me a buganvílias em flor.
Vejo apenas uma porta que não parece ter por detrás um jardim.
A Primavera explode nesta cidade através das portas, das janelas, das paredes, por de cima dos muros...
Esta é a parte de Lisboa que Cesário não viu.
Este fim de semana prolongado foi dedicado a não ler, porque perdi uma lente dos óculos.
Foi um fim de semana dedicado a todos os sentidos.

sábado, abril 29, 2006

E os pintores de Lisboa? Outra vez Veneza: Canaletto

Lisboa deslumbrante, mutante e descendente

Está a apetecer-me viajar, passar uns fins de semana fora, conhecer outras terras.
Mas não consigo desgrudar de Lisboa que está tão bela.
Eu até pensei, quando estive no campo, recentemente, que nesta terra não há Primavera, tal como no mar. E noutras cidades.
Mas esta noite acordei com o canto duns pássaros estranhos, nocturnos e lindos.
Quando me levantei, fui vadear por aí...
Desci o elevador da Bica, rodeada de turistas italianos felizes (não sei se sabem que para eles o 25 de Abril é um feriado importante).
Dos dois lados da rua, sardinheiras em flor faziam-se notar dependuradas das janelas em vasos, ou nas varandas. Havia um cheiro, ou vários, sendo um deles o de flores.
Eu e os turistas estávamos felizes, até que o condutor, obeso, se colocou em frente da paisagem. E um italiano, com a graça que os caracteriza quando estão na terra deles (como a discrição em terra alheia)disse: "Tapa tutta la vista!"
Toda a gente se riu, mas era plástica a imagem dum tipo obeso a tapar uma paisagem deslumbrante, mutante e descendente.

sexta-feira, abril 21, 2006

O tanque de Mogos: lavadoiros, opiniadoiros e bebedoiros

- Então a sua vizinha já anda mais calma??!
- Eu sei lá…
- Se elas ficassem em casa com as mãozinhas postas a rezar, não lhes acontecia nada disto!
- Essas nódoas de vinho saem muito bem…
- Isto não é vinho!
- Então o que é? Parece vinho…
- Sei lá!


Por entre os cedros cantam as aves encantadas com a Primavera. A água do tanque é agora tépida e cai da bica com um canto também suave e doce. Borboletas perpassam nos malmequeres rasando a água. As cerejas enchem de cor o cimo das muitas árvores e o perfume das flores e das ervas enche o ar.
Esta terra parece o Paraíso!

terça-feira, abril 18, 2006

Opiniadoiros e defumadoiros

Entre os opinion makers, as opiniões dividem-se: os que fumam são contra as leis anti-tabágicas, os que não fumam são a favor.
Por aqui se vê como se fazem e se propagam neste jardim à beira-mar, (e noutros jardins "à beira-mágoa") (tio Fernando)as opiniões que depois toda a gente tem, na mesma proporção.
Que se lixem as opiniões e os opiniadouros!

domingo, abril 09, 2006

Free Web Site Counter

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Bernardo Canal


E ainda outro veneziano, Bernardo Canal, com pintura sobre o Grande Canal.
Este diário é muito melhor do que aquele que eu perdi, que era de papel e só tinha 2 pinturas do Carpaccio.

Canaletto



Este é outro pintor veneziano, que aliás, deve o nome aos canais de Veneza. Inspirem-se. A pintura chama-se Grand Canal e igreja de Salute

sábado, abril 08, 2006

Colónia Carpaccio

Carpaccio

Foi com grande surpresa e prazer que descobri um pintor Veneziano do Renascimento, Carpaccio. Existe também um prato italiano com este nome, que foi escolhido como homenagem ao homem.
Não consigo encontrar na net um quadro com a ponte de Rialto e muita gente, mas aqui vai uma amostra do “Leão de S. Marcos” (pormenor) e do “Desembarque de Santa Úrsula em Colónia”