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quinta-feira, agosto 14, 2008

Ilhas Afortunadas

Já vos falei aqui dum livro giríssimo, "Navigatio Brendani" traduzido "Navegação de S. Brandão", uma obra medieval que descobri com prazer e espanto numa feira do livro, portanto num Maio.
Tal como os eremitas do Sul procuravam o deserto para rezar e meditar, os do Norte (actual Grã-Bretanha) procuravam o mar, numa navegação sem rumo, ou por outra, tendo por rumo a vontade de Deus.
Foi o que fez S. Brandão.
E descobriu, ao fim de uma viagem de aventuras, as Ilhas Afortunadas, onde era o Paraíso Terrestre.
Durante muito tempo estas ilhas figuraram no imaginário europeu como lugares míticos e místicos. Até que as Ilhas Canárias foram descobertas. Depois do Sec XIII passaram a ser elas as Ilhas Afortunadas.
De salientar também que o conceito já existia desde a Grécia Antiga, que as situava no Oceano Atlântico. Parece-me tudo isto interessante, mas só agora vou começar a ler sobre o assunto, por exemplo, numa enorme Revista Oceanos que me ofereceram uma vez, sobre Ilhas. Será uma leitura agradável para as longas noites de Inverno.

VER WIKI

Ver também neste blogue (aparecerá a seguir a este post).

Creio que o poema de Pessoa tem em conta alguns destes sentidos. Vou copiá-lo para aqui do comentário em que a Carla o transcreveu, sem apagar o comentário, o que quer dizer que ficará repetido.


Ilhas afortunadas

Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutarmos, cala,
Por ter havido escutar.
E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.
São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas se vamos dispertando,
Cala a voz, e há só o mar.

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, julho 10, 2006

Navigatio Brendani

O que me encanta na vida dos santos medievais é o mesmo que me agrada muito nos blogs: a indistinção entre a realidade e a ficção, ou a fantasia.
Ando a ler um livro fabuloso, que, vergonhosamente,ainda não conhecia: "Navegação de S. Brandão", em latim "Navigatio Brendani".
Enquanto na Europa continental os ascetas, liderados por Santo Antão, iam para o deserto onde morreriam à fome e à sede, na Grã Bretanha partiam para o mar numa navegação incerta, esperando ser conduzidos e alimentados por Deus.
Foi o que fez S. Brandão,com companheiros:a certa altura e por várias vezes estiveram numa ilha flutuante, que era afinal uma enorme baleia chamada Iascónio (iascónio ). Da primeira vez fugiram deixando no seu dorso uma marmita ao lume, das outras vezes reconheceram o Iascónio porque ainda lá estava a marmita.
Depois conto mais, se V quiserem.
Enfim, acabaram por encontrar o Paraíso. Quando eu viajo por mar, também espero encontrar o Paraíso.
E ando a ler tudo o que apanho a jeito sobre navegações.