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terça-feira, setembro 09, 2008

A Senhora das Especiarias

E finalmente um livro fantástico, verdadeiramente original em todos os aspectos, com uma leitura agradabilíssima e inventando uma estética com a qual me identifico totalmente.Já tinha visto o filme na televisão, que me pareceu na altura inovador em muitos aspectos, desde a história em si ao aspecto propriamente cinematográfico. Depois comprei o livro nas Canárias, em Espanhol, "La Señora de las Especias". Talvez goste mais dele assim, com palavras que não entendo, mas hei-de lê-lo em português. Não sei se já pensaram nisso, mas há frequentemente muitas coisas que não entendemos num livro e que às vezes contribuem para o seu encanto: os nomes das árvores que não conhecemos e portanto não podemos imaginar como são, neste caso o nome das especiarias, etc... O livro é puramente ficcional, no essencial não se parece nada com a realidade, mas ao mesmo tempo absorve um grande manancial do real.

Conta a história completamente fantasista de uma feiticeira indiana, mestra de especiarias, que vive numa loja em Oakland, sem poder pôr os pés na rua durante toda a vida, pelos votos que fez. Vende especiarias como feitiços e tem a missão de ajudar com elas os indianos que lhe frequentam a loja, embora estes, na sua maioria, nem saibam que ela os ajuda.

Embora esteja escrito em prosa, o livro tem uma imensa dose de poesia. Li, da mesma autora, também em Espanhol, "Irmãs da Alma" (traduzo eu o título). É interessante, mas este parece ser a sua obra-prima.
Ambos se baseiam também muito nas sensações, nas imagens e em particular no olfacto.

sábado, junho 16, 2007

Falemos da beleza propriamente dita

 

 

 

 



Lisboa
Parque Eduardo Sétimo
14/6/7
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domingo, junho 03, 2007

É muito importante que o lugar da chegada seja belo




É muito importante que o lugar da chegada seja belo

Torre de Belém, Lisboa
Corrida a Mulher e a Vida, Lisboa 2007
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sábado, maio 12, 2007

Flores

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sábado, abril 28, 2007

terça-feira, abril 17, 2007

sábado, fevereiro 17, 2007

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Ou Estes - Oestes

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segunda-feira, janeiro 08, 2007

Talvez um poema

No fundo do mar, onde ninguém a contempla, a ostra vai tecendo uma pérola.
Em silêncio e na dor.
E a beleza vai sendo criada, sem arestas,
para se perder na areia.

Ou para ser encontrada, muito raramente, às vezes.

Pelo sofrimento e contra ele
Saibamos nós transformar a dor em algo que se perca na areia,
mas que exista um momento e seja belo

segunda-feira, janeiro 01, 2007

domingo, agosto 06, 2006

Baía

Ainda existe a frescura das sombras
E o canto estranho de aves espantosas
Sobre as árvores antigas



Ou continua a existir a frescura das sombras... 

domingo, julho 16, 2006

Em busca do tempo perdido (pelos outros)

Estava eu num restaurante quase vazio, ao balcão, sossegada e tranquila, quando observo um casal não muito novo, mas muito entusiasmado e muito feliz.
Disfarcei, claro, apenas o suficiente para ver que toda aquela agitação se devia a terem pedido uma fruta tropical, que há uns anos era rara, creio que era manga.
Ao ver que estava a olhar para eles, o homem perguntou-me se eu queria um bocadinho e a mulher insistiu. Percebi logo que aquele era um momento especial e aceitei, claro. O empregado do restaurante partiu então a fruta em três, colocou-a em três pratinhos e assim mesmo onde estávamos, longe eu deles, comungámos da manga com deleite.
Porque ele começou logo a contar:
- Era no tempo da guerra colonial em Angola. Andávamos nós há vários dias sem comer e quase sem beber, na torreira do sol, estafados, esfalfados, mortos…
E eis senão quando… vemos uma árvore carregadinha de frutas maduras e suculentas, que era comer e beber ao mesmo tempo, Senhor do Céu!
É claro que trepámos todos à árvore, sem pensar em mais nada. Imaginem vocês este sabor, este mesmo, exactamente, este suminho a escorrer-nos pela cara e pelo queixo…
Eu e a outra senhora já tínhamos o sumo de manga a escorre-nos pelos cotovelos e pelo pescoço, esquecidas de que estávamos num local público e de que nem nos conhecíamos e nunca nos tínhamos visto antes, mas… eis senão quando…
- E de repente aparece o inimigo e desata às rajadas de metralhadora. Alguns caíram logo mortos, mas eu, a mim só me apetecia continuar ali, dependurado da árvore e a comer o fruto doce, mesmo que no momento após esse devesse ali cair! (como dizia... quem?!)
Eu e a outra mulher ficámos de repente o olhar uma para a outra, assustadas, com vontade de fugirmos ambas para debaixo da mesa, ainda com a manga a escorrer-nos pelo queixo…
Afinal, quem é o inimigo?
O meu gostar de algumas frutas tropicais tem a ver com esta história, aquele prazer efémero, recuperado de um tempo que nunca foi o meu.