segunda-feira, junho 12, 2006

Mensagem secreta


O Zorro morre de saudades dos docinhos de açúcar e demais doçuras da alma. Posted by Picasa

sábado, junho 10, 2006

O último dia de aulas

Era o último dia de aulas da minha primeira classe. Eu e as outras raparigas rebentávamos de alegria, só víamos à nossa frente um futuro em que nunca mais haveria aulas.
As mais velhas, da quarta classe, muito sabidas e, sabe-se lá porquê, manhosas, disseram-nos assim:
- Hoje a nossa professora vai-se despedir de nós e vai dizer que tem muitas saudades nossas. Quando nós vos fizermos sinal, vocês começam todas a fingir que choram muito, com saudades da professora.
- Está bem!
A professora disse tudo aquilo, quase palavra por palavra, as mais velhas fizeram sinal e nós desatámos todas numa choradeira em altos gritos. Até que a professora, muito comovida também e a chorar também, disse assim:
- Ora, vocês no fundo estão todas contentes… estão só a fingir que estão tristes…
Nós, as da primeira classe, levantámos logo a cabeça com o ar mais radiante deste mundo, mas as outras faziam-nos sinal de que não era assim:
- Continuem a chorar.
E lá continuou a gritaria! Este deve ter sido o dia mais feliz da minha vida!

E também o contrário: Turner: Grand Canal (Veneza)

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Medeia De Eurípides



Só agora, que está quase no final, é que eu pude ir ver esta peça, encenada por fernanda Lapa no Teatro Nacional.
Do fundo dos tempos Eurípides fala-nos pela voz duma mulher, ou várias, mas é uma voz que conhece o mar visto do mar, as tormentas e os rochedos onde a água se quebra e tudo se despedaça.
Para fazer teatro bem é preciso conhecer tudo isto, ter conhecido o terror, ter sabido o sabor amargo dos dias amargos. E o milagre dos dias auspiciosos e felizes.
Ter conhecido o sal da água do mar e o sal da água do corpo.
Creio que Turner também mostrou tudo isto nesta e noutras obras. Posted by Picasa

sábado, junho 03, 2006

Cerejas, ou o Tempo Reencontrado


Posted by Picasa Estas cerejas são iguaizinhas às da cerejeira do meu avô, quando eu ia para cima dela com um livro: os gatos iam também, claro! E lá ficava eu a comer cerejas, a ler um livro e a brincar com os gatos, ou com um deles no meu colo.

De facto, muito nova eu aprendi sozinha a trepar a oliveiras, cerejeiras e muros. Estava convencida de que uma rapariga, se se tivesse esforçado tanto como eu, conseguiria o mesmo, no máximo, mas os rapazes, todos, obviamente, sabiam trepar a pique, a pinheiros e eucaliptos, sem ninguém lhes tivesse ensinado, enfim, era inato… era essa a principal diferença entre os rapazes e as raparigas.
Devo confessar que, como eu fazia muitas perguntas, a minha mãe me aldrabava um bocado…
Até que um dia… Oh desilusão! A primeira!
Recebemos a visita de uma pessoas do Porto, incluindo dois rapazes. Mal eles chegaram, eu trepei ao ramo mais alto da oliveira mais alta, obviamente, para mostrar que não era uma rapariga vulgar.
Empoleirada lá em cima, a princípio julguei ter visto e ouvido mal, por causa das folhas que se interpunham entre mim e os factos, mas foi assim:
Os rapazes ficaram grudados na terra, de cabeça erguida a olhar para mim, como se eu fosse um pássaro por entre as folhas e disseram:
- Nós não sabemos trepar às árvores…
Por pouco não caí despencada de lá abaixo, com o espanto de tal descoberta: os rapazes não sabiam todos, naturalmente, trepar aos eucaliptos? Então qual era a grande diferença entre os rapazes e as raparigas?
Aqui vos juro, contudo, que os moços não regressaram ao Porto sem saberem subir às cerejeiras, às oliveiras e aos muros baixos. Só a pique é que não. Porque isso era próprio de... enfim... 
Estas recordações enriquecem o meu gostar de cerejas, sobretudo estas cor-de-rosa, menos doces, mais claras, mais bonitas.

