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terça-feira, agosto 18, 2009

Águas das almas






Foi daqui que muitos viram Lisboa pela última vez, ou mesmo o terreno da pátria, Lisboa ou outro.
A esta distancia das águas salgadas: as do mar e as dos olhos.










sábado, agosto 01, 2009

Chuva de Verão

Após uns dias de sufocante e contínuo calor, acordo com um dia de aguaceiros. Chuva de Verão.
Não por acaso dormi tão bem e acordo tão alegre, num dia de recordações tristes.

Abro a janela que dá para a natureza: sinto o cheiro agradecido da terra
A alegria dos pássaros que cantam mais ainda do que o habitual

A névoa ocupa o espaço onde costumava estar a paisagem com árvores e casas
E o corpo agradece esta inesperada dádiva da água
A pele sentindo que regressa ao seu tamanho natural

Apenas lamento não ter acordado com os galos
Sabendo então que poderia continuar a dormir
Ouvindo a chuva a cair tranquilamente na nesga de telhado que fica ao lado da minha cama.

sábado, março 21, 2009

Primavera

Apetece beijar as pétalas das flores como uma dádiva oferecida pelo tempo.
Tão suaves, tão macias, tão brancas, tão azuis ou vermelhas no calor que se adivinha
E que sejam bem-vindas as moscas!
E as flores aladas, sejam borboletas ou pássaros
E os pássaros desprovidos de asas, os grilos e as cigarras que hão-de anunciar o Verão

Agradeço às deusas fêmeas Ceres, Artemísia, Afrodie e Atena, agradeço aos deuses machos, Apolo, Diónisos, Cronos e a todos os deuses, agradeço ao deus único, talvez Alá ou Jeová
E a mim, e a ti, homem ou mulher, espírito capaz de vislumbrar a beleza, ser iluminado, ente capaz de entender este renascer constante da matéria, da luz e do sonho do espaço.

Graciete Nobre, 21 /3/2009

P.S.: Agradeço à Ematejoca o poema em comentário no post anterior e ter-me lembrado que a Primavera já tinha começado. Acho que pensei que era no dia 21 de Março... A minha professora de Ioga jurou-me que começou ontem, porque viu no borda D´Água... :)... ou mesmo :D...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

(Falta de) LUZ

Ontem faltou a luz nas redondezas do sítio onde vivo. Situação tão inusitada, em Lisboa...
Fui bater à porta duns vizinhos, uma outrta vizinha veio bater à minha porta, tudo a perguntar se a luz falhava no prédio ou só na nossa casa. Constatámos que já não nos víamos uns aos outros há tempos. Nem nunca ninguém tinha reparado que uma nossa vizinha está grávida de seis meses... o que é uma notícia considerável num prédio pequeno.
A discrição é boa, mas tanta...
Tomei banho à luz da vela, li (pouco) à luz de uma vela e de uma lanterna, depois de constatar que poria fogo à casa se acendesse muitas velas...
E agora apetece-me não acender a luz e viver de acordo com a luz do dia, ou de luzes tão fracas que só nos mostram a noite e o que está próximo, incluindo os vizinhos.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Idem

Não está mais ninguém neste lugar a olhar este mar e estas terras, esta paisagem mutável e oscilante pela luz.
Serei eu digna de presenciar tanta beleza?
E se ninguém a visse?
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A Beleza

Não há mais ninguém neste momento a presenciar esta paisagem
Serei eu digna de tanta beleza?
Posted by Picasa

domingo, dezembro 14, 2008

O Azul Opaco da Terra

Possuído pelo espírito do fogo e pelos raios do sol
É extraído da forja o ferro em chamas transformado
Mais belo, mais luzente que o ouro ou o diamante,

Em breve será apenas uma peça enferrujada e útil,
Depois de ter passado pela água agora turva.
Como um bicho fugente, irascível e leve
O pedaço de ferro atravessa a água, reagindo à sordidez

Tal como ele saibamos possuir a luz:
Assanhados, irascíveis reagir contra os limites
Que nos obrigam a ser pedra ou coisa

Saibamos nós ao menos, nós os senhores do fogo
Ser chama e ser aurora
Ser pedaço de ferro moldado a nosso gosto
Ser cor e luz, ser fogo e ser augúrio

E iluminados partirmos para o azul opaco da terra.
Graciete Nobre
Lisboa, 15\9\96

domingo, dezembro 07, 2008

Chuva Torrencial

Choveu tormentosamente durante muitos dias.
A terra ficou repleta de pequenos lagos, espelhos de água

Estes espelhos espalhados pelo mundo visível
Reflectem a beleza do universo:

Os palácios das cidades, as ervas, as flores, as árvores das florestas
As estrelas, os cometas, a lua, as nuvens, o sol
E o passarinho que bebe a água caída da chuva...
E que se banha satisfeito nas paisagem do ar reflectidas no chão

quarta-feira, novembro 26, 2008

O Velho Moinho

No fundo do vale o ribeiro de águas mansas
macias e tranquilas nos espera


Corre sempre, levemente, lugar escondido de paz
Salgueiros de folhas glaucas como a água se inclinam
no seu curso em solene homenagem.


Para lá chegar temos que descer o monte:
Tojos, silvas, urtigas cor de esmeralda,
ásperas nos arranham a pele.


Não passes, dizem. Não procures o caminho
O ribeiro é um mistério que não deves desvendar
Volta para trás--dizem --pára!


A lua cheia ilumina docemente o ribeiro escondido
atravessando a sombra das altas árvores que o cercam


Parada entre salgueiros a pequena enseada
Devolve à lua os raios de luar
silenciosa homenagem da terra líquida ao universo vazio
O moinho abandonado recorda outros tempos que já foram.