Fra Angélico: São Nicolau salva navio (pormenor)

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Fra Angélico: São Nicolau salva navio

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Fra Angélico: Vida de São Nicolau

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quarta-feira, maio 31, 2006

domingo, maio 28, 2006

Fra Angélico


Vocês sabiam que Fra Angélico é santo? Como a santidade não é muito frequente nos artistas, é o santo padroeiro dos artistas. Vê-se aqui um pormenor da "Deposição de Cristo da Cruz", de sua autoria. Esta paisagem parece moderna, embora a pintura seja do Sec. XV.

quinta-feira, maio 25, 2006

Dia da espiga: dia bom

Creio que a espiga simboliza a abundância que a natureza nos oferece nesta época, e este ano ela foi partcularmente abundante, até de flores: mesmos as espigas têm mais flores este ano.
Hoje é um dia bom, porque é o Dia da espiga: (última 5º feira de Maio).
Amanhã também é um dia bom, porque é o dia a seguir ao dia da espiga.

Ver fotos e mais informação em
http://terraimunda.blogspot.com/search?q=espiga

terça-feira, maio 23, 2006

Que nos entenda alguém

Ao ler os comentários de muitos blogs, compreende-se que os comentadores (provavelmente os amigos) não perceberam nada do que queria dizer o blogueiro. É esta a grande vantagem dos blogs: já que os que nos estão próximos não nos entendem, que nos entenda ao menos alguém.

domingo, maio 21, 2006

Beijinhos

Ontem, uma rapariga que trabalha nas Amoreiras deu-me um beijinho de graça. E até me explicou como se faz:
Mistura-se leite em pó com leite verdadeiro e coco ralado. Amassa-se tudo com as mãos e fazem-se bolinhas pequenas e brancas com a forma, o sabor e a consistência de beijinhos.
É só assim. Se forem oferecidos, sabem melhor.

quarta-feira, maio 17, 2006

Fotografia

Ah, e já que falamos de fotografia. Está uma exposição lindíssima do Monteiro Gil na Galeria Diferença, (perto do largo do Rato, R. S. Filipe Nery).
São fotografias de montanhas dos Estados Unidos da América. É uma explosão de cores vertiginosa, quase abstracta, quase pintura.
Vale muito a pena ver e até mesmo comprar. Peço desculpa aos que estão a mil léguas de Lisboa.

Fotografias de Lisboa, já que pintores não há...

Se vocês estão à espera de encontrar aqui belas fotografias de Lisboa, desenganem-se.
Eu nunca percebi para que servia uma caixa de fotografias que tenho ali, eu que nem sou nada fotografeira. Agora sei que servem para mostrar a todo o mundo no blog "Terra Imunda".
Se querem ver fotografias lindíssimas de Lisboa, embora seja uma visão menos eufórica do que a minha, vejam:
http://simtristeza.blogspot.com/
No sítio onde antes era o Casal Ventoso há agora um matagal de malmequeres selvagens, amarelos e brancos.
Às vezes, as pessoas demoram muito tempo a perceber seja o que for, mas a natureza percebe logo tudo.

terça-feira, maio 16, 2006

Eros e Psique : Museu do Louvre


Esta escultura parece uma dança de pedra. O beijo impossível de Eros e Psique. Impossível e quase possível. Quando a vi pela primeira vez, no Museu do Louvre, também tinha visto pela primeira vez a Vénus de Milo. Acho que me passei.
O estupor ( estapor) do Napoleão Bonaparte conseguiu levar para o Louvre tudo! E penso que algumas das obras roubadas por este tipo e por outros deveriam ser devolvidas à procedência.

sábado, maio 13, 2006

Para a Jubi: é noite cerrada no Japão

Tenho vivido toda a vida muito longe da minha casa
A minha pátria deve ser uma terra que ainda não conheci
Talvez apenas gotas de água esfiando-se numa espécie de mar
Ou mesmo nuvens brancas tocando-se numa espécie de céu
E um outro modo de ser irmão

quarta-feira, maio 10, 2006

O espantoso esplendor do mundo

"Quem se maravilha perante o espantoso esplendor do mundo, é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo."
Sophia de Mello Breyner (citado de cor)

sábado, maio 06, 2006

Japão e Japonês

Descobri um blog duma rapariga brasileira que vive no Japão... realmente, foi ela que me descobriu a mim. A quem possa interessar:
http://jubichan.blogspot.com/