Graciete Nobre

terça-feira, novembro 25, 2008

"Bound for Distant Shores"

"Bound for Distant Shores"

Este é mais um quadro de Vladimir Kush.
Gosto muito deste pintor. Também gosto muito de Salvador Dali, embora sejam bem diferentes... (há quem os confunda). Este é mais ingénuo.
Agrada-me nos dois a criação de amplos espaços para lá do real, com dimensões alteradas como as dos sonhos.
Creio que a pintura conseguiu melhor do que outras artes e do que a literatura exprimir e inventar estas visões, que correspondem ao programa surrealista.
Em Vladimir agrada-me a constante presença do mar, que adquire dimensões interiores e oníricas, mesmo quando apela à distância e ao infinito. Faz-me lembrar aquele poema de Pessoa:
"E outra vez conquistemos a Distância
Do mar ou outra, mas que seja nossa!"
Esta é a nossa Distância.

segunda-feira, julho 14, 2008

CEREJAS


Após as flores de cerejeira, tão cantadas pelos poetas, os frutos: uma dádiva.
Não sei de quais gosto mais. A cereja é um dos meus frutos preferidos.
Obrigada....
Obrigada,
Obrigada cerejeira!
Pensei que gostava mais dumas cerejas claras, cor-de rosa, chamadas cerejas brancas, mas estas muito escuras e grandes são fantásticas. Menos bonitas, a meu ver.
Desejo a todos vocês o prazer que estou a sentir a comê-las enquanto escrevo, prazer sazonal. Só comparável ao que senti ao ver as cerejeiras em flor.
O único tempo que existe é o presente.
Ver também http://escrevedoirosemaluquices.blogspot.com/search?q=cerejas
(Ver também as fotos que aqui tenho das cerejeiras em flor. Para isso, clicar nas palavras abaixo, em verde)
Posted by Picasa

sexta-feira, abril 25, 2008

Mandar calar os pássaros

Houve um época em que eu me deitava tarde, me levantava tarde e dormia mal.


Nessa época, os pássaros começavam a cantar por volta das cinco da manhã, na Primavera. Mas nunca era a uma hora certa: talvez às 5 menos 3 minutos, talvez às cinco e doze minutos, como se o relógio não fosse capaz de apanhar essas "nuances".


Quando eu queria adormecer, começavam eles uma chilreada, como se o mundo tivesse sido inventado naquele momento. E eu tinha sono. O barulho não me deixava dormir...


Apetecia-me mandar calar os pássaros

quinta-feira, março 20, 2008

Plantas felizes

Fui à janela e vi, num jardinzito modesto, as plantas encharcadas pelas últimas chuvas torrenciais. São plantas felizes.
Com a idade e a consciência do tempo, aprendi a tirar prazer destas pequenas coisas, a felicidade das plantas, a mudança, os pequenos momentos e os pequenos dias sem importância.

segunda-feira, março 17, 2008

Magnólia Branca

Plantei uma vez uma magnólia que deveria dar flores brancas.
Plantei-a em homenagem à Natália Correia, que gostava de flores vivas, não colhidas, flores na planta.
Passaram-se muitos anos: a magnólia, segundo dizem, tem dado muitas flores brancas e grandes. Dizem que está muito bela, quando se põe em flor.
Pessoalmente, nunca vi.

terça-feira, março 11, 2008

A Infância: os Pássaros

Estava eu com o corpo todo suspenso.
As mãos arranhadas. Os joelhos esfolados.
Em riscos de  cair ao chão, muitos metros baixo.

Os dedos das mãos metidos no buraco do muro, entre duas pedras, enfim, entre várias pedras.
Os dedos dos pés metidos no buraco do muro, entre as pedras agudas e quentes do sol.
O corpo em precário equilíbrio, quase a cair.

Mas em mim só existiam os olhos: só via!
E, alguns segundos antes de cair, ainda consegui vislumbrar a completa maravilha:
Três passarinhos minúsculos com os bicos abertos, cantavam. No minúsculo ninho, na parede de pedra.

Eu já antes tinha caído, é claro,
Com os joelhos esfolados, doridos, e muito feliz, fui contar à minha mãe:
- Mãe, eu sei um ninho! Olhe Ali! Tão pequeninos e cantam tanto! De biquitos abertos.

Douro litoral: socalcos: muros feitos de bocados de pedras: crianças felizes descobrem ninhos.

quinta-feira, março 06, 2008

Os que voam: observemos os pássaros

Os pássaros ocupam só um pequeno espaço na nossa vida.
Um espaço escondido, quase esquecido e carinhoso.
Um sorriso leve. Sentir a suavidade e a leveza das penas contra a pele do rosto e dos lábios como quando uma vez achámos um ninho. O cheiro desconhecido das penas, dos ovos e do ninho. Um cheiro que é das aves. Um cheiro a liberdade. Dos que não pertencem à terra. Dos que voam.

(isto foi escrito em cima do joelho: a alterar)

sábado, março 01, 2008

Ainda os pássaros: é o tempo deles...

Gosto de pássaros, por isso nunca tive nenhum
Sempre me pareceu a posse menos importante do que a liberdade
A deles e a minha

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Os passarinhos enganaram-se

Os passarinhos enganaram-se. Ainda estamos no Inverno e já estão a fazer ninhos, ou a cantar como quando fazem ninhos.
As flores também se enganaram: faltava mais de um mês para a Primavera e já estavam todas a deitar a cabeça de fora.
Quem anda a enganar as aves e as flores?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Deus dá-nos uma noite todos os dias

terça-feira, janeiro 22, 2008

Dores

A dor serve para nos sentirmos felizes, só porque não temos dores.